A Méliuz, empresa conhecida no Brasil por seu modelo de cashback, anunciou uma mudança radical em sua estratégia. Agora, a companhia passa a focar em bitcoin como ativo principal de sua tesouraria, deixando em segundo plano o modelo que a consagrou no mercado.
📌 DESTAQUES:
A Méliuz altera seu modelo de negócios e aposta no bitcoin como ativo estratégico, deixando de focar no cashback. Mudança divide opiniões.
A decisão impactou diretamente a percepção do mercado financeiro e dos investidores, que passaram a questionar os rumos da empresa, listada na B3 sob o código CASH3.

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De plataforma de cashback a tesouraria de bitcoin
A origem da Méliuz
Fundada em 2011, a Méliuz cresceu oferecendo cashback, uma solução que permite aos usuários receberem parte do dinheiro de volta em compras online. Com mais de 30 milhões de clientes cadastrados e parcerias com grandes varejistas, a empresa se tornou uma das principais referências em programas de recompensas no Brasil.
A mudança no modelo de negócio
Em 2025, a companhia surpreendeu o mercado ao anunciar uma mudança no seu objeto social. A Méliuz iniciou um processo de transformação, focando na aquisição e gestão de bitcoins como estratégia principal. Com isso, a empresa deixou claro que pretende se consolidar como uma bitcoin treasury company.
Para viabilizar essa transição, a Méliuz abriu uma oferta pública de ações para captar até R$ 450 milhões, com o objetivo declarado de investir diretamente na compra de bitcoins. A mudança foi aprovada pelos acionistas, permitindo que a empresa alterasse seu estatuto e incluísse a gestão de criptomoedas como atividade principal.
Reações e volatilidade no mercado financeiro
Primeiras reações dos investidores
A notícia gerou uma série de reações no mercado. Enquanto parte dos investidores enxerga a decisão como inovadora e alinhada às tendências de ativos digitais, outros se mostram preocupados com a exposição ao risco e à alta volatilidade do mercado de criptomoedas.
Oscilações nas ações da empresa
Logo após o anúncio, as ações da Méliuz tiveram uma valorização expressiva, subindo mais de 25% no pregão da B3. No entanto, poucos dias depois, os papéis registraram queda de aproximadamente 7%, refletindo o sentimento de cautela de investidores que questionam a sustentabilidade da nova estratégia.
Estratégia de tesouraria baseada em bitcoin
Modelo inspirado em empresas internacionais
O movimento da Méliuz se espelha em outras empresas internacionais que adotaram o bitcoin como reserva de valor, como a norte-americana MicroStrategy. Segundo Gabriel Loures, CEO da Méliuz, a proposta é transformar o bitcoin no principal pilar da tesouraria, funcionando como um ativo de proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias.
Alocação de recursos em criptomoedas
Atualmente, a empresa já possui mais de 320 bitcoins, o que representa um valor próximo de R$ 166 milhões. A intenção é ampliar essa posição com os recursos provenientes da oferta pública, reforçando sua estratégia como uma gestora de ativos digitais.
Impacto no modelo de negócios da empresa
Mudança estrutural no posicionamento
A mudança no modelo de negócios representa uma ruptura completa com a proposta inicial da Méliuz. Antes focada em programas de fidelidade, cashback e serviços financeiros, a companhia agora se reposiciona no mercado como uma gestora de ativos digitais, com foco específico no bitcoin.
Riscos e desafios da nova estratégia
Essa transição levanta questionamentos relevantes sobre como a empresa irá equilibrar suas operações tradicionais, que ainda contam com uma base expressiva de clientes, com a nova estratégia de investimentos em criptomoedas.
Além disso, a volatilidade do bitcoin e a possibilidade de mudanças regulatórias no Brasil e no exterior são fatores que adicionam risco à nova fase da Méliuz.
Como o mercado avalia a mudança
Divisão entre otimismo e cautela
Analistas do mercado estão divididos. Parte deles acredita que a Méliuz está se antecipando a uma tendência de digitalização dos ativos e proteção contra inflação, algo que pode trazer retornos expressivos no médio e longo prazo.
Por outro lado, há especialistas que consideram o movimento excessivamente arriscado, uma vez que o bitcoin é um ativo altamente volátil, que já sofreu quedas superiores a 70% em ciclos anteriores. O temor é que a empresa comprometa sua solidez financeira ao depender diretamente da valorização do bitcoin.
Desafios e perspectivas para o futuro
Regulação e estabilidade financeira
A grande questão que paira sobre a Méliuz é se a estratégia baseada em bitcoin será capaz de gerar valor consistente para os acionistas e sustentar as operações da companhia. A depender do comportamento do mercado de criptomoedas, a empresa poderá colher bons resultados ou enfrentar sérias dificuldades.
Além disso, será necessário acompanhar como a empresa irá lidar com aspectos regulatórios. Atualmente, o mercado de criptomoedas no Brasil está passando por processos de regulamentação, o que pode impactar diretamente as operações da Méliuz.
Relacionamento com investidores e clientes
Outro desafio será manter a confiança dos clientes e investidores. A transição de uma empresa de cashback para uma gestora de bitcoins exige não só uma mudança operacional, mas também uma transformação na comunicação e no posicionamento institucional.
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