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Ameaça quântica ao Bitcoin é exagero para vender tokens, afirma Michael Saylor

Michael Saylor afirma que a ameaça quântica ao Bitcoin é exagerada e usada como marketing para vender tokens. Saiba por que o Bitcoin não está em risco imediato.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Bitcoin

Nos últimos anos, a computação quântica surgiu como uma das tecnologias mais revolucionárias do século XXI, prometendo avanços significativos em áreas como medicina, inteligência artificial e criptografia. No entanto, ao lado das promessas, surgem também os temores.

Um dos principais alvos desses receios é o Bitcoin (BTC), que muitos apontam como vulnerável à eventual ascensão dos computadores quânticos. Mas, para Michael Saylor, cofundador e presidente executivo da MicroStrategy e um dos mais proeminentes defensores do Bitcoin, essa preocupação é nada mais do que uma jogada de marketing.

Durante uma entrevista no programa “Squawk Box” da CNBC, em 6 de junho de 2025, Saylor classificou a ameaça quântica como uma narrativa exagerada utilizada por empresas e desenvolvedores para promover e vender novos “tokens ioiô” com a marca “quântica”.

Sua declaração reacendeu o debate sobre os reais riscos da computação quântica para a rede Bitcoin e o que a comunidade pode (ou não) fazer a respeito.

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Computação quântica e o medo da quebra criptográfica

A computação quântica representa um salto em relação à computação clássica ao usar qubits, que permitem cálculos paralelos e processamento massivamente mais rápido para tarefas específicas.

Um dos maiores receios é que esses computadores possam um dia quebrar sistemas criptográficos amplamente utilizados, como o algoritmo ECC (Elliptic Curve Cryptography), que é parte essencial da segurança do Bitcoin.

De acordo com estimativas de especialistas, seriam necessários aproximadamente 2.000 qubits lógicos — ou seja, com correção de erros — para quebrar uma chave privada associada a um endereço Bitcoin baseado em criptografia ECC de 256 bits.

Atualmente, os processadores quânticos mais avançados, como o Heron, da IBM, e o Willow, do Google, operam com 156 e 105 qubits físicos, respectivamente, o que ainda os coloca muito longe de representar qualquer ameaça prática ao Bitcoin.

Michael Saylor responde: marketing disfarçado de apocalipse tecnológico

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Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

Na visão de Saylor, toda essa discussão sobre o risco quântico não passa de uma “manobra” para promover narrativas que justifiquem o lançamento de novos ativos digitais supostamente protegidos contra ameaças futuras. “É principalmente marketing de pessoas que querem te vender o próximo token ioiô quântico”, declarou.

Para ele, usar o medo como gatilho emocional para promover soluções ainda inexistentes é uma tática comum no setor de criptomoedas — especialmente entre projetos que buscam se destacar com diferenciais técnicos vagos ou irrelevantes no presente.

Computação quântica é mais ameaça para empresas e governos, diz Saylor

Saylor também argumenta que, mesmo que surja um computador quântico capaz de quebrar criptografias modernas, ele dificilmente será divulgado publicamente.

“Se o Google ou a Microsoft desenvolvessem um computador com essa capacidade, eles não iriam anunciar isso. Revelar algo assim destruiria o próprio Google, a Microsoft, o governo dos EUA e o sistema bancário”, disse.

Atualizações resolveriam a ameaça, se ela surgisse

Em sua declaração, Saylor também tranquilizou os investidores e a comunidade ao explicar que, caso a computação quântica realmente se torne uma ameaça tangível, o protocolo do Bitcoin poderá ser atualizado. “A resposta é: atualização de hardware da rede Bitcoin, atualização de software da rede Bitcoin, assim como Microsoft, Google, o governo dos EUA fazem upgrades”, explicou.

Em outras palavras, da mesma forma que empresas e instituições governamentais atualizam seus sistemas regularmente para lidar com novas ameaças de segurança, o Bitcoin também seria capaz de evoluir.

