Em setembro de 2024, os beneficiários de pensão por morte de servidores federais civis vinculados ao Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) passarão por uma mudança significativa no cálculo da contribuição previdenciária. A Receita Federal do Brasil (RFB) anunciou que a contribuição para o Plano de Seguridade Social (PSS) será agora calculada sobre o valor total da pensão antes do rateio entre os beneficiários. Essa nova regra pode impactar diretamente os pensionistas, especialmente aqueles que recebem valores superiores a R$ 7.786,02 e compartilham o benefício.
Impacto das mudanças no cálculo de pensões por morte: o que esperar?
A partir de setembro de 2024, mudanças no cálculo das pensões por morte afetarão pensionistas de servidores federais. Entenda como as novas regras impactarão os benefícios.
O que muda no cálculo?

A nova base de cálculo
Até agora, a contribuição previdenciária era calculada individualmente sobre a cota-parte de cada pensionista. Com a nova regra, a contribuição incidirá sobre o valor integral da pensão antes da divisão. Isso significa que, se um pensionista recebe uma pensão de R$ 16 mil dividida entre dois beneficiários, a contribuição será calculada sobre os R$ 16 mil e não mais sobre os R$ 8 mil que cada um receberia.
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Impacto financeiro
Essa mudança pode resultar em um aumento significativo nos descontos aplicados a título de contribuição previdenciária. Os pensionistas que anteriormente estavam isentos, por receberem valores abaixo do limite, podem também ver a contribuição sendo aplicada. Por exemplo, em um caso em que dois beneficiários recebem R$ 5 mil cada um, que antes eram isentos do PSS, o novo cálculo fará com que a contribuição seja aplicada sobre o total de R$ 10 mil.
Opiniões de especialistas
Economista Gilberto Braga
Gilberto Braga, professor do Ibmec, destacou que a mudança pode levar à judicialização dos processos, pois reduz o valor que cada dependente receberá. Segundo ele, a nova interpretação da Receita Federal pode ser contestada judicialmente, uma vez que não está claramente definida na legislação.
Advogada Cynthia Pena
Cynthia Pena, especialista em Direito Previdenciário, comentou que a interpretação da lei utilizada pela Receita não é clara em relação à incidência da contribuição sobre os proventos antes da distribuição de cotas. Ela acredita que isso pode gerar confusão e complicações legais.
Advogado tributarista Diogo Pereira
Diogo Pereira apontou que a interpretação feita pela Receita Federal pode violar princípios fundamentais de legalidade e justiça tributária, afetando desproporcionalmente aqueles que recebem valores menores.
O contexto legal
Lei 10.887 de 2004
A mudança no cálculo está fundamentada na Lei 10.887, que estabelece que a contribuição ao PSS deve incidir sobre o valor total da pensão antes do rateio. A Emenda Constitucional 103 de 2019 também reforçou essa exigência, consolidando a aplicação da alíquota sobre o valor que excede o limite dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Entendimento da Receita Federal
Em nota, a Receita Federal esclareceu que a pensão por morte é uma unidade para fins de tributação, mesmo que possa ser rateada entre vários dependentes. Assim, a contribuição deve ser calculada sobre o valor total do benefício.
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Como é a divisão de cotas da pensão?
A pensão por morte de um servidor público federal é dividida conforme algumas regras básicas:
- 50% do valor da aposentadoria: O valor inicial da pensão é 50% do valor da aposentadoria recebida pelo servidor falecido ou do valor que ele teria direito se fosse aposentado por incapacidade permanente.
- Acréscimos por dependente: A cada dependente adicional, há um acréscimo de 10%, até o máximo de 100%.
- Valor mínimo: O valor não pode ser inferior ao salário mínimo vigente.
Por exemplo, se um servidor casado tem duas filhas menores, a pensão seria de 80% do valor de sua aposentadoria.
Reações e preocupações dos beneficiários

Com a implementação dessa nova regra, muitos pensionistas expressaram preocupações sobre como isso afetará suas finanças. O medo é que a redução do valor líquido da pensão possa impactar o sustento de famílias que dependem desses benefícios.
Possíveis ações legais
Dada a natureza controversa da mudança, muitos especialistas acreditam que pode haver um aumento no número de ações judiciais contestando a nova forma de cálculo. Isso pode gerar um cenário de incerteza jurídica e complicações adicionais para os beneficiários.
Conclusão
As mudanças no cálculo das pensões por morte trazem um novo desafio para os beneficiários, que agora devem se adaptar a um sistema que pode resultar em descontos maiores. Com a necessidade de uma interpretação clara da legislação, muitos especialistas recomendam que os pensionistas busquem orientações e considerem consultar advogados especializados para entender melhor como essas alterações impactarão suas finanças.
