A multinacional francesa Michelin anunciou, na última quinta-feira (26), o encerramento gradual da produção em sua unidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, até dezembro deste ano. A medida, que deve impactar cerca de 350 trabalhadores, ocorre no contexto de uma série de reestruturações promovidas pela empresa em nível global e foi motivada, principalmente, pela crescente pressão das importações de pneus da Ásia.
Multinacional francesa encerra atividades em fábrica na Grande São Paulo e causa demissões
A multinacional Michelin vai fechar sua fábrica em Guarulhos até dezembro por causa da concorrência asiática. Veja o impacto nos trabalhadores.
A fábrica paulista, que integra o Complexo GRU e opera desde a aquisição da fabricante brasileira Levorin em 2020, produz pneus para motos, aplicações industriais e câmaras de ar. Apesar da longa tradição e da importância estratégica da unidade, a Michelin considerou a operação insustentável diante da competição com produtos importados — frequentemente oferecidos no mercado brasileiro a preços abaixo dos custos locais de produçãoLeia Mais:
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Pressão asiática e supercapacidade: os fatores por trás da decisão

Importações a preços baixos afetam competitividade
Em nota oficial, a Michelin América do Sul informou que a “supercapacidade gerada por importações asiáticas baratas” foi o principal fator para o encerramento da produção em Guarulhos. A empresa alega que a concorrência desleal tem prejudicado severamente a viabilidade de manter determinadas fábricas ativas, especialmente as que trabalham com produtos com margens menores.
O CEO da Michelin na América do Sul, Hervé Le Gavrian, destacou que a decisão “de forma alguma reflete o desempenho dos funcionários”, elogiando o “engajamento incontestável” da equipe local. Segundo ele, a empresa analisou vários cenários possíveis antes de optar pelo fechamento, mas entendeu que manter a unidade em operação era financeiramente inviável.
Suporte aos trabalhadores afetados
Com cerca de 350 colaboradores diretamente impactados, a Michelin garantiu que oferecerá apoio social, financeiro e orientação profissional durante o processo de transição. O plano será executado em acordo com o sindicato da categoria, o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, que até o momento ainda não emitiu posicionamento oficial sobre a medida.
A empresa afirma que irá além das exigências legais para auxiliar os trabalhadores, num gesto que visa preservar sua imagem institucional e minimizar os efeitos sociais do encerramento da fábrica.
Outras unidades da Multinacional Michelin no Brasil não serão afetadas
Mais de 8 mil funcionários seguem em operação
Apesar do fechamento da planta em Guarulhos, a Michelin afirmou que manterá inalteradas as operações nas demais unidades do Brasil. A empresa opera no país com unidades industriais em estados como Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 8 mil empregados seguem nas atividades dessas plantas, que, segundo a empresa, não sofrerão alterações operacionais neste momento.
Essa garantia é uma tentativa de conter rumores sobre um eventual processo de retração mais ampla da empresa no mercado brasileiro, o que poderia gerar instabilidade em outras localidades e entre os trabalhadores do setor.
Reestruturação global: um movimento já em curso

Fábricas fechadas no México, França e Alemanha
O fechamento da unidade brasileira faz parte de uma tendência mundial da Michelin, que vem promovendo ajustes em sua rede produtiva. No México, a empresa também anunciou o encerramento das atividades na planta de Querétaro até o final de 2025. O motivo, segundo a companhia, é a obsolescência tecnológica da fábrica frente à crescente demanda por pneus maiores.
Na Europa, unidades na França e na Alemanha também foram encerradas nos últimos meses, em grande parte por motivos semelhantes aos alegados no Brasil: concorrência asiática, custos de produção elevados e mudanças na demanda do mercado automobilístico.
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Estratégia de longo prazo
As decisões fazem parte de uma política de readequação estratégica da empresa diante de transformações globais no setor de mobilidade, logística e transporte. A busca por produtividade e competitividade tem levado a Michelin a investir em novas tecnologias, automação e especialização da produção.
Impacto no setor e reações esperadas
Indústria nacional pressionada
O fechamento da fábrica em Guarulhos reacende o debate sobre a competitividade da indústria nacional diante de produtos importados, especialmente os provenientes de países asiáticos, que operam com estruturas de custo muito mais enxutas. O setor de pneus, que já enfrentava dificuldades com oscilações cambiais e carga tributária elevada, agora lida com um cenário ainda mais desafiador.
Entidades do setor industrial e associações de trabalhadores devem pressionar o governo federal por medidas de proteção comercial, como aplicação de tarifas antidumping e incentivo à produção nacional. A decisão da Michelin pode representar um alerta para outras empresas do setor que enfrentam dificuldades semelhantes.
Resposta sindical e política
Ainda que o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos não tenha se manifestado até o momento, a expectativa é de que haja mobilização sindical nos próximos dias, com a exigência de ampliação dos benefícios aos trabalhadores demitidos, além de possíveis pressões para manutenção de alguma atividade fabril na região.
A classe política local também deve ser chamada a participar do debate, diante do impacto econômico e social que o encerramento da planta pode gerar na economia de Guarulhos e municípios vizinhos.