O que dizem os desenvolvedores do Bitcoin

Embora Saylor não represente diretamente os desenvolvedores do Bitcoin Core, sua visão está alinhada com a de vários especialistas. Muitos desenvolvedores já consideram estratégias para tornar o Bitcoin “à prova de quântica”, como substituir o algoritmo de assinatura digital ECC por alternativas resistentes à computação quântica, como as baseadas em hash (ex: Lamport) ou em lattice (ex: NTRU).

A comunidade do Bitcoin também já demonstrou, ao longo de sua história, que é capaz de realizar mudanças profundas no protocolo, como ocorreu nas atualizações SegWit e Taproot, o que reforça a tese de que o ecossistema é tecnicamente capaz de lidar com transformações dessa natureza.

Project Eleven testa a ameaça quântica com desafio global

Enquanto os riscos parecem distantes, o grupo de pesquisa Project Eleven resolveu testar o quão real é a ameaça. Em abril de 2025, a entidade lançou o Q-Day Prize, uma competição global cujo objetivo é incentivar pesquisadores a tentarem quebrar partes de uma chave pública do Bitcoin utilizando computadores quânticos ao longo de 12 meses.

Segundo os organizadores, o propósito da iniciativa é medir a urgência da ameaça quântica ao Bitcoin e incentivar o desenvolvimento de soluções resistentes a essa nova era da computação.

Chaves públicas expostas e potencial de ataque

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O Project Eleven também aponta que existem aproximadamente 10 milhões de endereços de Bitcoin com chaves públicas expostas, dos quais mais de 6 milhões de BTC poderiam ser vulneráveis caso um computador quântico suficientemente poderoso surgisse.

No entanto, vale destacar que a maioria das práticas recomendadas entre os usuários do Bitcoin — como gerar um novo endereço para cada transação — visa justamente minimizar esse risco.

A verdadeira ameaça continua sendo o fator humano

Saylor também chamou atenção para um ponto essencial: os usuários, e não os computadores quânticos, continuam sendo a maior vulnerabilidade da rede. “É 10.000 vezes mais provável que alguém perca seu Bitcoin para um ataque de phishing do que para a computação quântica”, alertou.

Phishing, senhas fracas, armazenamento inadequado de chaves privadas e práticas de segurança negligentes são as causas mais comuns de perda de fundos. Portanto, mesmo que um supercomputador quântico surgisse, ele ainda estaria atrás de ameaças mais simples e acessíveis aos cibercriminosos.

Bitcoin e o futuro da criptografia: um jogo de adaptação

Bitcoin
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

O que diferencia o Bitcoin de muitas outras redes blockchain é a robustez de sua comunidade de desenvolvedores e a flexibilidade para evoluir sem comprometer seus fundamentos.

Caso o surgimento de computadores quânticos viáveis se torne uma realidade, especialistas já sugerem a adoção de algoritmos quânticos seguros (quantum-resistant) como parte do processo de soft fork ou mesmo um eventual hard fork, se necessário.

Relação com governos e instituições também será determinante

Além disso, é esperado que qualquer avanço na computação quântica seja acompanhado por regulamentações severas. Governos, bancos centrais e corporações de tecnologia terão interesse direto em controlar e limitar o uso dessas tecnologias para evitar colapsos sistêmicos — o que, indiretamente, protegerá o Bitcoin e outras criptomoedas.

Conclusão: pânico quântico ou exagero proposital?

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

Embora o avanço da computação quântica seja inegável e promissor, os dados atuais indicam que ainda estamos muito longe de um cenário em que o Bitcoin estaria sob ameaça real. Os computadores quânticos mais avançados sequer se aproximam da capacidade mínima necessária para quebrar as chaves criptográficas do Bitcoin.

Michael Saylor, com sua característica postura crítica e provocativa, reforça que a maioria das preocupações atuais é impulsionada por interesses comerciais e especulativos, especialmente por parte daqueles que promovem tokens “à prova de quântica” sem justificativas técnicas concretas.

A narrativa da ameaça quântica, portanto, parece mais uma ferramenta de marketing do que uma crise real. E, como em muitos outros momentos da história do Bitcoin, a rede provavelmente se adaptará quando — e se — a ameaça se tornar concreta.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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