A Lei Magnitsky, criada nos Estados Unidos em 2012 após o caso do advogado russo Sergei Magnitsky — que denunciou corrupção na Rússia e morreu na prisão — inaugurou um marco legal para responsabilizar indivíduos envolvidos em corrupção ou graves violações de direitos humanos. Inicialmente restrita à Rússia, a lei evoluiu com a Global Magnitsky Act, promulgada em 2016, conferindo alcance global às sanções.
Lei Magnitsky já pressiona bancos, cooperativas e fintechs brasileiras, confira o impacto
Lei Magnitsky já afeta bancos, cooperativas e fintechs no Brasil, mesmo sem sanção direta. Entenda impactos e riscos do cerco global.
Desde então, diversos países — como Canadá, Reino Unido e União Europeia — adotaram regimes semelhantes, consolidando um instrumento de alcance internacional para combater corrupção e proteger direitos humanos.
Leia mais:
Lei Magnitsky contra Moraes: consequências práticas e reações políticas

Aplicação prática da lei
Essas sanções atingem pessoas jurídicas e físicas específicas, não países inteiros, por meio de:
- Congelamento de bens e contas no exterior
- Bloqueio de transações financeiras por redes globais
- Impedimento de entrada em países sancionadores
- Proibição de negócios com instituições que respeitam essas sanções
Por que a Lei Magnitsky afeta instituições financeiras brasileiras
Mesmo não sendo abrangida diretamente pela legislação, a Lei Magnitsky exerce efeitos reais no sistema financeiro brasileiro, devido à sua total integração à infraestrutura global.
Integração aos sistemas internacionais de pagamento
Cartões de crédito e redes
As bandeiras (Visa, Mastercard, etc.) e câmaras de compensação globais seguem obrigatoriamente listas como a da OFAC (Office of Foreign Assets Control, dos EUA). Isso significa:
- Transações com um sancionado são bloqueadas automaticamente, até mesmo em compras domésticas.
- Instituições que ignoram esses alertas arriscam perder parceiras ou enfrentar sanções secundárias.
Contas e relacionamento
Bancos e cooperativas podem ser obrigados a recusar abertura ou encerrar contas de pessoas presentes em listas de sanções, sob risco de serem excluídos de sistemas internacionais.
Transferências internacionais
Operações via SWIFT, câmbio e remessas dependem de bancos correspondentes que verificam listas como da Magnitsky. Qualquer vínculo com sancionados (direto ou indireto) pode bloquear o envio ou recebimento de valores.
Crédito e financiamentos
Conceder crédito a um sancionado exporia a instituição a riscos jurídicos, reputacionais e financeiros, como garantias congeladas.
Investimento e mercado de capitais
Fundos e corretoras que aplicam no exterior devem monitorar constantemente ativos vinculados a entidades sancionadas — exposição pode provocar bloqueios ou perdas de liquidez.
Comércio exterior, seguros e fintechs
Exportadores, fintechs e plataformas de pagamentos digitais também podem ter operações negadas por seguradoras internacionais ou sistemas de pagamento global, caso haja qualquer conexão com sancionados.
Um impasse legal entre cumpridores: Brasil x Estados Unidos

A crise recente envolvendo o ministro Alexandre de Moraes — sancionado sob a Magnitsky — evidenciou o dilema que os bancos enfrentam:
- Respeitar sanções norte-americanas pode significar rejeitar operações.
- Seguir o STF, que determinou que leis estrangeiras não têm efeito automático no Brasil, pode acarretar sanções locais.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O cenário levou a:
- Quedas expressivas nos preços das ações dos bancos (milhares de bilhões em valor de mercado num só dia ).
- Discursos como o de André Esteves, do BTG Pactual, que afirmou que sanções não são novidade e os bancos já têm estrutura para lidar com isso.
Panorama atual e desafios futuros
Cooptação de compliance e governança
Entidades financeiras precisam adotar rigorosos procedimentos de KYC/KYB, monitoramento contínuo e programas de due diligence para evitar exposição indireta a sanções.
Dilema institucional
A decisão do STF (via Flávio Dino) impede a aplicação automática de sanções estrangeiras sem validação local — enquanto Estados Unidos – por meio de OFAC — podem aplicar sanções secundárias severas.
Capilaridade internacional
Bancos brasileiros com operações no exterior, como Banco do Brasil e Itaú, estão sob dupla pressão: atender à lei local ou respeitar sanções externas, com riscos significativos em ambos os caminhos.
Checklist de compliance para enfrentar a Lei Magnitsky no Brasil

- Implementar KYC/KYB rigoroso usando bases da OFAC, UE, Reino Unido.
- Monitorar transações em tempo real, com alertas e bloqueios automáticos.
- Due diligence mais intensa para setores de risco, como exportação/importação.
- Política clara de encerramento de contas envolvidas em sanções.
- Governança operativa com treinamento para diretorias e áreas operacionais.
- Plano de resposta a incidentes claro: bloqueios, reportes e comunicação.
- Auditorias periódicas, testes independentes conforme compliance de sanções.
Imagem: Reprodução
