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Haddad entra de férias enquanto Câmara vota urgência para barrar aumento do IOF

Com Haddad de férias, Câmara decide sobre urgência para barrar decreto do IOF. Governo busca apoio para manter arrecadação.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Nesta segunda-feira, 16, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inicia um período de férias de uma semana. A licença, que estava originalmente prevista para julho, foi antecipada e publicada no Diário Oficial da União no início deste mês. Durante a ausência de Haddad, quem assume a chefia do Ministério da Fazenda é o secretário-executivo Dario Durigan.

A volta do ministro está prevista para o próximo domingo, dia 22 de junho. No entanto, mesmo com a breve pausa, a agenda econômica do governo federal segue movimentada, especialmente com os desdobramentos políticos em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Um cenário de tensão política na Câmara dos Deputados

Enquanto Haddad descansa, a Câmara dos Deputados se prepara para uma votação crucial. Está prevista para esta semana a análise do pedido de urgência de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que busca sustar os efeitos do novo decreto do governo sobre o IOF. A proposta foi encabeçada pela oposição, que vê nos aumentos do imposto uma forma disfarçada de majoração da carga tributária.

A resistência na Casa Legislativa já era esperada. Na última quinta-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o clima político não é favorável a qualquer medida que represente aumento de impostos. “Conforme tenho dito nos últimos dias, o clima na Câmara não é favorável para o aumento”, declarou Motta, reforçando a disposição dos parlamentares em barrar não apenas o decreto mais recente, mas também o anterior, publicado em maio.

Recuos estratégicos do governo federal

Diante da pressão, o governo federal recuou em alguns pontos do novo decreto do IOF publicado na semana passada. Entre as principais mudanças está a redução da alíquota sobre crédito para empresas, que voltou ao patamar de 0,38%. Além disso, a taxa fixa de 0,95% sobre risco sacado foi retirada, ficando apenas a cobrança diária.

Outro ponto de destaque é a modificação nas regras para os planos de previdência do tipo VGBL. Inicialmente, o imposto de 5% seria cobrado sobre todos os valores, mas o novo texto estipula que a tributação só incidirá sobre valores acima de R$ 300 mil em 2025, subindo esse limite para R$ 600 mil a partir de 2026.

Mesmo com essas concessões, a oposição insiste na votação da urgência do PDL, argumentando que o governo continua tentando elevar a arrecadação por meio de medidas que impactam diretamente o setor produtivo e o consumidor final.

Impacto fiscal e as metas do arcabouço

Imagem: Freepik e Canva

O pano de fundo de toda essa disputa é a necessidade de cumprimento das metas fiscais previstas pelo novo arcabouço fiscal. Para equilibrar o orçamento de 2025, o governo anunciou um contingenciamento de mais de R$ 30 bilhões. Parte desse valor, cerca de R$ 20 bilhões, seria compensada com o aumento do IOF.

Com a possibilidade de o Congresso derrubar os dois decretos que tratam do imposto, o governo corre o risco de ampliar ainda mais o bloqueio de recursos. Isso pode afetar diretamente programas sociais, investimentos em infraestrutura e repasses para estados e municípios.

A equipe econômica, sob liderança temporária de Dario Durigan, trabalha para buscar o apoio da base aliada e de setores independentes na Câmara, tentando garantir a manutenção, ao menos parcial, das medidas de arrecadação.

Entenda as principais mudanças no IOF

Para entender o cerne da disputa, é importante detalhar o conteúdo dos dois decretos que estão sob análise dos parlamentares:

Decreto de maio:

  • Aumento das alíquotas do IOF sobre crédito.
  • Criação de uma taxa fixa de 0,95% para operações de risco sacado.
  • Inclusão de novas faixas de tributação para os planos VGBL.

Decreto da semana passada:

  • Redução da alíquota sobre crédito empresarial para 0,38%.
  • Retirada da taxa fixa de 0,95% sobre risco sacado.
  • Limitação da incidência do IOF em planos VGBL apenas para valores acima de R$ 300 mil (2025) e R$ 600 mil (2026).

A posição da oposição

Os líderes da oposição enxergam nos dois decretos uma tentativa de driblar o Congresso e implementar aumentos de impostos via medidas infralegais. Para eles, somente uma derrubada integral das novas regras pode garantir segurança jurídica e estabilidade tributária para o setor produtivo.

Parlamentares de centro e de direita argumentam que a arrecadação extra obtida via IOF penaliza o crédito, principalmente para pequenas e médias empresas. Já os representantes da base governista alertam para o risco de um desajuste fiscal ainda maior, caso o PDL seja aprovado.

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Dario Durigan assume o comando em momento delicado

Durante a ausência de Haddad, o protagonismo fica com Dario Durigan, que terá a missão de manter o diálogo aberto com o Congresso e com o mercado financeiro. Com vasta experiência na área jurídica e administrativa, Durigan é considerado um dos principais articuladores da equipe econômica.

Mesmo em caráter interino, o secretário-executivo deverá acompanhar de perto a votação na Câmara e atuar junto aos líderes partidários para evitar um revés político para o governo Lula.

A repercussão no mercado financeiro

A tensão em torno da votação sobre o IOF já teve reflexos no mercado. Na sexta-feira anterior ao início das férias de Haddad, o dólar subiu e o índice Ibovespa operou em queda, refletindo a preocupação dos investidores com o risco fiscal.

Analistas de mercado avaliam que, caso o PDL avance, o governo terá que buscar novas formas de compensar a perda de arrecadação, o que pode incluir cortes adicionais de despesas ou envio de novos projetos de aumento de receita para o Congresso.

O que esperar dos próximos dias

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Imagem: Regiane_Ferraz / shutterstock.com

A expectativa é que a votação da urgência do PDL ocorra logo no início da semana, antes do feriado de Corpus Christi, que encurtará os trabalhos legislativos. Se aprovada a urgência, a matéria poderá ser apreciada em plenário já nos próximos dias.

Além da questão do IOF, outros temas de relevância econômica também seguem na pauta da Câmara, como o projeto de regulamentação da reforma tributária e os debates sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.

Com Haddad de férias, Durigan no comando e o Congresso em clima de tensão pré-feriado, os próximos dias prometem ser decisivos para o futuro das contas públicas brasileiras.

Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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