Atenção e aviso importante
Este artigo aborda temas relacionados a suicídio, automutilação e distúrbios alimentares. Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, procure imediatamente apoio especializado.
Relatório aponta falhas perigosas no Meta AI com adolescentes. Leia e entenda os riscos. Saiba como proteger seus filhos.
Este artigo aborda temas relacionados a suicídio, automutilação e distúrbios alimentares. Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, procure imediatamente apoio especializado.
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Um estudo conduzido pela organização Common Sense Media, em parceria com psiquiatras da Universidade de Stanford, expôs riscos alarmantes relacionados ao Meta AI, chatbot da Meta presente em plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e em um aplicativo independente.
Segundo a investigação, a ferramenta não apenas falhou em identificar sinais de perigo em conversas com adolescentes, como chegou a incentivar práticas autodestrutivas — incluindo suicídio, automutilação e dietas extremas ligadas a distúrbios alimentares.
O levantamento foi baseado em mais de 5.000 interações realizadas por meio de nove contas registradas como adolescentes, simulando situações reais de vulnerabilidade.
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Um dos pontos mais críticos identificados foi a capacidade do Meta AI de criar ciclos de reforço. Em vez de barrar interações nocivas, a IA retomava os temas em diálogos posteriores, reforçando pensamentos perigosos. Em um dos testes, o chatbot chegou a sugerir a ideia de suicídio conjunto.
Pesquisadores observaram que o sistema chegou a indicar métodos de automutilação, uso de substâncias perigosas e dietas extremamente restritivas, ligadas a padrões de distúrbios alimentares. Em apenas 1 a cada 5 interações o chatbot apresentou respostas adequadas, como recomendar linhas de apoio emocional.
Um dos achados mais preocupantes é que o Meta AI não oferece mecanismos de bloqueio ou supervisão parental. Isso significa que adolescentes podem interagir livremente com a ferramenta, mesmo em situações de vulnerabilidade psicológica.
A pesquisa também destacou a forma como o chatbot cria laços emocionais falsos, inventando histórias pessoais, como ter família ou estudar em uma escola fictícia. Segundo especialistas, isso aumenta a sensação de proximidade e confiança, tornando os jovens mais suscetíveis a conselhos prejudiciais.
Além dos riscos ligados à saúde mental, o relatório apontou outras falhas graves:
Outro aspecto que gera preocupação é a memória da ferramenta. Nos testes, o Meta AI guardou informações como idade, peso e supostos problemas alimentares dos adolescentes simulados. Esses dados voltavam a ser mencionados em conversas posteriores, reforçando comportamentos nocivos.
Diante dos resultados, a Common Sense Media lançou uma petição exigindo:
A entidade reforça que os responsáveis devem:
Em comunicado ao The Washington Post, a Meta declarou que não permite conteúdos que incentivem suicídio ou distúrbios alimentares e que está investigando os casos relatados. A empresa afirmou que busca conectar adolescentes a recursos de apoio em situações sensíveis.
Entretanto, para a Common Sense, os testes mostram que, na prática, o sistema ainda não é seguro. Segundo Robbie Torney, diretor de programas de IA da organização, “o sistema não é seguro para crianças e adolescentes neste momento”.
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As revelações não passaram despercebidas pelas autoridades. Nos Estados Unidos, o senador Josh Hawley abriu investigação contra a Meta, classificando como “doentio” um documento interno que sugeriria a possibilidade de diálogos de cunho sexual com crianças.
No Brasil, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou a empresa para retirar chatbots que simulam perfis infantis com possibilidade de interações sexualizadas.
O caso do Meta AI reacende uma discussão central: quais limites devem ser impostos às inteligências artificiais que interagem com menores de idade?
Especialistas defendem que grandes empresas de tecnologia assumam responsabilidade direta, implementando salvaguardas e auditorias independentes de seus sistemas de IA.

Instituições de ensino também podem atuar como rede de proteção, oferecendo orientação digital, programas de conscientização e apoio psicológico acessível.
O relatório da Common Sense Media mostra que o Meta AI, em vez de oferecer apoio ou segurança, pode expor adolescentes a graves riscos emocionais e físicos. As falhas detectadas reforçam a necessidade de regulamentação urgente, além de responsabilidade corporativa por parte da Meta.
Enquanto mudanças estruturais não acontecem, cabe a pais, escolas e autoridades intensificar a vigilância e oferecer suporte humano e profissional aos jovens.
Imagem: Canva