As ações da Movida (MOVI3) foram um dos maiores destaques da Bolsa brasileira nesta quinta-feira (15), encerrando o pregão com alta de 11,18%, cotadas a R$ 10,59. A forte valorização foi impulsionada pela divulgação da prévia operacional do quarto trimestre de 2025 (4T25), apresentada na noite de quarta-feira (14), que trouxe números acima das expectativas e reforçou a percepção de que a companhia está entrando em 2026 com fundamentos sólidos e capacidade de expansão.
MOVI3 em alta: Movida bate expectativas com dados do 4º tri
Ações da Movida sobem após prévia do 4T25 com lucro acima do guidance e análise positiva de bancos e casas de investimento.
Entre os destaques, o lucro líquido trimestral atingiu R$ 102 milhões, superando em 24% o guidance da própria administração. Os dados também mostraram avanço robusto nas receitas e margens, tanto no segmento de aluguel quanto na venda de seminovos, o que configurou um dos trimestres mais consistentes da empresa desde o início da desaceleração econômica e das pressões sobre o setor de locação automotiva.
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Resultados do 4T25: expansão de receitas e superação do guidance
A prévia da Movida mostrou que a receita líquida somou R$ 3,66 bilhões no quarto trimestre. Desse total, o segmento de aluguel contribuiu com R$ 2,10 bilhões, uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto seminovos foram responsáveis por R$ 1,56 bilhão. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do trimestre cresceu 20%, alcançando R$ 1,49 bilhão, ao passo que o EBIT avançou 24% para R$ 851 milhões.
A margem do segmento de seminovos permaneceu estável em 1,0%. Trata-se de um dado relevante, já que o setor enfrentou pressões após cortes do IPI sobre veículos, o que poderia pressionar preços e margem de revenda. A estabilidade indica que a Movida conseguiu manter disciplina comercial e evitar deterioração de rentabilidade em um mercado competitivo.
Desempenho no consolidado de 2025 reforça tração operacional
No consolidado de 2025, a Movida reportou:
H2 Receitas e resultados financeiros do ano
- Receita líquida de R$ 14,67 bilhões (+9% em base anual)
- Ebitda de R$ 5,69 bilhões (+21% em base anual)
- Lucro líquido de R$ 318 milhões (+38% em base anual)
- Alavancagem encerrando o período em 2,6 vezes, no piso do guidance
O dado de alavancagem foi observado positivamente por analistas, já que mostra continuidade no processo de desalavancagem da companhia, importante para geração de valor futuro e redução de riscos financeiros.
Como o mercado reagiu aos números
A reação da Bolsa foi imediata: a forte alta de mais de 11% refletiu surpresa positiva do mercado e avaliação de que os números vieram acima do esperado em métricas essenciais para o setor. Casas de análise também divulgaram relatórios com tom favorável.
XP Investimentos: surpresa positiva e fundamentos sólidos
Para a XP, a prévia apresentou dinâmica favorável tanto no aluguel quanto em seminovos, resultando em um trimestre robusto em termos de lucro. A casa destacou quatro pontos:
H3 Pontos destacados pela XP
(i) Receitas acima das estimativas em todos os segmentos
(ii) Margens operacionais em linha, com estabilidade em seminovos
(iii) Lucro líquido superando a estimativa intermediária em 24%
(iv) Desalavancagem para 2,6x, contra 2,7x no trimestre anterior
A XP mantém recomendação de compra e precifica que a companhia negocia a múltiplos atrativos.
Bradesco BBI: execução consistente e ganhos de eficiência
O Bradesco BBI avaliou que os números reforçam a tese de execução consistente da Movida mesmo em ambiente desafiador. Para os analistas, houve expansão de margens no aluguel (+1,8 ponto percentual em base anual), puxada por ajustes tarifários e controle de custos. Outro destaque foi o crescimento de clientes no RAC (+17% em base anual).
H3 Conclusões do Bradesco BBI
- Superação do teto do guidance de lucro
- Estabilidade de margens em seminovos após cortes do IPI
- Redução da alavancagem ao piso do guidance
- Perspectivas positivas com queda de juros
Para o BBI, combiner disciplina operacional com cenário de juros em queda abre espaço para destravar valor em 2026.
Itaú BBA: resultado resiliente e preferência setorial
O Itaú BBA também classificou os resultados como positivos, ressaltando a superação de estimativas do mercado e a resiliência das margens em seminovos, fator que pode reduzir preocupações de investidores no curto prazo.
O BBA reiterou preferência por Movida em relação à Vamos (VAMO3), citando números operacionais superiores. A recomendação para MOVI3 segue outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 15,50.
O que explica o bom momento da Movida
Especialistas apontam que o desempenho recente da Movida decorre de um conjunto de fatores estruturais e táticos implementados pela administração:
H2 Fatores que impulsionaram ganhos
H3 Reprecificação de contratos
A companhia conseguiu reajustar tarifas de aluguel, protegendo margens mesmo em contexto macroeconômico desafiador.
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H3 Disciplina na gestão de frota
A manutenção de margens em seminovos indica que o giro da frota está calibrado, com menor risco de vender ativos com deságio.
H3 Controle de custos e despesas
A expansão do Ebitda e do EBIT acima da receita mostra ganhos de eficiência operacional.
H3 Desalavancagem gradual
A redução da alavancagem fortalece a percepção de solidez financeira no médio prazo.
Perspectivas para 2026: juros, consumo e competição
Os resultados chegam em um momento estratégico para o setor de locação. Com expectativas de queda dos juros ao longo de 2026, empresas com estrutura financeira mais eficiente tendem a captar e investir com menor custo, favorecendo expansão de frota e acordos corporativos.
Analistas também observam que o segmento de aluguel de veículos deve continuar crescendo em função de:
H3 Tendências favoráveis
- Aumento de demanda por mobilidade sob demanda
- Crescimento do turismo doméstico
- Expansão do RAC com novos perfis de clientes
- Busca corporativa por redução de custos via outsourcing de frota
Nesse cenário, a Movida entra no ano com vantagens competitivas e menor pressão financeira em relação ao período pós-pandemia, quando o setor enfrentou forte volatilidade de preços e juros elevados.
Recomendações e preços-alvo
O bom desempenho veio acompanhado de recomendações favoráveis:
- Itaú BBA: outperform, preço-alvo de R$ 15,50
- XP Investimentos: compra, preço-alvo de R$ 14,00 para 2026
- Bradesco BBI: viés positivo com tese de execução consistente
Se as previsões se confirmarem, a MOVI3 pode continuar exibindo volatilidade positiva em 2026, especialmente em um cenário de queda dos juros e continuidade da desalavancagem.
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Foto: Divulgação
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