O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (17). A fala do parlamentar veio após Moraes vetar a suspensão da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações conhecidas como “risco sacado”, prática comum no varejo para obter capital de giro.
Deputado diz que decisão de Moraes sobre IOF ‘derrubou o Congresso inteiro’
Gustavo Gayer critica decisão de Alexandre de Moraes que manteve aumento do IOF, dizendo que STF desrespeitou o Congresso Nacional.
Segundo Gayer, a decisão não teria afetado apenas uma medida pontual aprovada pelo Congresso, mas sim representado uma afronta direta a todo o Poder Legislativo. “Não foi uma decisão do Congresso que foi derrubada por Moraes. Foi o Congresso inteiro”, escreveu o parlamentar em sua conta na rede social X (antigo Twitter).
Entenda o que é o “risco sacado”
Modalidade é usada por empresas do varejo para conseguir capital de giro
O “risco sacado” é uma modalidade de financiamento utilizada principalmente por empresas do setor varejista. Nela, o fornecedor antecipa o valor de uma venda realizada a prazo, contando com a garantia de pagamento por parte do comprador — geralmente uma grande rede varejista. Esse tipo de operação é fundamental para manter o fluxo de caixa de empresas de pequeno e médio porte.
O decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a tributação dessas operações pelo IOF, o que, na visão de críticos como Gayer, aumenta os custos para o setor produtivo e compromete o crédito empresarial.
O posicionamento de Alexandre de Moraes
Ministro manteve cobrança do IOF em decisão monocrática
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada em caráter liminar e negou pedido que questionava a legalidade da cobrança de IOF sobre o risco sacado. Moraes entendeu que o decreto presidencial está dentro dos limites legais e que a cobrança do imposto está prevista nas normas do Sistema Tributário Nacional.
A manutenção do decreto por parte do ministro frustrou o Congresso, que havia sinalizado interesse em barrar a medida. Parlamentares de oposição e até mesmo de centro consideram que houve uma interferência indevida do Judiciário nas prerrogativas do Legislativo.
Reações no Congresso Nacional
Parlamentares criticam avanço do STF sobre atribuições legislativas
A fala de Gustavo Gayer não foi isolada. Outros deputados e senadores demonstraram desconforto com a decisão de Moraes. O argumento central é o de que o Supremo tem reiteradamente interferido em matérias de competência do Legislativo, o que fere o princípio da separação entre os poderes.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que “o Supremo está legislando por meio de decisões monocráticas”, enquanto a deputada Bia Kicis (PL-DF) falou em “judicialização da política fiscal”. Ambos defendem que o Congresso retome o protagonismo nas decisões que impactam diretamente a economia do país.
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Decreto presidencial tem base legal, mas abre espaço para debates
O Imposto sobre Operações Financeiras é regulado por leis federais e decretos presidenciais. A Constituição permite que o Executivo altere alíquotas de tributos regulatórios como o IOF, desde que respeite os limites legais. No entanto, juristas apontam que o decreto deve respeitar o princípio da anterioridade tributária, ou seja, mudanças em impostos devem ser informadas com antecedência razoável para que entes privados possam se adaptar.
No caso do risco sacado, o argumento usado pela equipe econômica do governo é que a operação se assemelha a uma operação de crédito, portanto sujeita à cobrança do IOF. Críticos dizem que o governo está ampliando o alcance do imposto de forma oportunista para aumentar a arrecadação.
Impactos econômicos e políticos da medida
Setor empresarial teme aumento no custo do crédito
A decisão de manter a cobrança do IOF sobre o risco sacado tem repercussões diretas sobre a economia real. Empresários do varejo afirmam que a tributação pode encarecer o crédito e comprometer a competitividade de pequenas e médias empresas, justamente as mais dependentes de operações como o risco sacado.
Além disso, o episódio reforça a tensão entre os Três Poderes da República. A fala de Gayer, ao afirmar que Moraes “derrubou o Congresso inteiro”, é um símbolo da crescente insatisfação de parte do Parlamento com o papel do Supremo Tribunal Federal na formulação de políticas públicas e fiscais.
Gayer e o embate institucional

Deputado já protagonizou outras críticas ao STF
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Gustavo Gayer é conhecido por suas posições combativas e críticas frequentes ao STF e a membros do governo federal. Ao apontar que Alexandre de Moraes agiu contra a vontade do Congresso Nacional, Gayer reforça uma narrativa comum entre parlamentares de direita: a de que o Supremo estaria ultrapassando seus limites constitucionais.
A fala do deputado também dialoga com sua base eleitoral, que vê com desconfiança as decisões judiciais que envolvem temas econômicos e políticos de grande repercussão.
O papel do STF e o equilíbrio entre os Poderes
Discussão sobre limites do Judiciário ganha força
A polêmica envolvendo o IOF reacende um debate constante na política brasileira: os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal. Em teoria, cabe ao STF interpretar a Constituição e garantir que as normas legais sejam cumpridas. No entanto, críticos argumentam que o tribunal tem ultrapassado esse papel ao interferir diretamente em políticas públicas.
A Constituição de 1988 prevê a independência e harmonia entre os Poderes. Decisões como a de Moraes, ainda que fundamentadas legalmente, geram ruído político e colocam em xeque a estabilidade institucional.
O que esperar daqui para frente

Congresso deve tentar reverter medida por via legislativa
Após a manutenção do decreto por Moraes, parlamentares avaliam formas de barrar a cobrança do IOF sobre o risco sacado. Uma das possibilidades é a edição de um projeto de decreto legislativo (PDL) para suspender os efeitos do decreto presidencial.
Outra alternativa discutida é levar o tema ao plenário do STF, pressionando para que a decisão monocrática de Moraes seja revista por todos os ministros. Isso permitiria um debate mais amplo sobre os impactos econômicos e institucionais da medida.
Conclusão
O embate entre o deputado Gustavo Gayer e o ministro Alexandre de Moraes evidencia a tensão entre o Legislativo e o Judiciário no Brasil. A manutenção da cobrança de IOF sobre o risco sacado, embora tecnicamente defensável, provocou reações fortes no Congresso e reacendeu o debate sobre os limites do poder de decisão do STF. Resta saber se o Parlamento encontrará caminhos institucionais para reverter a medida ou se a decisão de Moraes permanecerá como um marco de sua atuação na política fiscal do país.
