A Méliuz (CASH3), empresa brasileira conhecida por seu modelo de cashback e programas de fidelidade, deu um passo estratégico relevante ao concluir sua listagem e começar a ser negociada nos Estados Unidos.
Desde sexta-feira, 15 de agosto de 2025, os investidores americanos podem negociar American Depositary Receipts (ADRs) da companhia sob o ticker MLIZY na OTCQX Markets, segmento de mais alto nível do grupo OTC Markets.
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A negociação internacional foi viabilizada por meio de contrato com o JP Morgan Chase, que atuará como banco depositário dos ADRs. Cada ADR listado corresponderá a duas ações da Méliuz na B3 (CASH3), garantindo equivalência e liquidez entre os mercados brasileiro e americano.
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Estratégia de expansão e presença internacional
A Méliuz enfatizou que a iniciativa não altera a negociação de suas ações no Brasil, mas amplia o acesso a investidores internacionais, potencialmente aumentando a visibilidade e abrindo portas para futuras operações financeiras fora do país.
Em nota à imprensa, a empresa destacou que o objetivo é integrar sua estratégia de Bitcoin Treasury Company, aumentando continuamente o número de Bitcoins por ação (Bitcoin Yield positivo) ao longo do tempo.
Segundo especialistas do BTG Pactual, engajar a base global de investidores de BTC Treasury Companies é fundamental para o sucesso dessa estratégia. Os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Thiago Paura afirmaram que, embora a listagem offshore possa não ser suficiente por si só, representa um passo na direção correta para consolidar a companhia no mercado internacional.
“Essa iniciativa integra a estratégia da companhia de ampliar sua presença junto a investidores internacionais, aumentar a visibilidade de suas ações e viabilizar futuras operações financeiras na região”, comunicou a Méliuz em fato relevante.
Por que a OTCQX Markets?
A escolha da OTCQX Markets para a listagem não foi aleatória. A bolsa americana negocia mais de 12 mil ativos de diferentes países, movimentando aproximadamente US$ 2,2 bilhões por dia.
Além disso, possui diferentes níveis de listagem, sendo que o OTCQX exige governança, compliance e transparência superiores, atributos valorizados por investidores institucionais.
A listagem na OTCQX oferece vantagens significativas:
- Acesso facilitado a investidores internacionais, especialmente aqueles que não possuem estrutura para operar diretamente na B3;
- Liquidez aprimorada, permitindo arbitragem entre os mercados brasileiro e americano;
- Custo operacional menor do que bolsas maiores como NYSE, tornando o processo mais acessível para empresas de porte médio.
Com essa estratégia, a Méliuz amplia suas chances de atrair capital estrangeiro e potencialmente migrar parte do free float das ações brasileiras para o mercado americano, conforme a demanda dos investidores.
Estratégia como Bitcoin Treasury Company

A Méliuz adota uma abordagem inovadora ao posicionar-se como BTC Treasury Company, ou seja, uma empresa que utiliza Bitcoin como ativo estratégico em seu balanço. A tese é baseada em acumular Bitcoins ao longo do tempo, aumentando a quantidade de BTC por ação e gerando potencial de valorização para os investidores.
O modelo segue tendências internacionais observadas em empresas como Strategy e MetaPlanet, que demonstraram que manter uma reserva de criptomoedas pode gerar ganhos consistentes e atrair investidores focados em criptoativos.
Segundo o BTG Pactual, o conceito de BTC Treasury Company ainda está em fase inicial, mas se bem-sucedido, pode ser um diferencial competitivo para a Méliuz, combinando crescimento tradicional do negócio de cashback com valorização em criptoativos.
Perspectivas financeiras e preço-alvo
O BTG Pactual projeta que a Méliuz deve entregar R$ 65 milhões de EBITDA em 2025, embora a conversão de EBITDA em fluxo de caixa seja tratada de forma conservadora. O banco avaliou o negócio de cashback em R$ 350 milhões (5,4x EV/EBITDA), refletindo uma abordagem cautelosa diante de incertezas no mercado.
