A ex-primeira-dama é uma figura notável na comunidade surda e, desde a posse do então presidente Bolsonaro, em janeiro de 2019, chamou a atenção por fazer um discurso em Libras — Linguagem Brasileira de Sinais.
O intuito do Dipebs, que fazia parte do Ministério da Educação (MEC), tinha como objetivo a implementação de políticas educacionais direcionadas ao ensino bilíngue.
Além disso, a diretoria buscava fomentar pesquisas na área, a formação educacional dos surdos e criação de escolas focadas no ensino de Libras.
Comunidade surda repudia decreto
Segundo publicação da Federação Nacional de Educação de Surdos — Fenesis, as comunidades surdas, sobretudo, a cearense, repudiam o trecho do decreto que extingue o Dipebs.
Conforme informação da nota, o presidente Lula havia assinado um termo de compromisso, durante a candidatura em 2022, concordando em manter o funcionamento da diretoria.
“Esperamos que a DIPEBS seja reintroduzida no fluxograma do MEC e que seja liderada por vozes representativas do movimento surdo em favor da educação bilíngue de surdos”, informa a nota.
Michelle Bolsonaro demonstrou indignação
No Instagram, Michelle Bolsonaro, demonstrou sua indignação ao repostar uma publicação feita pela deputada federal Amália Barros (PL-MT), que dizia: “Não estão levando em consideração anos de lutas da comunidade surda por uma educação bilingue e de qualidade! Lamentável!”.
Políticas públicas para surdos são mantidas no atual governo
No entanto, o decreto mantém na estrutura regimental do MEC o Instituto Nacional de Educação de Surdos — INES, criado no Rio de Janeiro na metade do século XIX.
Desde então, o INES busca promover a educação de alunos surdos, prepará-los para o trabalho, promover educação inclusiva, preparar profissionais bilíngues, dentre outras providências.
Ademais, o decreto também mantém, dentro da estrutura organizacional do MEC, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão.
A secretaria tem como finalidade criar políticas públicas voltadas à educação bilíngue de pessoas que utilizam Libras (como primeira língua e língua de instrução) e língua portuguesa (como segunda língua e na escrita), sendo: surdos, surdocegos e deficientes auditivos.
Imagem: Marcelo Camargo/ Agência Brasil