Na manhã da quarta-feira, 03, os contratos futuros de milho, trigo e soja iniciaram o pregão da Bolsa de Chicago (CBOT) em queda. A movimentação reflete uma combinação de fatores sazonais, climáticos e comerciais que têm influenciado diretamente o comportamento dos investidores no mercado agrícola global.
Queda nos contratos de grãos em Chicago; saiba mais
Os contratos futuros de milho, trigo e soja registram queda na Bolsa de Chicago, pressionados por clima, safra e exportações.
A queda ocorre em um momento de maior atenção ao avanço da colheita no Hemisfério Norte, ao impacto das condições climáticas sobre as lavouras americanas e ao ritmo das exportações.
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Milho recua diante da colheita e realização de lucros
Preços em queda
Os contratos de milho com vencimento em dezembro de 2025 registraram recuo de 0,83%, cotados a US$ 4,1950 por bushel.
Fatores de pressão
De acordo com análise da consultoria Granar, a pressão negativa tem origem principalmente em dois elementos:
- Realização de lucros: após altas recentes, investidores optaram por ajustar suas posições.
- Avanço da colheita no sul dos EUA: a entrada de nova safra no mercado aumenta a oferta e reduz a pressão sobre os preços.
Condições das lavouras
Apesar da queda, os preços encontram suporte parcial nas condições das lavouras. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou ontem que 69% das plantações de milho estão em situação considerada boa ou excelente, contra 71% na semana anterior. Essa deterioração gera preocupações sobre o rendimento final da safra.
Exportações ainda sustentam
Outro fator que evita uma queda mais acentuada é o bom desempenho das exportações norte-americanas de milho, que continuam garantindo demanda externa consistente, mesmo em meio ao aumento da oferta doméstica.
Trigo segue pressionado por colheita global
Cotação em baixa
No mercado de trigo, os contratos com entrega em dezembro de 2025 recuam 0,24%, negociados a US$ 5,2700 por bushel.
Colheitas no Hemisfério Norte
Segundo informações da TF Agroeconômica, as cotações continuam pressionadas pelo encerramento da colheita de inverno e pelo avanço da colheita de primavera no Hemisfério Norte. O resultado é uma ampliação da oferta global e uma natural acomodação dos preços.
Produção maior na Rússia e Austrália
Dois grandes exportadores ampliaram suas estimativas de safra e exportações:
- Rússia: maior produtor e exportador global de trigo segue surpreendendo com bons volumes.
- Austrália: condições climáticas favoráveis sustentaram estimativas de produção mais elevadas.
Esse cenário aumenta a competição no mercado internacional e pressiona os preços americanos.
Exportações dos EUA em ritmo irregular
As inspeções semanais de exportação de trigo dos EUA caíram 21%. Apesar disso, o acumulado do ano comercial 2025/26 está 14,5% acima do mesmo período em 2024. Esse dado revela que, embora o momento seja de retração, o desempenho anual ainda é positivo.
Soja: clima favorável pesa mais que demanda chinesa

Cotações em queda
A soja também abriu em baixa, com contratos para novembro de 2025 recuando 0,34%, cotados a US$ 10,3750 por bushel.
Influência do clima
O principal fator de pressão são as chuvas registradas do Centro ao Leste do cinturão agrícola dos EUA, que podem favorecer o desenvolvimento final das lavouras.
Ausência da China no mercado
Outro elemento que pesa sobre os preços é a persistente ausência de compras por parte da China, maior importador global da oleaginosa. A falta de demanda chinesa gera incerteza e contribui para o movimento de baixa.
Suporte do USDA
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Ainda assim, o relatório divulgado pelo USDA na véspera mostrou piora nas condições das lavouras, o que pode limitar as perdas. O mercado acompanha com atenção o rendimento projetado para as próximas semanas, quando a safra será colhida.
Análise geral: safra abundante e incertezas comerciais
Padrão sazonal
É comum que, nesta época do ano, o mercado agrícola opere sob pressão devido à entrada da nova safra americana no mercado. O aumento da oferta pressiona os preços, ao mesmo tempo em que fatores climáticos e logísticos definem os próximos passos das cotações.
Demanda internacional
Embora os EUA mantenham bom ritmo de exportações de milho e desempenho anual positivo no trigo, a soja sofre com a ausência da China, um parceiro comercial estratégico. Essa falta de compras amplia a volatilidade no setor.
Expectativas futuras
Analistas projetam que:
- A volatilidade climática seguirá sendo determinante para milho e soja.
- O trigo continuará sujeito à concorrência global, especialmente de Rússia e Austrália.
- A demanda chinesa por soja poderá ser o ponto de inflexão caso se normalize nas próximas semanas.
Impactos para o Brasil

Competição com exportadores americanos
Como grande exportador de milho e soja, o Brasil acompanha de perto a movimentação em Chicago. Preços mais baixos nos EUA podem:
- Aumentar a concorrência nas exportações, reduzindo a competitividade brasileira.
- Impactar cotações internas, principalmente nos portos, alinhadas às referências internacionais.
Expectativa para safra nacional
No Brasil, o mercado também olha para a safra de verão de 2025/26, que será semeada nos próximos meses. Fatores como El Niño ou La Niña e a disponibilidade de insumos terão papel crucial no desempenho da produção.
Imagem: Freepik
