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Mercados globais respiram após Trump adiar implementação de tarifas

Trump adia tarifas de importação e traz alívio temporário aos mercados globais, que vinham operando sob tensão.

O cenário de tensão que dominava os mercados internacionais nos últimos dias deu sinais de alívio nesta quinta-feira (31), após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva adiando a implementação do pacote tarifário contra dezenas de países.

Apesar de ter afirmado repetidamente que o dia 1º de agosto seria o prazo final, Trump empurrou para 7 de agosto o início da vigência das novas tarifas, o que foi interpretado pelos mercados como uma trégua temporária.

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Brasil e o impacto direto do tarifaço

Tarifaço Trump
Imagem: Criada por IA / ChatGPT

O Brasil, que havia sido citado por Trump com uma tarifa de 50% sobre produtos importados, aparece na nova lista com uma alíquota recíproca de 10%. O restante da elevação tarifária será implementado posteriormente, conforme o decreto.

Essa nova ordem executiva é uma atualização das medidas anunciadas no “Dia da Libertação”, em 2 de abril, que reconfiguraram a política comercial americana. Desde então, o governo Trump promoveu avanços e recuos em negociações com diversos parceiros comerciais, incluindo China, México, Canadá, Japão e União Europeia.

Durante os últimos 90 dias, o governo norte-americano se comprometeu a dialogar com as nações afetadas, numa tentativa de justificar os reajustes e buscar acordos comerciais mais favoráveis aos interesses americanos.

Reação imediata nos mercados asiáticos

Apesar do alívio gerado pelo adiamento, os mercados asiáticos não escaparam da volatilidade. Às 23h no horário de Brasília, o Nikkei 225, do Japão, operava em baixa de 0,43%. O Kospi, da Coreia do Sul, abriu com queda de 1,08%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuava 0,12%. Na China continental, o SSE Composite Index caiu 0,08%, e o mercado de Taiwan registrou queda superior a 1% logo na abertura.

A instabilidade é reflexo direto da incerteza em torno das decisões comerciais dos Estados Unidos e dos possíveis desdobramentos em cadeia para a economia global.

Queda nas bolsas europeias

Na Europa, os efeitos também foram sentidos de maneira intensa. O índice Stoxx 600, que reúne ações das principais empresas do continente, caiu quase 1% por volta das 04h20 (horário de Brasília), encerrando a terceira sessão consecutiva em queda. Com isso, o índice acumulava baixa de 4,4% desde o pico da segunda-feira (28).

As perdas se acentuaram após o anúncio de Trump de que 17 grandes farmacêuticas receberam cartas exigindo reduções nos preços de medicamentos nos EUA. Entre as afetadas, Novo Nordisk despencou 4,2%, atingindo seu menor valor em quase três anos. A Sanofi também recuou 1%.

O índice DAX, da Alemanha, caiu 1,1%, enquanto o OMXC, da Dinamarca, desvalorizou-se em 2,8%, registrando seu menor nível em dois anos.

Destaques positivos

Apesar do clima negativo, algumas ações individuais conseguiram se destacar. A italiana Campari subiu 8,6% após anunciar crescimento no lucro operacional do segundo trimestre. Já a holding IAG, controladora da British Airways, teve alta de 2,1% após divulgar lucros acima do esperado, impulsionados pela forte demanda por voos transatlânticos.

Guerra comercial prolongada

O novo adiamento das tarifas não encerra o conflito comercial iniciado por Trump em seu primeiro mandato. Pelo contrário, os mercados estão cientes de que as ameaças permanecem ativas e que novos capítulos podem surgir a qualquer momento.

Além disso, o decreto que adia as tarifas alerta que as medidas entrarão em vigor automaticamente caso os EUA não obtenham progresso nas negociações até a nova data estipulada, o que mantém os investidores em estado de cautela.

Efeitos no Brasil

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Imagem: Freepik

Para o Brasil, o impacto pode ser significativo em setores estratégicos da economia, como o agronegócio e a indústria metalúrgica. A tarifa base de 10% já anunciada representa um desafio adicional para as exportações brasileiras, que perderão competitividade diante de concorrentes que operam com custos menores.

Além disso, o país permanece na lista de nações que podem enfrentar elevações tarifárias adicionais, caso não avance nos diálogos com o governo norte-americano.

O Ministério da Fazenda brasileiro, por meio do ministro Fernando Haddad, já indicou que iniciará uma nova rodada de negociações com o Tesouro dos EUA nos próximos dias, com o objetivo de reverter ou suavizar os impactos das medidas tarifárias.

Com informações de: CNN Brasil