O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento populacional. Segundo dados do IBGE, em 2022, mais de 32 milhões de brasileiros tinham 60 anos ou mais, representando aproximadamente 15% da população total. A tendência é que, nas próximas décadas, essa proporção aumente ainda mais, transformando as demandas sociais, econômicas e urbanas.
Nesse cenário, a qualidade de vida na terceira idade ganha destaque, e escolher a cidade ideal para envelhecer tornou-se uma preocupação crescente. Pensando nisso, o Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL), organizado pela startup Quinto Andar, apresentou seu ranking de 2025, apontando os municípios brasileiros mais preparados para receber e acolher a população idosa.
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O que define uma boa cidade para idosos?
Uma cidade considerada adequada para a melhor idade vai além de aspectos como clima ou localização geográfica. Os critérios do IDL avaliam mais de 20 indicadores divididos em três grandes áreas:
Saúde
- Quantidade de estabelecimentos de saúde por habitante;
- Número de leitos hospitalares;
- Disponibilidade de profissionais de saúde;
- Cobertura vacinal;
- Procedimentos ambulatoriais;
- Taxas de mortalidade por doenças infecciosas, cardiovasculares e respiratórias.
Socioambiental
- Índices de segurança pública;
- Mobilidade urbana e transporte acessível;
- Existência de espaços públicos de lazer e convivência;
- Participação cívica e social;
- Relações afetivas e engajamento comunitário;
- Acesso a internet e inclusão digital.
Economia
- Renda média da população idosa;
- Segurança financeira;
- Consumo dos aposentados;
- Vulnerabilidade socioeconômica;
- Participação no mercado de trabalho.
As cinco melhores cidades para envelhecer no Brasil em 2025
Com base nesses indicadores, o ranking IDL 2025 apontou as seguintes cidades como as melhores para a terceira idade:
São Caetano do Sul (SP)
Pela segunda vez consecutiva, São Caetano do Sul lidera o ranking. Localizada na Região Metropolitana de São Paulo, a cidade é reconhecida por:
- Alta expectativa de vida para a população idosa;
- Rede pública de saúde estruturada, com centros de especialidades voltados para a terceira idade;
- Ampla oferta de programas culturais e recreativos, como os Centros de Convivência para Idosos;
- Baixos índices de violência.
São Caetano também se destaca por políticas de inclusão social e programas de incentivo à atividade física.
Vitória (ES)
A capital capixaba ocupa o segundo lugar graças à sua:
- Baixa taxa de mortalidade de idosos por doenças infecciosas;
- Excelente infraestrutura de saúde pública;
- Disponibilidade de academias populares e espaços ao ar livre para atividades físicas;
- Mobilidade urbana facilitada, com projetos de acessibilidade.
Além disso, Vitória apresenta bom desempenho econômico e níveis elevados de segurança, fatores decisivos para o bem-estar da população idosa.
Santos (SP)
Conhecida pelo seu litoral e qualidade de vida, Santos é uma das cidades com maior percentual de idosos no Brasil, representando 25,3% da população local.
Entre os diferenciais da cidade estão:
- Projetos inovadores para o atendimento de idosos desospitalizados, oferecendo cuidados domiciliares e reabilitação;
- Políticas de lazer e inclusão social, com atividades culturais gratuitas e centros de convivência;
- Um sistema de saúde pública eficiente.
A parceria da prefeitura com a iniciativa privada também garante novos projetos focados em longevidade.
Florianópolis (SC)

A capital catarinense é uma referência nacional quando o assunto é qualidade de vida para idosos.
Destaques de Florianópolis:
- Baixos índices de violência;
- Boa estrutura de transporte público com acessibilidade para idosos;
- Ambientes naturais propícios à prática de exercícios e ao convívio social;
- Sistema de saúde com boa relação entre número de profissionais e população atendida.
Além disso, a cidade investe constantemente em políticas de envelhecimento ativo, incentivando a participação dos idosos em ações comunitárias.
Curitiba (PR)
Reconhecida por seu planejamento urbano, Curitiba completa o top 5 das melhores cidades para a terceira idade.
Principais pontos fortes da cidade:
- Alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH);
- Sistema de transporte público eficiente, com veículos adaptados;
- Boa infraestrutura de saúde;
- Programas específicos para idosos, como habitação social para a terceira idade e centros de atendimento especializado.
Curitiba também se destaca pelo número de praças e parques, promovendo bem-estar físico e mental.
Outras cidades que se destacaram no ranking
Embora o IDL 2025 tenha divulgado apenas o top 5, outras cidades brasileiras também foram reconhecidas por sua boa infraestrutura para idosos, como:
- Campinas (SP);
- Joinville (SC);
- Porto Alegre (RS);
- Belo Horizonte (MG);
- Niterói (RJ).
Esses municípios, embora fora das primeiras posições, apresentam avanços importantes nas políticas públicas voltadas à terceira idade.
O impacto do envelhecimento populacional nas políticas urbanas
O rápido crescimento da população idosa obriga as cidades brasileiras a repensarem sua estrutura. Entre os desafios estão:
- Adaptação do transporte público;
- Ampliação da rede de saúde especializada em geriatria;
- Promoção de atividades de integração social e cultural;
- Garantia de segurança pública, considerando a vulnerabilidade da faixa etária.
Especialistas apontam que investir em políticas para a terceira idade não é um gasto, mas um investimento social, pois contribui para a redução de internações hospitalares, melhora da qualidade de vida e maior integração social.
Como o IDL avalia os indicadores?
A metodologia do Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade é baseada em fontes oficiais, como:
- IBGE;
- Ministério da Saúde;
- Ministério da Economia;
- IPEA.
O levantamento considera dados demográficos, socioeconômicos, de saúde pública e de infraestrutura urbana, com o objetivo de fornecer uma visão integrada sobre o bem-estar da população idosa em cada município.
Tendências futuras: o Brasil está se preparando?

Embora o ranking destaque cidades com boas práticas, muitos municípios brasileiros ainda enfrentam desafios significativos no atendimento à população idosa.
Entre as tendências para os próximos anos, destacam-se:
- Expansão de programas de envelhecimento ativo;
- Integração de tecnologias de saúde digital para monitoramento remoto de idosos;
- Aumento de residenciais voltados exclusivamente para a terceira idade;
- Adoção de políticas urbanas de acessibilidade universal.
Segundo especialistas, o Brasil precisa acelerar a implementação de políticas públicas de longo prazo, evitando que o envelhecimento da população traga sobrecarga aos sistemas de saúde e previdência.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

