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Meta rejeita Bitcoin como reserva de valor após votação histórica com quase 5 bilhões de votos contra

Acionistas da Meta, controladora do Facebook, rejeitam por ampla maioria a proposta de adotar Bitcoin como reserva de valor. A decisão revela resistência.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Meta

A Meta Platforms, gigante da tecnologia responsável por redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, encerrou de forma categórica qualquer possibilidade imediata de incorporar o Bitcoin (BTC) como parte de sua reserva de ativos.

Em uma votação de acionistas marcada por ampla maioria, a proposta de alocar parte do caixa da empresa em Bitcoin foi rejeitada com quase 5 bilhões de votos contrários — e apenas 0,08% de votos favoráveis.

A decisão, oficializada em documento regulatório divulgado no dia 28 de maio, frustrou os defensores da tese de adoção institucional do Bitcoin, ao mesmo tempo que reacendeu o debate sobre o papel das criptomoedas nos balanços corporativos das grandes empresas de tecnologia.

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

A proposta de adoção do Bitcoin partiu do ativista e defensor da criptomoeda Ethan Peck. Ele sugeriu que a Meta alocasse parte significativa dos seus cerca de US$ 72 bilhões em caixa e equivalentes na principal criptomoeda do mercado, com o argumento de proteger os ativos da empresa contra a inflação e buscar maior retorno a longo prazo.

Segundo Peck, manter grandes volumes de dinheiro em instrumentos tradicionais de renda fixa representa uma estratégia que não supera a inflação real, corroendo o poder de compra da empresa e, consequentemente, prejudicando seus acionistas.

“Cerca de 28% dos ativos da Meta estão sendo desvalorizados continuamente”, argumentou Peck no texto submetido à assembleia.

Votação esmagadora: resistência ao Bitcoin

Apesar do apelo fundamentado em uma lógica econômica cada vez mais debatida no mercado financeiro, a proposta foi amplamente derrotada. Dos votos computados, apenas 0,08% apoiaram a ideia, enquanto aproximadamente 5 bilhões de votos foram contra a adoção do Bitcoin como reserva de valor pela Meta.

Grande parte desse resultado pode ser atribuída à influência direta de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que controla 61% do poder de voto da empresa por meio de ações com direito a múltiplos votos. Com o voto contrário do fundador, o desfecho era praticamente inevitável.

Por que a Meta rejeitou o Bitcoin?

Especialistas apontam que o principal motivo da rejeição não está no potencial de valorização do Bitcoin, mas sim em sua alta volatilidade. Para empresas tradicionais, acostumadas com planejamento estratégico de longo prazo, a imprevisibilidade dos preços do BTC ainda representa um risco que poucos estão dispostos a assumir.

“Para muitos investidores institucionais, ainda é mais racional investir em inovação, pesquisa ou aquisições do que alocar capital em um ativo extremamente volátil”, afirmou Mike Ermolaev, analista de mercado cripto.

Precedentes: fracassos em Microsoft e Amazon

Essa não foi a primeira tentativa de Ethan Peck de introduzir o Bitcoin no caixa de grandes empresas. Em dezembro, a Microsoft também rejeitou uma proposta semelhante. Já no caso da Amazon, uma votação sobre a alocação de até 5% dos ativos da empresa em BTC ainda está pendente.

As sucessivas rejeições em empresas de tecnologia sugerem que, apesar do crescente reconhecimento institucional do Bitcoin, a adoção efetiva entre big techs ainda enfrenta fortes barreiras culturais e estratégicas.

Bitcoin nas empresas: onde já é realidade?

Apesar da resistência da Meta, o movimento de adoção corporativa do Bitcoin vem ganhando tração globalmente. De acordo com o site BitcoinTreasuries.net, 116 empresas públicas já alocaram parte de seus ativos em Bitcoin — um número que vem crescendo à medida que os fundamentos da criptomoeda se fortalecem.

Entre os novos entrantes, destacam-se:

  • GameStop – empresa varejista que se reinventou com forte apoio da comunidade cripto.
  • H100 – companhia sueca de tecnologia médica.
  • Méliuzfintech brasileira que tem adotado uma postura pró-Bitcoin como parte de sua estratégia de inovação financeira.

