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Mercado americano de smartphones vê Samsung avançar sobre a Apple

A rivalidade Apple x Samsung molda o mercado de smartphones há mais de uma década. Em 2014, o iPhone 6 levou a Apple à dianteira nos Estados Unidos, posição que

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
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A rivalidade Apple x Samsung molda o mercado de smartphones há mais de uma década. Em 2014, o iPhone 6 levou a Apple à dianteira nos Estados Unidos, posição que se manteve confortável por anos.

Em 2025, contudo, o tabuleiro mudou: a Samsung voltou a ganhar terreno no mercado norte-americano, enquanto a Apple cedeu participação, ainda que siga líder em vendas.

O motor dessa guinada? Os celulares dobráveis, que deixaram de ser promessa de nicho para virar diferencial visível nas prateleiras e nas redes sociais.

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O que mudou no jogo dos EUA

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Imagem: viewimage / Shutterstock.com

Participação de mercado: Apple recua, Samsung avança

Levantamentos recentes indicam que, no 2º trimestre de 2025, a Samsung subiu de 23% para 31% de participação nos EUA na comparação anual, enquanto a Apple caiu de 56% para 49%.

Os dados, compilados pela Canalys, mostram uma das maiores variações em um único trimestre em anos e reforçam o papel de dobráveis e de uma linha intermediária agressiva (como a Galaxy A) no ganho de tração da sul-coreana.

Crescimento modesto do mercado, mudanças profundas no mix

Apesar da dança das cadeiras, o mercado dos EUA cresceu apenas 1% no período, cenário de “morno” que torna a mudança de mix por fabricante ainda mais relevante: a Samsung cresceu com mais velocidade dentro de um mercado quase estável, abrindo espaço principalmente no topo do portfólio — exatamente onde os dobráveis, de margem maior, brilham.

Apple segue no topo — e vendeu mais iPhones

Mesmo com a perda de share, a Apple manteve a liderança e reportou um trimestre sólido: a receita total avançou 10%, e as vendas de iPhone cresceram 13% na comparação anual no trimestre fiscal encerrado em junho, com recordes para um “June quarter”. Ou seja: a empresa vende bem, mas enfrenta concorrência mais acirrada exatamente na vitrine norte-americana.


Dobráveis da Samsung saem do nicho e viram vitrine

Lançamentos e preços: Z Fold 7 e Z Flip 7

Em julho, a Samsung apresentou os Galaxy Z Fold 7 e Z Flip 7. O Fold 7 chegou mais fino e leve, com chip topo de linha, e preço partindo de US$ 1.999; o Flip 7 fica abaixo de US$ 900, reposicionando o produto “flip” como porta de entrada no universo dobrável — sem abandonar o apelo premium. A estratégia mira duas frentes: manter o topo com o Fold e escala de adoção com o Flip.

Durabilidade: o calcanhar de Aquiles que virou argumento de venda

Críticas históricas à durabilidade vêm sendo enfrentadas com engenharia e certificações. A Samsung afirma que o painel OLED dobrável do Fold 7 suporta até 500 mil dobras, com testes supervisionados por Bureau Veritas; na prática, falamos em anos de uso mesmo em perfis intensos.

Paralelamente, testes independentes e transmissões ao vivo de “dobrar até cansar” ajudaram a reforçar a mensagem de robustez.

Por que isso importa
  • Barreiras de adoção caem quando o consumidor acredita que não ficará na mão.
  • Preço alto pede confiança; sem ela, o custo vira obstáculo.
  • Em loja, o efeito “uau” do formato dobrável abre conversa — e, com credibilidade na durabilidade, fecha venda.

Percepção do público: o termômetro das redes

Monitoramentos de redes sociais mostram volume elevado de menções aos modelos premium da Samsung em julho e predominância de sentimento positivo ou neutro.

Esse buzz, somado às transmissões virais de testes de resistência, turbinou a narrativa de que dobráveis já amadureceram. (Relatos de mercado mencionam mais de 50 mil menções e 83% de comentários positivos ou neutros no período.)

Em comunicação, prova social é ouro: vídeos, reviews e comentários públicos geram confiança em ritmo mais rápido do que a publicidade tradicional — e custam menos.


Apple não está parada: força de iPhone, ecossistema e chips “made in USA”

Trimestre forte e ecossistema

O iPhone segue como âncora de receita da Apple. A alta de 13% nas vendas no trimestre fiscal de junho indica ciclo de upgrade saudável, amparado por ecossistema, troca de aparelhos e base instalada gigantesca. A sinergia de serviços também ajuda a suavizar flutuações de hardware.

Uma colaboração improvável: Apple + Samsung em semicondutores

Em agosto, a Apple revelou estar trabalhando com a Samsung em Austin (Texas) para lançar uma tecnologia inédita de fabricação de chips nos EUA; a própria Apple e veículos como Reuters e Financial Times reportaram a parceria, que envolve fornecimento de componentes para iPhone no país.

