O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi creditado como o responsável por iniciar as discussões sobre a criação de uma moeda comum do BRICS. A proposta visa estabelecer um sistema de pagamento alternativo ao dólar norte-americano e tem sido tratada como uma das prioridades da presidência brasileira do bloco em 2025.
A declaração partiu do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante entrevista à emissora internacional TV BRICS. Segundo ele, Lula apresentou a ideia durante a cúpula de Joanesburgo, em agosto de 2023, sendo o ponto de partida para a elaboração de mecanismos financeiros que independem da hegemonia da moeda norte-americana.
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Alternativa ao dólar é vista como passo estratégico pelo bloco
Imagem: William Potter/shutterstock.com
A proposta em discussão no BRICS
A criação de uma moeda comum ou de plataformas financeiras integradas entre os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não significa, a princípio, o abandono de moedas nacionais. O plano discutido envolve a criação de mecanismos de compensação bancária, seguros e estruturas de financiamento que permitam maior independência frente ao sistema financeiro dominado pelo dólar.
A medida, caso se concretize, poderia beneficiar o comércio entre os países do bloco, tornando as transações mais rápidas, seguras e baratas, além de reduzir a vulnerabilidade cambial frente às oscilações do dólar.
Reações dos Estados Unidos: oposição e ameaças
Donald Trump reage com ameaças de retaliação
O ex-presidente e atual chefe do Executivo norte-americano, Donald Trump, reagiu duramente à proposta de uma moeda comum do BRICS. Em novembro de 2024, ele publicou uma mensagem em sua rede social, a Truth Social, afirmando que qualquer país que apoiasse a criação de uma nova moeda enfrentaria tarifas de até 100%.
Escalada nas declarações em 2025
Ao longo dos primeiros meses de 2025, Trump reiterou sua ameaça em diversos momentos. Em reuniões de gabinete e pronunciamentos públicos, reforçou que o dólar “é rei” e que tomaria todas as medidas necessárias para preservar seu status no comércio internacional.
Na semana de 8 de julho, o presidente norte-americano voltou a acusar o BRICS de tentar “destruir o dólar” e anunciou tarifas de 10% sobre produtos oriundos dos países do bloco. Segundo ele, qualquer tentativa de substituir o dólar será “duramente penalizada”.
Brasil responde e defende soberania do bloco
Lula rejeita imposições externas
Após reunião com Narendra Modi, Lula afirmou que os países do BRICS são soberanos e não aceitam interferência externa. A declaração reflete a postura do Brasil em 2025, que busca autonomia econômica sem confronto com os EUA.
O papel do Brasil na presidência do BRICS
Como presidente rotativo do BRICS em 2025, o Brasil tem priorizado o avanço das discussões sobre mecanismos financeiros independentes.
O Itamaraty tem reforçado que o projeto não busca substituir imediatamente o dólar, mas criar alternativas que aumentem a resiliência econômica do bloco. Especialistas apontam que uma eventual moeda comum exigirá anos de ajustes técnicos e institucionais, mas sua simples discussão já representa uma mudança significativa na ordem internacional.
Perspectivas para o futuro da moeda do BRICS
Imagem: Oleg Elkov / shutterstock.com
Desafios para a implementação
A criação de uma moeda comum entre os países do BRICS enfrenta obstáculos técnicos e políticos. Diferenças econômicas e políticas entre os membros, como as distintas políticas monetárias e níveis de desenvolvimento, tornam a convergência complexa.
Além disso, o risco de retaliações por parte dos Estados Unidos pode frear o avanço de medidas mais ousadas. No entanto, a disposição do bloco em debater alternativas ao dólar sinaliza um movimento mais amplo em direção a um sistema financeiro internacional menos dependente de uma única potência.
Impacto global
Caso o projeto avance, poderá ter impactos geopolíticos significativos. Países que hoje enfrentam dificuldades para operar no sistema bancário internacional devido a sanções ou restrições cambiais poderão encontrar no sistema do BRICS uma nova via de inserção econômica global.
FAQ — Perguntas frequentes
Lula foi o criador da proposta? Segundo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, Lula iniciou o debate durante a cúpula de Joanesburgo em 2023.
Qual é a posição dos Estados Unidos? O presidente Donald Trump se opõe à proposta e ameaça aplicar tarifas de até 100% sobre os países que adotarem uma nova moeda.
O Brasil continuará com o projeto apesar das ameaças? Sim. O presidente Lula afirmou que o Brasil é soberano e que não aceitará interferências externas nas decisões do bloco.
Uma nova moeda substituiria o dólar? Não de imediato. A proposta busca criar alternativas, e não necessariamente substituir o dólar no curto prazo.
Considerações finais
À medida que o debate avança, a forma como o Brasil equilibra os interesses do BRICS com as pressões externas, especialmente dos Estados Unidos, será crucial para determinar o sucesso ou o fracasso dessa nova etapa da integração multilateral.
Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.