A japonesa Metaplanet, frequentemente comparada à norte-americana MicroStrategy, anunciou nesta segunda-feira (16) a aquisição de mais 1.112 Bitcoins (BTC), atingindo a impressionante marca de 10 mil BTC sob sua custódia.
Metaplanet alcança 10 mil Bitcoins e ultrapassa Coinbase: estratégia agressiva desafia o mercado
Metaplanet atinge 10 mil Bitcoins em apenas seis meses e supera a Coinbase como investidor público. Estratégia ambiciosa mira 1% do suprimento total de BTC até 2027.
O feito, além de representar a realização antecipada de sua meta para 2025, posiciona a empresa como o nono maior detentor público de Bitcoin no mundo, ultrapassando a Coinbase.
Segundo comunicado publicado no X (antigo Twitter) por Simon Gerovich, CEO da companhia:
“A Metaplanet adquiriu 1.112 BTC por aproximadamente US$ 117,2 milhões a US$ 105.435 por bitcoin e alcançou um rendimento de BTC de 266,1% no acumulado do ano de 2025. Hoje, possuímos 10 mil BTC adquiridos por aproximadamente US$ 947 milhões a US$ 94.697 por bitcoin.”
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A ultrapassagem da Coinbase e o simbolismo da nova ordem cripto
Com essa nova aquisição, a Metaplanet deixa para trás a Coinbase, que detém 9.267 BTC em tesouraria. Trata-se de um marco simbólico importante, já que a Coinbase é uma das maiores corretoras de criptoativos do mundo e figura tradicional entre os maiores acumuladores institucionais.
Ao atingir a marca de 10 mil BTC, a Metaplanet demonstra não apenas poder de fogo financeiro, mas também um compromisso estratégico profundo com o Bitcoin como ativo de reserva corporativa.
Metaplanet: da inovação japonesa ao protagonismo cripto

A Metaplanet Inc. é uma holding japonesa de investimentos listada publicamente na Bolsa de Valores de Tóquio. Com forte atuação em tecnologia e inovação, a empresa ganhou notoriedade nos últimos anos ao adotar uma abordagem agressiva de compra de Bitcoin, à semelhança do que fez a MicroStrategy sob a liderança de Michael Saylor.
Essa movimentação acontece em um contexto de inflação global persistente, desvalorização monetária e busca por ativos escassos e resistentes à censura, como o BTC. A estratégia da Metaplanet ecoa o sentimento crescente entre executivos e CFOs de que o Bitcoin pode funcionar como proteção de longo prazo e ativo estratégico para a estrutura de capital das empresas.
A trajetória de acumulação: metas aceleradas para 2025, 2026 e 2027
Originalmente, a Metaplanet planejava acumular 10 mil BTC até o final de 2025. No entanto, a meta foi alcançada em junho, faltando ainda seis meses para o fechamento do ano. Esse avanço sugere que a companhia está pronta para acelerar ainda mais seu plano de aquisição.
Próximas metas: 30 mil BTC em 2025 e 100 mil BTC em 2026
Em atualizações recentes, a Metaplanet revisou para cima seus objetivos de médio prazo:
- 2025: 30 mil BTC (triplicando o atual estoque)
- 2026: 100 mil BTC
- 2027: 210 mil BTC — equivalente a 1% do suprimento máximo de 21 milhões de bitcoins que jamais existirão.
Trata-se de uma ambição incomum mesmo entre gigantes do setor. Apenas a MicroStrategy tem metas comparáveis, com aproximadamente 214 mil BTC atualmente.
Estratégia de financiamento: emissão de ações e títulos
Para financiar esse plano ousado de acumulação, a Metaplanet não está poupando esforços. A companhia anunciou a emissão de 555 milhões de ações em warrants de strike móvel, que devem arrecadar cerca de US$ 5,4 bilhões (equivalente a ¥770 bilhões).
Essa operação representa, segundo a empresa, a maior captação de capital via ações públicas da Ásia com o objetivo exclusivo de compra de Bitcoin. Além disso, a Metaplanet aprovou a emissão de US$ 210 milhões em títulos ordinários com juros de 0% — medida que já foi parcialmente utilizada para a compra de BTC no dia 16 de junho.
Um novo modelo corporativo?
A estruturação agressiva de capital da Metaplanet acende o debate sobre um novo modelo corporativo orientado à valorização do BTC. Trata-se de uma abordagem que desafia práticas tradicionais de gestão financeira, geralmente focadas em diversificação, liquidez e proteção contra volatilidade.
As críticas e os riscos de uma estratégia centrada em Bitcoin
Apesar da ascensão meteórica da Metaplanet no ecossistema cripto, nem todos enxergam sua estratégia com otimismo. Analistas da Sygnum Bank levantaram preocupações quanto ao risco de alavancagem excessiva, o que poderia tornar a empresa vulnerável a ciclos de baixa no preço do BTC.
Além disso, há críticas quanto à possível centralização de grandes volumes de Bitcoin nas mãos de poucas entidades públicas. Caso poucas corporações passem a deter percentuais significativos do suprimento global, isso pode impactar a liquidez, volatilidade e dinâmica de precificação do ativo.
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Solidez ou imprudência?
Enquanto parte do mercado considera a postura da Metaplanet como visionária, outros a veem como excessivamente especulativa. A dúvida central gira em torno de sustentabilidade: seria esse modelo viável a longo prazo em um mercado cripto altamente volátil?
A ascensão da acumulação corporativa de Bitcoin
MicroStrategy, Tesla e agora Metaplanet
A tendência de empresas adotarem Bitcoin como ativo de reserva começou a ganhar força em 2020, com a MicroStrategy e, posteriormente, a Tesla. No Japão, a Metaplanet assume agora o protagonismo desse movimento, desafiando paradigmas em um dos mercados mais regulados e conservadores do mundo.
O que antes era visto como uma “aposta arriscada” passa a ser, cada vez mais, parte da estratégia corporativa de grandes players institucionais. Com ETFs de Bitcoin sendo aprovados em diversas jurisdições e maior aceitação regulatória, o espaço para crescimento desse comportamento é considerável.
Um novo ciclo de institucionalização?
A adoção crescente por parte de empresas listadas sugere um novo ciclo de institucionalização do Bitcoin, que vai além de bancos e fundos. Agora, são as corporações operacionais, não apenas instituições financeiras, que buscam exposição direta ao ativo digital mais escasso do planeta.
Conclusão: uma aposta histórica que pode moldar o futuro

A movimentação da Metaplanet representa mais do que uma aquisição contábil: é uma afirmação estratégica e ideológica sobre o futuro do dinheiro, da reserva de valor e da política monetária global.
Ao atingir 10 mil BTC e ultrapassar a Coinbase, a empresa envia uma mensagem clara ao mercado: o Bitcoin não é mais apenas um ativo especulativo — é uma peça central na gestão patrimonial de corporações visionárias.
Se a empresa conseguirá atingir 1% do suprimento total de BTC até 2027 ainda é uma incógnita. O que já é certo, no entanto, é que a Metaplanet entrou para o grupo seleto de instituições que estão moldando os rumos da economia digital.
