Em mais uma etapa da sua reestruturação global, a Natura anunciou nesta segunda-feira, 15 de setembro, a venda das operações da Avon em seis países da América Central e no Caribe.
📌 DESTAQUES:
Natura vende operações da Avon na América Central por US$1 e foca na integração da marca na América Latina.
O movimento faz parte da estratégia de simplificação de negócios da companhia, que busca fortalecer sua atuação na América Latina e otimizar o uso de recursos após um período de forte pressão financeira.
Leia Mais:
Como liberar saldo bloqueado do FGTS? Confira o que fazer
Venda por valor simbólico e condições do acordo
A transação envolve a Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana, cujas operações foram adquiridas pelo Grupo PDC, empresa de bens de consumo com presença relevante na região e no Peru.
O valor do negócio chamou atenção: apenas US$ 1, acrescido de um recebível de US$ 22 milhões da Avon Guatemala à subsidiária mexicana da Natura. Embora simbólico, o montante reflete as dificuldades enfrentadas pelas unidades vendidas e a necessidade de reorganizar ativos para reduzir custos e riscos.
De acordo com o comunicado enviado ao mercado, o fechamento da transação está condicionado a uma reorganização societária que deve ser concluída até 30 de outubro deste ano. Até lá, a Natura seguirá com parte da gestão de transição.
Licenciamento e fornecimento de produtos
Mesmo após a venda, a Natura não se desconecta totalmente das regiões. Pelo acordo, a companhia continuará licenciando a marca Avon e fornecendo produtos acabados que serão comercializados pelo Grupo PDC nesses países. Assim, mantém certa participação indireta no consumo local, sem assumir os custos de operação.
O peso financeiro da decisão
Os números mostram por que a venda foi considerada necessária. No primeiro semestre de 2025, as operações classificadas como descontinuadas — incluindo a Avon International e a unidade CARD — geraram uma saída de caixa de R$ 1,7 bilhão, o que reduziu a posição consolidada em cerca de R$ 750 milhões.
Além disso, essas verticais consumiram R$ 1 bilhão apenas em seis meses, evidenciando a dificuldade de sustentação do modelo. Para uma empresa que ainda luta para recuperar rentabilidade após anos de expansão e aquisições, manter negócios deficitários se mostrou inviável.
Recuperação gradual, mas ainda frágil
No segundo trimestre de 2025, a Natura reportou lucro líquido de R$ 195 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 859 milhões do mesmo período de 2024. Apesar do avanço, a receita líquida caiu 1,7%, somando R$ 5,7 bilhões.
No mercado, o valor de capitalização da empresa está em torno de R$ 12 bilhões, após uma desvalorização de 14,1% desde janeiro. Ou seja, embora demonstre sinais de recuperação, a companhia ainda precisa de medidas consistentes para reconquistar a confiança de investidores.
Estratégia: foco no México e na integração
Durante encontro com investidores em junho, o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, destacou que nem todas as operações internacionais da Avon são problemáticas. O México, por exemplo, é visto como estratégico para o futuro da companhia.
Lá, a Avon mantém uma forte rede de consultoras, que somadas à estrutura da Natura chegam a cerca de 500 mil revendedoras. Além disso, a marca possui 10 lojas próprias no país, oferecendo maior visibilidade e potencial de penetração no varejo.
Aposta na força das consultoras
Segundo Ferreira, a presença da Avon no México representa uma oportunidade de atrair novos lares e expandir a base de consultoras, que podem ser gradualmente expostas ao portfólio da Natura. Essa integração tende a fortalecer a companhia como um todo, ampliando a relevância da marca no mercado latino-americano.
Reestruturação em andamento
A venda das operações na América Central faz parte de um movimento mais amplo. Desde 2023, a Natura vem revisando sua estratégia global após enfrentar dificuldades para sustentar a integração da Avon International, adquirida em 2020.
Em comunicado, a companhia reforçou que continua “explorando alternativas estratégicas para o negócio da Avon Internacional, que permanece classificado como ativo mantido para venda”. Ou seja, novas negociações podem ocorrer nos próximos meses, dependendo das condições de mercado.
Desafios e perspectivas
O maior desafio da Natura será equilibrar a necessidade de liquidez com o fortalecimento das marcas que compõem seu portfólio. A venda das operações deficitárias abre espaço para focar em regiões mais rentáveis, como Brasil e México, mas também coloca pressão para que a integração avance de forma consistente.
Impacto para o mercado de cosméticos
A decisão da Natura repercute além dos seus números internos. O mercado de cosméticos na América Latina é altamente competitivo, com gigantes globais disputando espaço e consumidores cada vez mais exigentes.
Ao optar por uma venda simbólica, a empresa brasileira sinaliza que está disposta a abrir mão de territórios menos estratégicos para se manter financeiramente sólida e preservar sua capacidade de investir em mercados-chave.
Grupo PDC ganha espaço
Já para o Grupo PDC, a aquisição representa um avanço importante. Com a operação, a companhia fortalece sua presença em países onde a Avon ainda possui reconhecimento de marca e uma rede de vendas estabelecida. Essa movimentação pode reposicionar o grupo como um player regional relevante no setor de cosméticos.
Imagem: Divulgação / Natura / Avon
Abaixo você pode continuar a leitura do artigo