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Moro reage após ser citado em investigação da ‘farra do INSS’, entenda!

Moro nega ligação com fraudes no INSS após ter nome citado em inquérito enviado ao STF. Entenda.

O escândalo envolvendo descontos indevidos nos contracheques de aposentados do INSS ganhou novos capítulos com a citação do nome do senador Sergio Moro (União-PR) em um pedido da Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF). A menção causou reação imediata do ex-juiz da Lava Jato, que negou qualquer envolvimento com o esquema e classificou a iniciativa como uma tentativa de desviar o foco das verdadeiras responsabilidades.

A investigação, que já levou à queda de figuras importantes da gestão previdenciária, como o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro Carlos Lupi, passou a mirar possíveis conexões políticas com entidades beneficiadas pelas fraudes. O pedido ao ministro Dias Toffoli para reunir inquéritos no STF reacendeu a tensão entre os Poderes e expôs divergências dentro da própria Polícia Federal.

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Citação causa reação imediata de Sergio Moro

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao tomar conhecimento da citação de seu nome na petição apresentada ao Supremo, Moro reagiu com firmeza. Em nota ao site Metrópoles, o senador declarou que, enquanto esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro, não teve qualquer relação com contribuições associativas ou descontos em benefícios do INSS.

Para o ex-ministro, as investigações apontam diretamente para estruturas do Ministério da Previdência e do próprio INSS. Ele considerou absurda a tentativa de envolvê-lo no caso, afirmando que a citação de seu nome parece uma estratégia “tosca” para desviar a atenção das ações do atual governo Lula diante do avanço das fraudes.

O papel de Dias Toffoli e a origem do pedido

O ministro do STF Dias Toffoli acolheu a solicitação feita pela Polícia Federal para que diversos inquéritos relacionados à chamada “farra do INSS” fossem reunidos sob sua relatoria. A medida tem como base uma representação do delegado federal Rafael Dantas, que conduz outro inquérito envolvendo o advogado Rodrigo Tacla Duran, figura conhecida por suas acusações no contexto da Lava Jato.

Dantas, embora não faça parte da equipe responsável pela “Operação Sem Desconto” — que apura os desvios bilionários no INSS —, mencionou em seu pedido possíveis conexões políticas relacionadas aos descontos indevidos. Segundo ele, Tacla Duran teria citado um amigo de Sergio Moro como envolvido em tratativas sobre contribuições sindicais ainda em 2018, quando Moro era cogitado para assumir o Ministério da Justiça.

Onyx e Pinato também são citados na investigação

Além de Moro, outros dois nomes ligados ao antigo governo Bolsonaro foram citados no pedido encaminhado ao STF: o ex-ministro da Cidadania e da Previdência Onyx Lorenzoni e o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP).

A investigação menciona uma doação eleitoral no valor de R$ 60 mil feita por Felipe Macedo Gomes — presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das entidades envolvidas no esquema — à campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. Embora a doação esteja registrada na Justiça Eleitoral, ela foi destacada pela Polícia Federal como um ponto relevante no inquérito.

Onyx afirma desconhecer Macedo e assegura que todas as doações foram legais. “Tenho relação zero com essa pessoa”, declarou.

No caso de Fausto Pinato, não há uma acusação direta. Segundo o deputado, o nome de Felipe Macedo aparece apenas por ter alugado anteriormente a sala onde hoje funciona seu escritório político. Ele sustenta que as ligações com o grupo investigado cessaram antes de sua equipe ocupar o local.

Amar Brasil e a engenharia das fraudes

A Amar Brasil Clube de Benefícios, presidida por Macedo, está no centro das denúncias. A entidade é acusada de realizar descontos mensais diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS sem autorização formal dos segurados.

Desde que firmou convênio com o INSS em 2022, a Amar Brasil arrecadou mais de R$ 320 milhões. Reportagens do Metrópoles revelaram que milhares de segurados foram filiados de forma irregular às associações, levando a uma explosão de processos judiciais contra essas entidades.

O esquema culminou na deflagração da “Operação Sem Desconto”, que expôs as fragilidades nos controles do INSS e pressionou o governo Lula a reagir com demissões e medidas de contenção.

Repercussão e disputa narrativa

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Imagem: Angela Macario / shutterstock.com

A tentativa de envolver figuras do governo anterior no escândalo gerou um embate político imediato. Aliados de Moro classificam a citação como um movimento político, enquanto setores do governo atual defendem a apuração ampla, inclusive com foco em relações construídas no passado.

Para analistas, a menção a Moro, Onyx e Pinato, mesmo sem indícios robustos de participação direta, visa mapear redes de influência que possam ter facilitado ou legitimado os convênios usados nas fraudes. A conexão entre política e entidades de benefícios tornou-se, assim, um dos eixos centrais da investigação.

Avanço da investigação

Desde dezembro de 2023, o portal Metrópoles publicou uma série de reportagens revelando as práticas abusivas de entidades ligadas ao INSS. A repercussão provocou a abertura de inquéritos pela PF e levou a Controladoria-Geral da União (CGU) a intensificar a fiscalização.

Segundo a PF, a arrecadação dessas entidades chegou a R$ 2 bilhões em apenas um ano. A “farra dos descontos” prejudicou milhares de aposentados, que tiveram seus benefícios reduzidos sem consentimento, em uma trama que envolvia contratos opacos, dados vazados e ausência de fiscalização efetiva.

Com informações de: Metrópoles