Além de reduzir os impactos causados pelo lixo e contribuir com as causas socioambientais, juntar lacres de latinhas não beneficia apenas o planeta.
Esse simples objeto de alumínio tem um papel de grande valia para a sociedade, pois é capaz de proporcionar mais qualidade de vida e dignidade às pessoas que têm dificuldade de locomoção.
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Isso significa que o motivo para você começar a juntar agora mesmo os anéis das latinhas dos produtos que você consome é nobre: convertê-las em doações de cadeiras de rodas.
Como os lacres de latinhas viram cadeiras de rodas
Decerto, muita gente que ouve falar do assunto pela primeira vez acredita que os lacres são derretidos e transformados em cadeiras de rodas. Porém, o processo é muito mais simples do que se imagina.
Acontece que os lacres são vendidos às instituições especializadas em reciclagem de alumínio e, depois, o dinheiro é utilizado para comprar as cadeiras de roda.
No entanto, para tornar isso possível, é necessário encher 140 garrafas pet de dois litros com os lacres de latas de alumínio.
As informações a respeito da quantidade são do projeto Lacre Solidário da SPMAR – concessionário responsável pelos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, à revista Exame.
O projeto está na ativa desde 2017 e, até o momento, já arrecadou mais de 13 milhões de lacres nas cabines de pedágio. Por meio dos materiais recolhidos, foi possível doar 31 cadeiras de rodas para quem estava precisando.
Respeito aos catadores
Você deve estar se perguntando: “Mas por que vender apenas os lacres e não as latinhas inteiras? Será que os lacres valem mais?”.
Apesar de os lacres terem um valor comercial abaixo que o das latas, devido ao menor teor de alumínio, a resposta para essas perguntas é em respeito aos catadores, que usam as latinhas como uma das principais fontes de renda.
Porém, o motivo não é só esse. Outra razão para recolher apenas os lacres e não as latas é por causa da logística: o manuseio é mais tranquilo e o armazenamento é mais simples, já que cabem em qualquer lugar, não atraem insetos e nem acumulam líquidos.
Valores das cadeiras comuns e personalizadas
O Instituto Entre Rodas, de Santo André (SP) lançou a campanha #NÃOÉMITO para para alcançar mais doadores e, também, mostrar às pessoas como os lacres de latinhas se tornam cadeiras de rodas.
Por meio do empenho em prol de ajudar quem precisa, o instituto já arrecadou, em cinco anos, 72 milhões de lacres. Esses materiais se converteram em 87 cadeiras de rodas doadas a crianças e adolescentes.
Vale ressaltar que a fundadora do Entre Rodas, Eliane Lemos, juntamente com sua equipe, fez um levantamento e constatou que as cadeiras doadas, na maioria das vezes, não atendem às necessidades individuais de cada pessoa com deficiência.
À revista Exame, ela relatou que “muitas são de ferro e extremamente pesadas, o que dificulta a independência, autonomia e mobilidade”. Todavia, as cadeiras que o instituto doa são produzidas sob medida, em um modelo mais leve e resistente, feito com alumínio aeronáutico.
Segundo Eliane, com o valor que arrecadam com a venda de 140 garrafas pet de dois litros (112 kg), não é possível comprar uma cadeira de rodas com personalização, no padrão das que são o Entre Rodas doa. Ela diz que, para conseguir o tipo de cadeira ideal para as doações, é preciso vender 625 garrafas pet (500 kg).
Desse modo, a maioria dos projetos sociais doa uma cadeira de rodas que custa em torno de R$ 350. Já a personalizada vale 5,4 mil. “Esse preço é ainda da tabela de 2017. Nós pagamos 50% (R$ 2,7 mil) e a empresa Alphamix assume os outros 50%”, relata.
Imagem: Kwangmoozaa / Shutterstock




