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Reviravolta na Selic: por que o mercado agora antecipa nova alta dos juros?

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta firme nesta quinta-feira (5), impulsionadas por um aumento nas apostas de que o Banco Central poderá realizar mais uma elevação da Selic, em 25 pontos-base, na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom).

A movimentação ocorre em um momento de leitura mais conservadora por parte das autoridades do BC, especialmente após falas recentes do presidente da instituição, Gabriel Galípolo. Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters apontam que, embora não tenha havido um fato específico que motivasse a escalada nesta quinta, o sentimento dos investidores mudou substancialmente nos últimos dias.

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Discurso de Galípolo reforça cautela do Copom

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Imagem: Freepik

Durante um evento em São Paulo na última segunda-feira (2), Galípolo declarou que o Copom ainda está debatendo o ciclo de alta da Selic, e não discutindo quando iniciará um ciclo de cortes — contrariando expectativas anteriores de manutenção da taxa em 14,75% ao ano ou início de flexibilização monetária.

Essas declarações foram interpretadas como um sinal claro de que o Banco Central permanece inclinado a um aperto monetário adicional. Isso foi suficiente para mudar a direção das apostas nos mercados de juros futuros.

Evolução das taxas dos DIs

Alta atinge todos os prazos, de 2026 a 2033

No fechamento da tarde, os principais contratos de DI apresentaram alta significativa:

  • Janeiro/2026: taxa foi de 14,82% para 14,90%;
  • Janeiro/2027: de 14,212% para 14,36%;
  • Janeiro/2031: passou de 13,77% para 13,91%;
  • Janeiro/2033: saltou de 13,813% para 13,95%.

A pressão de alta esteve presente desde o início da sessão, apesar de os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (“Treasuries”) terem oscilado em território negativo durante parte da manhã.

Análise da Empiricus aponta inflexão no sentimento

Lais Costa, analista da Empiricus Research, afirmou que a mudança nas taxas decorre da percepção de que o Copom poderá promover uma nova alta da Selic. “O sentimento de quem toma risco mudou. Os economistas de mesa claramente mudaram de posição sobre o Copom”, disse.

Segundo ela, o tom adotado pelo presidente do BC nas últimas falas teve papel crucial nessa virada, indicando que o ambiente de juros ainda permanece sob risco de endurecimento, ao contrário do que muitos agentes precificavam anteriormente.

Opções do Copom na B3 mostram mudança rápida

Probabilidade de alta da Selic se aproxima de 50%

A precificação no mercado de opções da B3 reflete com clareza essa reviravolta. Em 27 de março, havia 83,00% de chance de manutenção da Selic e apenas 14,50% de chance de alta de 25 pontos-base.

Na quarta-feira (4), os dados mais recentes mostravam 53,25% de probabilidade de manutenção contra 44,50% de chance de aumento da taxa básica, quase um empate técnico.

Essa mudança abrupta reforça o cenário de incerteza e de reposicionamento dos agentes financeiros diante do novo tom conservador da autoridade monetária.

Bastidores e reuniões com o BC preocupam o mercado

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Falas em reuniões fechadas geram desconforto

De acordo com fontes do mercado, até mesmo encontros privados com integrantes do Banco Central vêm alimentando o sentimento de cautela. Um operador de um grande banco de investimentos revelou que os agentes não têm apreciado o tom adotado nas conversas internas, o que também estaria contribuindo para a virada das apostas para uma nova alta da Selic.

Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, concorda com essa leitura: “Ganhou força o 25 (pontos-base de aumento da Selic), até pelo tom que o Galípolo vem adotando, de cautela”.

Cenário internacional contribui com volatilidade

Treasury yields também sobem no fim do dia

No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA encerraram o dia em alta, ajudando a manter a pressão sobre os ativos de renda fixa no Brasil. Às 16h49, o Treasury de dois anos — mais sensível às expectativas de juros — subia 5 pontos-base, a 3,928%. Já o título de dez anos avançava 3 pontos-base, para 4,399%.

Essa elevação nos yields, ainda que discreta, sinaliza uma postura mais cautelosa por parte dos investidores globais quanto ao ritmo de corte de juros nos Estados Unidos, o que costuma ter impacto direto nas estratégias aplicadas ao Brasil.

Brasília em compasso de espera

Discussões fiscais seguem no radar, mas sem avanços

No cenário doméstico, os investidores também acompanham os desdobramentos das negociações em Brasília sobre possíveis alternativas à elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Apesar das expectativas, o noticiário da quinta-feira não trouxe novidades significativas.

A ausência de progresso nas discussões fiscais adiciona mais incerteza ao mercado, que já lida com dúvidas sobre o rumo da política monetária em um ambiente de crescimento fraco e inflação resiliente.

O que esperar daqui para frente

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Imagem: Freepik e Canva

Nova alta da Selic pode virar consenso do mercado

Com a virada nas apostas e o tom conservador do Banco Central, muitos agentes começam a considerar a possibilidade de que a Selic atinja 15,00% já neste mês. Isso pode ter implicações relevantes para o mercado de crédito, consumo e investimentos de renda fixa.

Analistas também apontam que um novo aumento pode gerar revisões nas projeções de crescimento econômico para 2025, além de reacender debates sobre os limites da política monetária como instrumento de controle inflacionário.

Impacto para o investidor

Investidores devem monitorar atentamente os próximos pronunciamentos das autoridades do BC e as atualizações nas apostas do mercado de opções da B3. Além disso, o cenário externo e a postura do Federal Reserve nos EUA continuarão exercendo influência sobre os ativos domésticos.

Quem atua em renda fixa pode encontrar oportunidades em ativos indexados ao CDI e em papéis prefixados de curto prazo, desde que ciente dos riscos associados à volatilidade dos juros.

Conclusão

O mercado de juros futuro brasileiro vive um momento de transição, com as apostas voltando-se rapidamente para uma nova alta da Selic. A sinalização mais conservadora do Banco Central, somada à postura mais cautelosa do mercado externo, sustenta o movimento de alta das taxas dos DIs. O investidor atento poderá se posicionar melhor diante desse cenário de incerteza, mas precisará redobrar a atenção às próximas sinalizações do Copom.