Para além da rivalidade nos smartphones, a cooperação industrial sinaliza rearranjos na cadeia global e mitigação de riscos (tarifas, geopolítica, logística).


Bastidores do mercado: tarifas, produção e a “nova geografia” do smartphone

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A reconfiguração da cadeia também pesa: com incertezas tarifárias e disputas comerciais, fabricantes redistribuem produção e estoques. Nos EUA, o mercado cresceu 1% no 2º trimestre, mas com mudanças importantes: queda de 11% nos embarques da Apple e alta de 38% na Samsung, segundo a Canalys — números que ajudam a explicar a troca de participação.

Efeito no curto e no longo prazo

  • Curto prazo: ajustes de estoque, promoções e momentum de lançamentos (dobráveis).
  • Médio prazo: deslocamento de produção para Índia, EUA e outros polos; custos e prazo de entrega podem se estabilizar fora da rota tradicional.
  • Longo prazo: cadeias mais redundantes e parcerias cruzadas (caso Apple-Samsung) tornam-se vantagem competitiva.

Ações em 2025: humor do investidor oscila

No ano, Apple tem alternado fortes quedas e recuperações, com desempenho aquém do setor em determinados momentos — reflexo de preocupações sobre IA, tarifas e questões regulatórias.

Samsung se beneficiou do ciclo de semicondutores e do narrativo de dobráveis, com desempenho positivo no acumulado do ano segundo relatórios de mercado. (As leituras variam conforme a data de corte; há relatos de que a Apple acumula queda na casa de um dígito alto e a Samsung, alta de dois dígitos em 2025.)

Para o consumidor, ações sobem e descem; o que importa é produto, preço e experiência. Para as empresas, o humor do mercado financia inovação — ou cobra resultados.


O que explica a guinada pró-dobráveis

Produto: diferenciação visível

  • Formato que entrega tela maior sem abandonar portabilidade.
  • Usos reais (multitarefa, produtividade, câmera em ângulos novos) sustentam o “efeito novidade”.
  • Melhorias concretas em peso, espessura e dobradiça reduzem atrito na decisão de compra.

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Preço e posicionamento

  • Duas portas de entrada: o Flip democratiza a experiência; o Fold mantém a vitrine tecnológica.
  • Promoções agressivas de trade-in empurram upgrade sem choque pleno no bolso do usuário.

Comunicação e prova social

  • Testes extremos (dobras, poeira, risco) dão credibilidade a promessas de marca.
  • Buzz orgânico em redes ajuda a quebrar objeções de durabilidade e usabilidade.

Onde a Apple segue forte — e onde precisa reagir

Forças

  • Ecossistema integrado (iOS, serviços, acessórios) e base fiel.
  • Ciclo de upgrades consistente, como mostram os números do trimestre.

Pontos de atenção

  • Oferta dobrável: sem um iPhone dobrável no curto prazo, a Apple cede visibilidade em um segmento que, embora ainda pequeno, define tendência e opinião.
  • Pressões regulatórias e tarifárias: impacto potencial em custos e precificação.

O que observar nos próximos meses

Galaxy Z Fold7
Imagem: Reprodução / Samsung

1) Adoção real de dobráveis

Se os dobráveis mantiverem crescimento e índices de satisfação elevados, consolidam-se como subcategoria premium nos EUA — o que beneficia a Samsung e pressiona concorrentes.

2) Lançamento de novos iPhones

A janela de iPhone no segundo semestre costuma recalibrar o mercado. Crescimento forte pode recuperar share; abaixo do esperado, perde fôlego.

3) Cadeia de chips “onshore”

A evolução da parceria Apple-Samsung em Austin e de outras iniciativas “made in USA” indicará quanto da cadeia realmente ficará mais perto do consumidor norte-americano — e com que custo.


Conclusão: a nova fase de uma velha rivalidade

A Samsung está capitalizando uma janela de oportunidade com seus dobráveis, reduzindo o gap para a Apple nos EUA — e virando conversa tanto nas redes sociais quanto nos pontos de venda.

A Apple, por sua vez, segue líder e com vendas robustas de iPhone, mas precisará responder ao apelo dos formatos dobráveis (mesmo que indiretamente, com design, recursos de IA e serviços) para proteger seu espaço no segmento premium.

Se durabilidade deixar de ser dúvida e preço continuar a encontrar promoções e planos de troca, os dobráveis tendem a sair do nicho. Em um mercado quase estável, quem mudar o mix — sem perder margens — ganhará.

Por ora, os sinais apontam que a Samsung usou bem essa estratégia; a Apple ainda tem trunfos (ecossistema e marca) e uma cadeia de suprimentos cada vez mais flexível, inclusive com a rival de longa data na fábrica ao lado.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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