Chocolate suíço mais barato? Veja o que muda com novo acordo do Mercosul

O chocolate suíço, um dos produtos mais cobiçados do mundo, está prestes a ficar mais acessível para os consumidores brasileiros.

Isso se deve à recente conclusão das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que promete eliminar tarifas sobre produtos importados como o famoso doce suíço.

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O que é a EFTA e por que o acordo é relevante?

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Imagem: Anete Lusina / pexels.com

Entendendo o bloco europeu EFTA

A EFTA (European Free Trade Association) é composta por quatro países: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Diferentemente da União Europeia, a EFTA é um bloco voltado exclusivamente para o livre comércio, e seus membros mantêm autonomia em políticas econômicas e aduaneiras.

Mercosul como parceiro estratégico

Do outro lado, o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — busca ampliar suas parcerias comerciais fora do eixo tradicional.

O novo tratado cria um canal privilegiado entre os dois blocos, aproximando um mercado de aproximadamente 290 milhões de consumidores, com um PIB combinado de mais de US$ 4,3 trilhões.

O que muda com o acordo Mercosul-EFTA?

Eliminação de tarifas sobre o chocolate suíço

Um dos pontos mais notáveis para o consumidor é a eliminação do imposto de importação sobre o chocolate suíço.

Atualmente, o produto paga cerca de 20% para entrar nos países do Mercosul. Com o novo acordo, uma parcela significativa do chocolate importado passará a ser isenta desse custo, tornando-o mais competitivo nas prateleiras brasileiras.

Impacto direto no preço final

Ainda que a redução tarifária não elimine outros custos logísticos, a expectativa é que o preço ao consumidor caia progressivamente. Importadores, supermercados e lojas especializadas poderão oferecer produtos de marcas suíças renomadas com preços mais acessíveis.

Exemplo prático

Um chocolate suíço que hoje custa R$ 25,00 pode ter uma redução de até R$ 5,00 após a isenção total da tarifa, considerando apenas o impacto direto do imposto. Essa diferença, em larga escala, pode incentivar o consumo e aquecer o mercado de produtos premium no Brasil.

Outros setores impactados pelo tratado

Exportações brasileiras ganham força

O acordo não beneficia apenas os consumidores. O setor agropecuário brasileiro terá maior acesso ao mercado suíço.

A carne bovina, por exemplo, poderá ser exportada para a Suíça com isenção de tarifas dentro de uma cota anual de 3 mil toneladas. Trata-se de um aumento significativo, que reforça a presença do Brasil como fornecedor de alimentos de qualidade.

Avanços em outros produtos agrícolas

Além da carne bovina, o acordo prevê concessões para aves, milho, café e frutas tropicais — itens nos quais o Brasil possui alta competitividade global. O setor pesqueiro e industrial também se beneficiará com eliminação total de tarifas logo na entrada em vigor do tratado.

Modernização dos marcos regulatórios

Outro ganho importante é o alinhamento com padrões internacionais de comércio, o que inclui temas como compras governamentais, investimentos, resolução de disputas e propriedade intelectual. Isso traz segurança jurídica para empresários de ambos os lados e atrai novos investimentos.

Quando o chocolate mais barato vai chegar ao consumidor?

Processo jurídico e assinatura formal

Embora o anúncio do acordo tenha sido feito em julho de 2025, ele ainda precisa passar por etapas formais. Isso inclui a revisão jurídica dos textos e a ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos. A expectativa é que a assinatura oficial ocorra até o final deste ano, com entrada em vigor entre 2026 e 2027.

Fases de implementação

Mesmo após a entrada em vigor, alguns itens terão desonerações graduais. No entanto, o chocolate suíço está entre os produtos que terão isenção imediata de tarifa, o que acelera o benefício direto ao consumidor final.

Benefícios e desafios do acordo

Vantagens para consumidores e empresas

  • Redução de preços de produtos importados, como o chocolate suíço;
  • Acesso a novos mercados para exportadores brasileiros;
  • Estímulo ao comércio de bens industriais e pesqueiros;
  • Fortalecimento de relações comerciais internacionais.

Desafios para setores locais

Com a maior abertura comercial, indústrias locais que produzem chocolates e derivados podem enfrentar mais concorrência. Isso exigirá investimentos em inovação, qualidade e competitividade para manter o espaço no mercado interno.

O que dizem especialistas e o setor privado?

Expectativas positivas no comércio internacional

Economistas avaliam que o acordo é um passo estratégico para o Mercosul, que há anos busca novos parceiros comerciais. “É um movimento importante para diversificar mercados e reduzir a dependência de exportações concentradas”, afirma Júlio Matos, professor de Comércio Exterior da FGV.

Reação da indústria de alimentos

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (ABICAB) vê o acordo com cautela. Embora reconheça os benefícios para o consumidor, há preocupações com a entrada de produtos premium que possam reduzir a competitividade das marcas nacionais.

Como o consumidor pode se preparar?

Dicas para aproveitar os novos preços

  • Compare preços entre produtos nacionais e suíços;
  • Observe a origem e data de validade dos produtos importados;
  • Acompanhe as novidades no setor de importados e supermercados;
  • Fique atento às promoções, que podem surgir com maior frequência.

Valorização do consumo consciente

Mesmo com o aumento da variedade de produtos importados, especialistas sugerem que os consumidores valorizem também os produtos locais, que podem se reinventar diante da nova concorrência.

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