Novas regras da Mastercard afetam salas VIP do cartão Black do BTG
A Mastercard anunciou mudanças significativas em sua política de acesso às salas VIP localizadas no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo. A partir de 1º de setembro de 2025, clientes do cartão BTG Pactual Mastercard Black terão que cumprir novos requisitos para acessar gratuitamente os espaços exclusivos Sala VIP Lounge e Lounge Mastercard Black.
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A principal exigência será um gasto acumulado de R$ 15 mil em três meses no cartão. Caso o cliente não atinja esse valor, o acesso ainda será permitido, mas mediante o pagamento de R$ 200 por entrada.
BTG Pactual comunica clientes sobre novas condições

O BTG Pactual enviou comunicado oficial por e-mail aos portadores de seu cartão Black, informando que as regras entram em vigor já em setembro. Segundo o texto, os clientes continuam tendo direito de acesso ilimitado, mas precisam comprovar gasto mínimo no trimestre para isenção da taxa.
Além disso, o banco destacou que:
- Cada cliente pode levar até três acompanhantes, mediante pagamento adicional.
- O valor da taxa de acesso pode ser alterado futuramente pela Mastercard.
- As novas regras não afetam as salas LoungeKey, vinculadas a outro programa de benefícios.
- Clientes das categorias Ultrablue e Partners permanecem com acesso ilimitado e gratuito às salas VIP Mastercard Black.
Por que a Mastercard está mudando as regras?
Segundo a própria Mastercard, o objetivo das novas regras é “assegurar a qualidade da experiência” dos viajantes que utilizam os lounges. Com o crescimento do número de clientes de cartões premium no Brasil, as salas começaram a enfrentar lotação frequente, o que compromete o conforto prometido.
A exigência de gastos mínimos funciona como um filtro, priorizando clientes de maior movimentação financeira, além de ajudar bancos emissores a incentivar o uso dos cartões em compras do dia a dia.
Regras variam conforme o banco emissor
Embora a Mastercard tenha padronizado parte das exigências, cada banco emissor pode definir valores e condições específicas. No caso do BTG Pactual, o gasto exigido foi estabelecido em R$ 15 mil em três meses, o mesmo critério adotado pelo Bradesco no fim de julho.
Em média, isso significa que o cliente precisa movimentar cerca de R$ 5 mil por mês para garantir acesso gratuito. Quem não atingir esse nível de gastos deve considerar o pagamento da taxa ou explorar outros benefícios oferecidos pelo cartão.
O “módulo viagem” do BTG Pactual
É importante ressaltar que as mudanças dizem respeito apenas às salas VIP administradas diretamente pela Mastercard em Guarulhos. O BTG Pactual mantém outros benefícios em seu “módulo viagem”, um pacote opcional que custa R$ 40 mensais e oferece:
- Até quatro acessos gratuitos ao programa LoungeKey.
- IOF zero em compras internacionais, com o banco cobrindo o valor pago de imposto.
- Descontos na mensalidade: cada R$ 1 mil em fatura ou R$ 10 mil investidos reduzem R$ 10 da assinatura.
Esse modelo garante que clientes com gastos ou investimentos recorrentes no banco tenham desconto progressivo, tornando o benefício mais acessível.
Impacto das mudanças para os clientes
As novas regras alteram o perfil de acesso às salas VIP. Para clientes que gastam valores elevados no cartão, as mudanças têm pouco impacto, já que o gasto mínimo é facilmente atingido.
Por outro lado, clientes que utilizavam o cartão Black apenas esporadicamente para viajar podem se sentir prejudicados, pois terão que pagar a taxa de R$ 200 ou buscar alternativas em outros programas de salas VIP.
Possíveis efeitos no mercado
- Seleção natural de clientes: os lounges devem passar a receber um público mais restrito, diminuindo lotação.
- Pressão sobre concorrentes: bancos como XP, C6 Bank e Inter já limitaram acessos, e a tendência é que outras instituições reforcem exigências semelhantes.
- Busca por diferenciais: emissores precisarão oferecer benefícios adicionais, como cashback, investimentos e seguros de viagem, para manter atratividade.
Acesso VIP como ferramenta de marketing
Nos últimos anos, o acesso a salas VIP se tornou uma das principais ferramentas de marketing dos cartões de crédito premium no Brasil. Para viajantes frequentes, a possibilidade de descansar, comer e trabalhar em um espaço reservado durante conexões é um diferencial decisivo na hora de escolher um cartão.
No entanto, a expansão desse benefício acabou criando problemas. Com mais clientes sendo incluídos, as salas ficaram sobrecarregadas, perdendo parte da exclusividade. Agora, bancos e bandeiras buscam equilibrar o benefício com exigências mais rígidas.
Comparação com outros bancos
A mudança do BTG segue uma tendência de mercado.
- XP: passou a exigir gastos de R$ 3 mil por fatura para liberar acesso aos espaços da Dragon Pass.
- C6 Bank: restringiu a entrada de clientes com cartões adicionais.
- Banco Inter: encerrou o benefício de acessos ilimitados para portadores do Black.
Essas restrições indicam que o acesso irrestrito a salas VIP está se tornando cada vez mais raro, sendo reservado a clientes de alto gasto ou programas específicos.
Como os clientes podem se preparar
Para manter acesso gratuito às salas VIP Mastercard Black no BTG Pactual, os clientes devem planejar seus gastos e buscar concentrar despesas no cartão. Algumas estratégias incluem:
- Usar o cartão para compras do dia a dia e contas recorrentes.
- Concentrar passagens aéreas, hospedagens e pacotes de viagem no cartão.
- Avaliar se o custo da taxa de R$ 200 compensa em viagens esporádicas.
- Considerar a adesão ao módulo viagem, caso seja mais vantajoso.
Exclusividade em transformação
As novas regras da Mastercard para acesso às salas VIP no Aeroporto de Guarulhos marcam mais uma etapa na transformação do mercado de cartões premium no Brasil. A exigência de gastos mínimos reforça a ideia de exclusividade e garante uma experiência mais confortável para quem realmente utiliza o cartão de forma ativa.
Para clientes do BTG Pactual Mastercard Black, a mudança pode ser vista tanto como um desafio quanto como uma oportunidade. Enquanto alguns terão que rever seus hábitos de consumo, outros continuarão desfrutando do benefício sem impacto.
No cenário mais amplo, a medida indica que os cartões de crédito premium estão se tornando cada vez mais seletivos, exigindo que seus portadores se mantenham engajados para garantir os privilégios prometidos.