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Conta de luz ficará 3,5% mais cara com decisão do Congresso; impacto é de R$ 197 bi

O Congresso Nacional derrubou nesta semana quatro dos sete vetos presidenciais ao Projeto de Lei nº 576, agora transformado na Lei nº 15.097/2025, conhecida como a Lei das Eólicas Offshore. A decisão, aprovada com ampla maioria, pode gerar impactos bilionários nas tarifas de energia elétrica dos brasileiros ao longo dos próximos anos.

Segundo estimativas da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), o custo adicional poderá chegar a R$ 197 bilhões ao longo de 25 anos, resultando em um aumento de até 3,5% nas contas de luz. A medida também levanta preocupações sobre a inflação e o poder de compra da população, especialmente das famílias de baixa renda.

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Conta de luz
Imagem: Canva

Entenda os “jabutis” legislativos

Os dispositivos derrubados pelo Congresso foram classificados como “jabutis” — trechos de lei sem relação direta com o tema principal. Eles foram incluídos no projeto durante sua tramitação para beneficiar determinados grupos econômicos, especialmente ligados ao setor de energia.

Entre os pontos reestabelecidos estão subsídios a fontes fósseis e a ampliação de benefícios para determinadas cadeias produtivas que atuam na geração elétrica, mesmo que isso represente custos adicionais ao consumidor.

A posição do governo antes da decisão

Os vetos haviam sido aplicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o argumento de que os dispositivos contrariavam o interesse público e violavam o princípio da razoabilidade fiscal. No entanto, a pressão de parlamentares e de setores ligados à indústria de energia foi decisiva para a derrubada.

Custo estimado e impacto nas tarifas de energia

Estudo da FNCE e consultoria PSR

De acordo com a FNCE, com base em cálculos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de estudos da consultoria PSR, os custos adicionais aos consumidores podem atingir até R$ 197 bilhões em 25 anos.

Se todos os vetos tivessem sido derrubados, o impacto poderia ter sido ainda maior: R$ 545 bilhões, segundo o mesmo estudo. Isso representaria um acréscimo de aproximadamente R$ 20 bilhões por ano na conta de luz da população.

Reflexo direto na conta de luz

A previsão é que o aumento médio nas tarifas seja de 3,5%, afetando tanto consumidores residenciais quanto comerciais e industriais. Para as famílias de baixa renda, o reajuste pode representar até 9% de alta na fatura mensal.

O presidente da FNCE, Luiz Eduardo Barata, destacou que o impacto será duplo: tanto nas contas de energia quanto na elevação geral de preços de bens e serviços.

“Nós, consumidores, pagaríamos duas vezes: pelo aumento na nossa conta de luz e no preço dos serviços e produtos que também ficarão mais caros”, alertou Barata.

Consequências para a inflação e o mercado consumidor

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Imagem: Daniele Mezzadri e HN Works / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Efeito no IPCA

O impacto das mudanças na Lei das Eólicas Offshore pode agravar a inflação, pressionando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, a energia elétrica residencial já havia puxado o índice com uma alta de 3,62%, depois de uma leve queda em abril.

A expectativa de redução nas tarifas, anteriormente prevista por analistas do setor, pode ser anulada pela decisão do Congresso, comprometendo as projeções de inflação para o restante de 2025.

Risco de maior uso de termelétricas

Outro fator de preocupação é a possibilidade de acionamento mais frequente de usinas termelétricas, conhecidas pelo custo elevado de geração. A Aneel já havia alertado para o risco de aumento nas tarifas em razão da transição do período chuvoso para o seco, que reduz a geração de energia hídrica no Brasil.

Com a nova legislação, especialistas apontam que a dependência das térmicas pode crescer ainda mais, gerando custos adicionais para os consumidores.

Reação das entidades de defesa do consumidor

A FNCE não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar a decisão do Congresso. A entidade alega que a inclusão de “jabutis” na legislação viola princípios constitucionais e democráticos.

Em nota oficial, a FNCE afirmou:

“O Poder Legislativo, mais uma vez, demonstra desrespeito pelos princípios constitucionais e democráticos ao persistir na defesa de propostas que prejudicam a população e ao conduzir o processo legislativo ignorando os regimentos internos, impedindo que a sociedade civil tenha ampla participação e aprovando sumariamente medidas de grave repercussão sem base técnica nem justificativa econômica.”

Possível judicialização

Especialistas jurídicos consultados avaliam que há margem para contestação no STF, especialmente pelo fato de os dispositivos derrubados não terem relação direta com o objetivo central da lei, que era a regulamentação da geração de energia eólica offshore no Brasil.

Contexto político: interesses e pressões no Congresso

Apoio político aos jabutis

A derrubada dos vetos reflete uma articulação política intensa dentro do Congresso, com apoio de setores empresariais interessados na manutenção dos benefícios.

Deputados e senadores de diferentes partidos justificaram o voto alegando necessidade de preservar empregos e estimular investimentos no setor energético. Críticos, porém, argumentam que os benefícios são concentrados e geram custos excessivos para toda a sociedade.

Relação com a pauta fiscal

A decisão legislativa ocorre em meio a um momento delicado das contas públicas. O governo federal enfrenta dificuldades para cumprir a meta fiscal, e o aumento de subsídios no setor elétrico pode agravar ainda mais o quadro.

Para analistas econômicos, a medida representa um retrocesso na tentativa de controlar os gastos e manter a trajetória de ajuste fiscal.

O que esperar a partir de agora

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Imagem: fabricantesimf / Freepik

Próximos passos do governo

O governo federal avalia possíveis caminhos para mitigar os impactos da derrubada dos vetos. Fontes da equipe econômica indicam que estão sendo estudadas alternativas para reduzir o efeito tarifário, como a criação de fundos compensatórios ou ajustes em outras políticas energéticas.

Mobilização de entidades civis

A FNCE promete intensificar a mobilização social e jurídica para tentar reverter a decisão. A entidade também deve promover campanhas de conscientização para alertar a população sobre o impacto direto da medida nas contas de luz e no custo de vida.

Pressão sobre o STF

A expectativa é de que a judicialização do caso ganhe força nas próximas semanas. Caso a questão chegue ao STF, o Supremo terá que decidir se a inclusão de “jabutis” na Lei das Eólicas Offshore feriu a Constituição e os princípios do processo legislativo.

Considerações finais

A derrubada dos vetos à Lei das Eólicas Offshore representa um marco com possíveis consequências profundas para o bolso dos brasileiros. Além de elevar a conta de luz em até 3,5%, a decisão pode afetar o controle da inflação, prejudicar famílias de baixa renda e aumentar a insegurança jurídica no setor energético.

O cenário agora é de incerteza, com forte mobilização de entidades civis e expectativa de novos capítulos no Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, consumidores, empresas e investidores acompanham de perto os desdobramentos dessa decisão que já começa a se refletir nas projeções de inflação e nos cálculos de custo de vida para os próximos anos.