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Multilaser avalia aumento da produção e exportação para enfrentar tarifaço dos EUA

Multi (antiga Multilaser) estuda expandir produção no Brasil e exportações diante das tarifas entre EUA e China.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
multilaser multi

Com a escalada das tensões comerciais entre China e Estados Unidos, a Multilaser — agora rebatizada como Multi — considera uma estratégia de ampliação de sua produção no Brasil para atender à crescente demanda do mercado norte-americano por eletrônicos. A empresa, que já possui parte de sua fabricação na Ásia, pode ser beneficiada pelo chamado “tarifaço” imposto pelos EUA a produtos chineses.

O presidente do conselho da Multi, Alexandre Ostrowiecki, embora acredite que as tarifas possam não se sustentar por muito tempo, reconhece que o atual cenário oferece uma janela de oportunidade significativa para exportadores de outras partes do mundo, incluindo o Brasil.

“Se as tarifas perdurarem, com a inevitável retaliação chinesa aos americanos, existirá muito mais espaço para o Brasil exportar. A Multi, por sua vez, pode ampliar sua produção de categorias eletrônicas, como smartphones, tablets, eletroportáteis e exportar aos Estados Unidos”, declarou Ostrowiecki.

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Nova rota comercial: o Brasil como alternativa à China

Tarifas
Imagem: Freepik

Embora a China ainda seja um parceiro essencial para a Multi — inclusive com um laboratório da empresa no país asiático —, a pressão tarifária imposta pelos EUA pode incentivar uma realocação parcial das operações. O movimento se alinha com uma tendência global de “nearshoring”, em que países mais próximos dos mercados consumidores passam a ser vistos como alternativas viáveis à produção distante.

Para a Multi, isso significaria ampliar a capacidade produtiva de suas fábricas brasileiras, redirecionando parte do foco de atendimento ao mercado nacional para o exterior, especialmente os Estados Unidos. A intenção seria atender à lacuna deixada pelos produtos chineses que se tornaram mais caros devido às tarifas.

Concorrência com o México: desafio logístico e comercial

Apesar das possibilidades promissoras, Ostrowiecki alerta que o México, por sua proximidade geográfica e acordos comerciais favoráveis com os EUA, ainda é o principal candidato a se beneficiar da guerra tarifária. Ele destaca a tradição mexicana na exportação para o mercado norte-americano como um diferencial importante.

“O México está literalmente colado aos Estados Unidos, tem uma tradição bem mais antiga de produção para o mercado americano e tarifas ainda melhores que o Brasil”, explica.

Ainda assim, o executivo acredita que o Brasil pode capturar uma fatia relevante da demanda, desde que as tarifas se mantenham por tempo suficiente para justificar os investimentos em escala industrial.

Mercado incerto: decisões ainda dependem do cenário político

Apesar das projeções e avaliações internas, a Multi mantém cautela. Isso porque o cenário ainda é volátil. Recentemente, o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou que alguns produtos eletrônicos, como smartphones, chips e computadores, poderão ser isentos das tarifas, o que pode impactar diretamente a janela de oportunidade para os exportadores brasileiros.

As declarações do ex-presidente mostram que o contexto pode mudar rapidamente e que decisões estratégicas precisam levar em conta variáveis geopolíticas e econômicas.

Impacto para o agronegócio e outros setores

Além do setor industrial, Ostrowiecki também enxerga benefícios possíveis para o agronegócio brasileiro. Como tanto o Brasil quanto os Estados Unidos são exportadores relevantes de commodities para a China, uma retaliação chinesa pode favorecer produtos agrícolas brasileiros, que poderiam ganhar mais espaço no mercado asiático.

“O agronegócio brasileiro poderá se beneficiar muito pois tanto Brasil quanto Estados Unidos exportam muitas commodities para os chineses”, avalia.

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A Multi e seu papel na indústria nacional

Imagem de fone, mouse, teclado, fazendo referencia aos produtos confiscados da Multilaser
Imagem: EKKAPHAN CHIMPALEE / Shutterstock.com

A Multi, anteriormente conhecida como Multilaser, se consolidou como uma das principais fabricantes de eletrônicos e eletroportáteis no Brasil. Atuando com um portfólio amplo que inclui desde fones de ouvido até tablets, a empresa tem buscado diversificar mercados e expandir sua presença fora do país. A possibilidade de aumentar a produção local com foco em exportação reforça esse movimento de internacionalização.

Nos últimos anos, a empresa investiu fortemente em inovação e em parcerias estratégicas para reforçar sua atuação, inclusive mantendo operações na Ásia. Agora, com o novo cenário global, a Multi se vê diante de um momento estratégico para se reposicionar no mercado internacional.

Perspectivas futuras

Com a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo ainda em andamento, as oportunidades para empresas de outros países continuam a surgir. A Multi se posiciona como uma das brasileiras que podem aproveitar esse momento, mas a decisão final dependerá da estabilidade e da continuidade das tarifas.

Caso o ambiente se mantenha favorável, a exportação de eletrônicos brasileiros pode ganhar um novo fôlego, colocando o Brasil no radar dos principais mercados consumidores do mundo.

Com informações de: Estado de Minas

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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