MicroStrategy ainda lidera

A liderança nesse movimento continua com a MicroStrategy, agora rebatizada de Strategy, que detém impressionantes 580.250 Bitcoins, avaliados atualmente em mais de US$ 60 bilhões. A empresa, comandada por Michael Saylor, adotou o BTC como seu principal ativo de reserva, tornando-se referência no ecossistema cripto corporativo.

Outras empresas com posições expressivas em Bitcoin incluem:

  • Tesla, que chegou a ter mais de US$ 1,5 bilhão alocados.
  • Marathon Digital, especializada em mineração de criptomoedas.
  • Block Inc. (ex-Square), comandada por Jack Dorsey.

Debate estratégico: Bitcoin no caixa corporativo

Os defensores da alocação de Bitcoin em tesouraria corporativa listam diversos benefícios:

  • Proteção contra inflação: especialmente relevante em cenários de políticas monetárias expansionistas.
  • Diversificação de ativos: reduz exposição exclusiva a moedas fiduciárias.
  • Sinalização de inovação e vanguarda: fortalece a imagem da empresa perante investidores jovens e tecnologicamente engajados.

Riscos percebidos pelas empresas

Por outro lado, há preocupações legítimas que explicam a cautela:

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  • Volatilidade extrema, especialmente em horizontes de curto prazo.
  • Regulação ainda incerta, com possibilidade de impacto negativo caso legislações restritivas avancem.
  • Falta de consenso interno, sobretudo em conselhos conservadores.

Meta e o passado conturbado com cripto

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que a Meta se envolve com o universo cripto. Em 2019, a empresa tentou lançar a Libra, posteriormente rebatizada como Diem, uma stablecoin que prometia revolucionar os pagamentos globais.

O projeto, no entanto, enfrentou forte resistência de reguladores nos EUA e no exterior e acabou sendo abandonado em 2022.

A má recepção da Libra/Diem provavelmente influencia até hoje a estratégia da Meta com relação às criptomoedas. Desde então, a empresa adotou uma postura mais conservadora, investindo em realidade virtual e metaverso, mas sem se comprometer diretamente com ativos digitais descentralizados como o Bitcoin.

A postura das big techs em relação ao Bitcoin

Amazon: próxima peça do tabuleiro

A decisão da Amazon sobre a proposta de alocação de 5% do caixa em Bitcoin, ainda pendente, pode se tornar um novo divisor de águas. Embora a empresa também adote uma postura tradicionalmente cautelosa, o simples fato de permitir a votação já é um sinal de abertura ao debate.

Caso aprove, a medida poderia causar um efeito dominó, incentivando outras gigantes a considerarem o BTC com mais seriedade.

Apple, Google e outras: silêncio estratégico

Empresas como Apple, Alphabet (Google) e Netflix ainda não sinalizaram qualquer interesse em Bitcoin como reserva de valor. Essas companhias continuam focadas em suas estratégias convencionais de gestão de tesouraria, com forte exposição a ativos de alta liquidez e baixo risco.

Conclusão: Meta diz não ao Bitcoin, mas o debate está longe de acabar

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Imagem: Mundissima/ Shutterstock.com

A rejeição quase unânime da proposta de adoção de Bitcoin pela Meta marca um episódio importante no atual estágio de maturidade do debate cripto-corporativo. A derrota da proposta de Ethan Peck reflete, ao mesmo tempo, a resistência cultural das big techs e a força centralizada do poder de voto em figuras como Mark Zuckerberg.

Por outro lado, o crescente número de empresas públicas com BTC em seus balanços mostra que a tese de adoção institucional segue viva — e com sinais de aceleração.

Enquanto Meta, Microsoft e Amazon ainda resistem, empresas como MicroStrategy, Tesla e GameStop mostram que o Bitcoin já conquistou espaço real no mundo corporativo. Resta saber se, em um futuro próximo, as gigantes da tecnologia reconsiderarão essa estratégia diante de mudanças no cenário macroeconômico global.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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