O Ministério da Educação (MEC) oficializou nesta segunda-feira (19) um decreto que redefine as diretrizes para cursos de graduação no Brasil. A medida estabelece que os cursos de direito, medicina, enfermagem, odontologia e psicologia sejam ofertados exclusivamente no modelo presencial, restringindo o ensino a distância (EaD) nessas áreas.
Formação em Direito exige presença: veja os motivos da proibição no EaD
Decreto do MEC proíbe curso de direito a distância e exige ensino presencial. Medida atende à OAB e garante melhor formação jurídica.
O curso de direito é o único da área de ciências humanas incluído na nova regra. Segundo o MEC, a decisão busca preservar a qualidade dos cursos e assegurar a vivência prática dos estudantes, elemento considerado essencial à formação em profissões que exigem atuação direta com o público.
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Um passo esperado: especialistas comemoram medida do MEC

Francisco Silva, membro da Comissão de Educação Jurídica da OAB-CE, classificou o decreto como “uma consolidação histórica da formação jurídica no país”. Segundo ele, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já vinha reivindicando há anos que o curso de direito fosse retirado do rol de formações possíveis via EaD.
“A presencialidade no ensino jurídico é indispensável para garantir uma formação sólida, ética e técnica. O decreto ratifica uma luta que travamos há anos”, afirmou.
O que muda com o novo decreto?
Com a publicação do decreto, as instituições de ensino superior passam a ser proibidas de ofertar o curso de direito em formato totalmente remoto. A exceção prevista é para até 30% da carga horária ser realizada a distância, desde que respeitados os critérios estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs).
Ensino híbrido moderado ainda é permitido
Antes do decreto, era permitido que até 40% da grade curricular fosse ofertada de forma remota. Com a nova norma, esse percentual foi reduzido para 30% nos cursos afetados, e o curso de medicina passa a exigir 100% de carga horária presencial, sem qualquer possibilidade de EaD.
Direito: por que a modalidade presencial é tão necessária?
Práticas jurídicas e estágio supervisionado são insubstituíveis
Francisco Silva explica que o curso de direito tem uma carga horária mínima obrigatória de 3.700 horas, sendo cerca de 15% desse total voltado para práticas e estágios supervisionados. Essa vivência prática é considerada essencial para a formação de um profissional apto a lidar com a complexidade do sistema judiciário.
“O contato com a realidade jurídica e a troca com professores e colegas são pilares da formação de um bacharel em direito. Essa experiência não pode ser replicada por uma tela”, defende o especialista.
Lacunas regulatórias agora estão cobertas
Embora já houvesse restrições informais à oferta de direito em EaD — inclusive com reprovação da OAB a esse modelo — a nova regulamentação do MEC fecha as brechas legais. Isso impede que instituições utilizem interpretações flexíveis para continuar ofertando o curso de forma remota.
“Essa era uma ausência jurídica que gerava insegurança tanto para as instituições quanto para os alunos. Agora, a legislação está clara: curso de direito, só presencial”, reforça Silva.
Impacto imediato nas universidades e nos alunos

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Reestruturação curricular será necessária
As instituições que ofertavam o curso com maior carga remota terão que se adequar rapidamente às novas diretrizes. Isso significa reorganizar o corpo docente, ampliar a infraestrutura e ajustar os currículos para atender aos parâmetros exigidos.
Para os alunos, formação mais sólida
Para os estudantes, a mudança representa uma garantia de qualidade e valorização do diploma. Ao limitar a carga EaD, o MEC busca assegurar que todos os formandos tenham uma base sólida e compatível com as exigências da profissão.
O futuro da educação jurídica no Brasil
A decisão do governo federal marca uma virada na condução da política educacional, sobretudo no ensino superior. Especialistas apontam que, embora o ensino a distância traga flexibilidade e acessibilidade, há áreas que exigem uma formação presencial rigorosa, principalmente quando envolvem práticas profissionais e responsabilidade social.
“A formação jurídica exige reflexão crítica, debate e vivência prática. É uma construção que só se dá no convívio real, não em ambientes virtuais”, conclui Silva.
Considerações finais
A oficialização do ensino presencial como regra para o curso de direito não apenas atende a uma demanda histórica da OAB, mas representa um compromisso com a qualidade da educação jurídica no Brasil. Ao limitar o ensino remoto, o decreto garante maior rigor na formação e contribui para o fortalecimento da justiça e da cidadania.