Com a performance moderada das ações, a expectativa de captação para aquisição de Bitcoin nos próximos cinco anos foi reduzida para R$ 600 milhões. Consequentemente, o preço-alvo da ação foi revisado de R$ 10 para R$ 9, ainda considerado uma opção de compra pelos analistas.
“A curva de probabilidade sobre onde o papel pode ser negociado é tão ampla que o preço-alvo deve ser visto mais como um valor teórico, calculado para incorporar alguns dos principais riscos e oportunidades da tese”, explicam os especialistas do BTG Pactual.
Impacto no mercado e visão dos investidores
A listagem nos EUA representa uma oportunidade para investidores internacionais conhecerem e investirem na Méliuz. Além do efeito direto sobre a liquidez das ações, a iniciativa reforça a imagem da companhia como uma empresa inovadora e alinhada às tendências globais, principalmente na integração entre tecnologia financeira e criptoativos.
Analistas apontam que a estratégia de BTC Treasury Company pode atrair capital institucional, interessado em empresas que acumulam Bitcoin de forma estratégica, criando uma reserva digital que pode valorizar-se ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, investidores de varejo terão acesso facilitado às ações da Méliuz em dólares americanos, sem necessidade de abrir conta em corretoras brasileiras, ampliando o alcance e diversificação do público investidor.
Desafios e oportunidades da listagem internacional
Embora a listagem nos EUA traga benefícios, também existem desafios:
- Regulamentação e compliance: empresas listadas fora do país precisam atender a regras locais, além das brasileiras;
- Volatilidade do Bitcoin: como parte do modelo de tesouraria está atrelada ao BTC, oscilações podem afetar percepção de valor;
- Concorrência internacional: outras BTC Treasury Companies já consolidadas podem atrair investidores institucionais antes da Méliuz;
- Educação do investidor: explicar a tese de Bitcoin Yield positivo e sua relação com ações da empresa ainda é uma barreira.
Por outro lado, a adoção de práticas de governança e compliance de alto nível pelo OTCQX Markets reforça a credibilidade da Méliuz e aumenta a confiança de investidores estrangeiros.
Além disso, a possibilidade de arbitragem entre a B3 e o mercado americano tende a gerar liquidez adicional e ampliar a base de acionistas da companhia.
Méliuz e o futuro das BTC Treasury Companies
O movimento da Méliuz reforça uma tendência crescente no mercado: empresas que integraram o Bitcoin como ativo estratégico em seus balanços têm atraído atenção global. O sucesso depende de três fatores principais:
- Disciplina na aquisição de BTC: garantir aumento gradual do número de Bitcoins por ação;
- Gestão financeira robusta: equilibrar caixa operacional com reservas de criptoativos;
- Transparência e governança: comunicar de forma clara aos investidores os objetivos e riscos da estratégia.
Especialistas do BTG Pactual destacam que, se a companhia executar corretamente sua estratégia, poderá seguir os passos de empresas internacionais que obtiveram valorização significativa e consolidaram uma posição de liderança no setor de BTC Treasury Companies.
Considerações finais

A listagem da Méliuz nos EUA sob o ticker MLIZY marca um momento histórico para a empresa, unindo expansão internacional, estratégia de Bitcoin Treasury Company e maior visibilidade para investidores estrangeiros.
Embora o impacto imediato sobre o preço das ações possa ser limitado, o movimento é um passo estratégico importante, criando oportunidades de liquidez, arbitragem e atração de capital institucional. A combinação entre cashback, inovação tecnológica e reserva de Bitcoin coloca a Méliuz em um patamar diferenciado, alinhado às tendências globais de investimento em criptoativos.
No futuro, o sucesso dependerá da execução disciplinada da estratégia, da comunicação eficaz com investidores e da capacidade de equilibrar o crescimento tradicional com a valorização digital, consolidando a companhia como referência entre empresas brasileiras de BTC Treasury no mercado internacional.

