A montadora japonesa Nissan vive um de seus momentos mais críticos desde sua fundação. Em meio a um cenário de baixa demanda, crescimento de concorrentes locais na China e dificuldades em manter sua operação global, a empresa anunciou mais uma notícia negativa: o fechamento iminente da fábrica localizada em Wuhan, na China.
Nissan vai fechar mais uma fábrica em breve; entenda a situação da empresa
Nissan vive a pior crise de sua história com fechamento de fábricas na China, prejuízo bilionário, demissão de milhares de funcionários e busca por parceria.
A informação vem à tona poucos dias após a própria Nissan revelar que se prepara para registrar o maior prejuízo líquido de sua história.
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Fábrica de Wuhan deve encerrar atividades

A planta da Nissan em Wuhan, construída em parceria com a Dongfeng Motor Group, foi inaugurada em 2022 com capacidade anual para produzir até 300 mil veículos. Contudo, desde sua abertura, a unidade conseguiu fabricar apenas 10 mil unidades no total.
Com números tão abaixo do esperado, a decisão de interromper a produção dos modelos Ariya e X-Trail foi apenas o primeiro passo rumo ao encerramento definitivo das atividades da unidade.
De acordo com uma agência de notícias chinesa, a operação já está paralisada, e fontes internas apontam que não há planos concretos para retomar a produção no curto prazo. Isso torna o fechamento da fábrica praticamente inevitável.
Concorrência chinesa domina mercado
A dificuldade da Nissan em competir com as montadoras chinesas de veículos elétricos tem sido uma das principais razões para sua crise no país. Montadoras como BYD, NIO e Xpeng vêm avançando com força, oferecendo modelos modernos, com bom desempenho e preços competitivos.
Além disso, o governo chinês tem oferecido incentivos significativos à produção e venda de carros elétricos locais, dificultando ainda mais a permanência de empresas estrangeiras no mercado.
Em 2023, a Nissan já havia fechado a fábrica de Changzhou, também em parceria com a Dongfeng, por razões semelhantes. A unidade tinha capacidade para 130 mil veículos ao ano, mas sofreu com a baixa demanda por modelos da marca no país.
Saída de CEO e fracasso em fusão com a Honda
A crise na Nissan não se restringe ao mercado chinês. No Japão, a tentativa de fusão com a Honda não prosperou, frustrando expectativas de criar uma aliança mais forte para enfrentar a nova era da eletrificação automotiva. Como consequência, o CEO da empresa, Makoto Uchida, renunciou ao cargo, ampliando ainda mais a instabilidade na alta gestão da companhia.
A ausência de uma liderança sólida nesse momento crítico torna a reestruturação ainda mais desafiadora e levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de se recuperar sem uma mudança profunda de estratégia.
Prejuízo bilionário em 2025
As projeções financeiras da Nissan para o ano fiscal de 2025 são alarmantes. Segundo comunicado da própria companhia, o prejuízo líquido esperado varia entre US$ 4,91 bilhões e US$ 5,26 bilhões — valor quase dez vezes maior que a previsão inicial de US$ 560 milhões.
O rombo financeiro pressiona a montadora a tomar medidas drásticas para conter as perdas, entre elas:
- Demissão de mais 9.000 funcionários no mundo inteiro;
- Fechamento de fábricas com desempenho abaixo do esperado;
- Redução e simplificação da linha de modelos oferecidos.
Nissan tenta se reerguer com ajuda da Foxconn
Diante desse cenário devastador, a principal esperança da Nissan está na negociação de uma parceria estratégica com a Foxconn, gigante taiwanesa da tecnologia que já atua na fabricação de iPhones para a Apple.
A ideia é que a Foxconn possa fornecer não apenas estrutura de produção, mas também conhecimento tecnológico e logística para ajudar a Nissan a acelerar sua transformação digital e eletrificação. Caso o acordo se concretize, ele poderá servir de alívio momentâneo para as finanças da montadora.
No entanto, essa aliança ainda está em estágio inicial, e não há garantias de que os termos sejam suficientes para reverter o atual quadro.
A crise é global
O problema da Nissan vai além da China. A empresa enfrenta dificuldades também na Europa, América do Norte e América Latina. A falta de competitividade em modelos híbridos e elétricos, somada à imagem desgastada após anos de escândalos envolvendo antigos executivos, como Carlos Ghosn, ainda prejudica a percepção da marca em vários mercados.
Além disso, a linha atual de veículos não tem conseguido se destacar frente aos lançamentos inovadores de concorrentes diretos como Toyota, Hyundai, Tesla e fabricantes chinesas. A defasagem tecnológica, aliada à lentidão no processo de adaptação às novas tendências do setor, deixou a Nissan para trás.
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Medidas de reestruturação em curso

Para tentar contornar a crise, a montadora iniciou um processo de reestruturação que inclui:
Redução de custos operacionais
A empresa tem fechado fábricas, centralizado unidades administrativas e enxugado sua folha de pagamento. A meta é reduzir ao máximo os custos fixos para que o capital possa ser reinvestido em pesquisa, desenvolvimento e eletrificação.
Investimento em carros elétricos
Apesar do atraso, a Nissan pretende investir fortemente no segmento de elétricos nos próximos anos. A estratégia passa por uma nova plataforma global, o desenvolvimento de baterias próprias e parcerias com fornecedores para baratear a produção.
Reposicionamento de mercado
A marca estuda reposicionar seus modelos para competir com mais agressividade nos mercados onde ainda tem alguma força, como o Japão e alguns países do Sudeste Asiático. Isso pode incluir a suspensão de vendas em países com margens muito baixas ou presença irrelevante.
Expectativas para o futuro
O futuro da Nissan permanece incerto. Com um prejuízo bilionário projetado, fábricas sendo desativadas, e um ambiente cada vez mais competitivo e tecnológico, a empresa terá de mostrar capacidade de adaptação e inovação para não repetir a trajetória de outras montadoras que falharam em se reinventar.
A possível parceria com a Foxconn pode ser um ponto de virada, mas dependerá de rapidez nas decisões e foco em inovação. O mercado automotivo global está em plena transformação, e quem não acompanhar essa revolução corre o risco de desaparecer.
