A semana nos mercados financeiros globais começou com tom negativo nos índices futuros dos Estados Unidos, refletindo expectativas cautelosas em relação aos próximos movimentos do Federal Reserve (Fed), os balanços corporativos de gigantes da tecnologia e a divulgação do índice PCE — principal indicador de inflação monitorado pelo banco central americano.
O destaque da semana será a divulgação do balanço da Nvidia, programado para quarta-feira (28), além do aguardado relatório do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), que será conhecido na sexta-feira (30). Os investidores também acompanham a possível mudança na política monetária dos EUA, após o presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizar no Simpósio de Jackson Hole que o primeiro corte de juros pode estar próximo.
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Cautela marca início da semana nas bolsas americanas
Na manhã desta segunda-feira (25), os mercados futuros nos Estados Unidos operavam em leve queda:
Dow Jones Futuro: -0,14%
S&P 500 Futuro: -0,16%
Nasdaq Futuro: -0,22%
O tom negativo reflete a espera por informações decisivas sobre a economia americana, especialmente após a fala de Jerome Powell na sexta-feira (23), em que o presidente do Fed indicou que a inflação caminha para níveis mais controlados e que o momento de iniciar cortes na taxa básica de juros pode estar próximo.
Expectativas sobre o Fed crescem com dados do PCE
Inflação preferida do Fed pode determinar corte de juros já em setembro
O grande termômetro da semana será o PCE (Personal Consumption Expenditures), que é considerado o índice favorito do Fed para medir a inflação nos EUA. O resultado do PCE poderá consolidar as apostas de corte de juros já na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para setembro.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta que 84% dos traders apostam em um corte de juros na próxima decisão do Fed, caso os dados confirmem o arrefecimento da inflação.
Balanços: Nvidia, Dell e Marvell no radar
Nvidia lidera expectativa do mercado de tecnologia com números de IA
Outro ponto alto da semana será o balanço da Nvidia, marcada para quarta-feira (28). A empresa, considerada a queridinha do mercado de inteligência artificial (IA), pode trazer indícios sobre o fôlego da corrida tecnológica global.
Já na quinta-feira (29), os destaques são os resultados da Dell Technologies e da Marvell Technology, que também atuam no setor de chips e soluções de IA.
Desempenho dos mercados internacionais
Ásia sobe com fala de Powell; Europa tem queda com baixa liquidez
Ásia-Pacífico
Os mercados asiáticos fecharam em alta significativa, com investidores reagindo positivamente à possibilidade de corte de juros nos EUA:
Shanghai SE (China): +1,51%
Nikkei (Japão): +0,41%
Hang Seng (Hong Kong): +1,82%
Nifty 50 (Índia): +0,54%
ASX 200 (Austrália): +0,06%
A fala de Powell em Jackson Hole foi vista como dovish (expansionista) por analistas, o que trouxe otimismo à região, especialmente para empresas exportadoras da Ásia.
Europa
Na Europa, o clima foi diferente. Os mercados abriram em leve queda, impactados pela redução do otimismo em relação ao Fed e pela baixa liquidez por conta do feriado no Reino Unido:
STOXX 600: -0,20%
DAX (Alemanha): -0,40%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,13%
CAC 40 (França): -0,49%
FTSE MIB (Itália): +0,17%
Commodities em alta com tensões geopolíticas
Petróleo e minério sobem com conflito na Ucrânia e paralisação de obras na Guiné
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
As commodities operam em alta nesta segunda-feira, puxadas por dois fatores principais:
Tensões entre Ucrânia e Rússia, que podem afetar o fornecimento global de petróleo;
Suspensão de obras da Rio Tinto em uma mina de minério de ferro na Guiné, o que impacta o mercado chinês.
Cotações atuais:
Petróleo WTI: +0,30%, cotado a US$ 67,93 o barril
Petróleo Brent: +0,42%, a US$ 63,92 o barril
Minério de ferro (Dalian): +2,27%, a 787 iuanes (US$ 109,80)
O cenário de possível flexibilização monetária nos EUA também eleva as expectativas de crescimento global, o que estimula a demanda por energia e matérias-primas.
Criptomoedas: Bitcoin recua após semana de volatilidade
O Bitcoin (BTC) opera em queda de 1,35%, cotado a US$ 111.605,08, em relação à cotação das últimas 24 horas. O ativo digital sofre com:
Volatilidade externa;
Falta de catalisadores positivos;
Aversão a risco em meio à expectativa por dados econômicos dos EUA.
Especialistas afirmam que o BTC pode continuar oscilando até que haja uma definição mais clara sobre o corte de juros e direcionamento da política monetária global.
Indicadores econômicos dos EUA na semana
Além do PCE e dos balanços corporativos, outros indicadores ganham destaque na agenda da semana nos Estados Unidos:
Índice de Confiança do Consumidor (terça-feira);
Pedidos de Bens Duráveis (quarta-feira);
Revisões do PIB do 2º trimestre (quinta-feira).
Esses dados podem reforçar ou suavizar o cenário atual de expectativa por cortes, impactando o comportamento dos principais índices de Wall Street.
O que esperar do mercado nesta semana?
Imagem: Divulgação/ Nvidia
Analistas veem momento de transição, com viés de otimismo cauteloso
Com a possibilidade de corte de juros nos EUA, os investidores globais demonstram um sentimento de otimismo contido, que depende fortemente dos dados que serão divulgados ao longo da semana.
“Se o PCE mostrar queda convincente e a Nvidia surpreender positivamente, podemos ter uma retomada de força nos mercados”, afirma Rodrigo Sá, estrategista-chefe da Medra Investimentos.
Entretanto, alertas permanecem em relação:
À tensão entre Rússia e Ucrânia, com risco de impacto nas commodities;
À volatilidade no setor de tecnologia, que tem liderado as altas, mas também as correções;
À resiliência da inflação americana, que precisa continuar em trajetória de queda.
Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.