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Juros abusivos têm fim? Nova lei limita cobranças feitas pelos bancos

Nova lei do cartão de crédito limita juros, impede dívidas infinitas e muda regras do rotativo, da portabilidade e da renegociação no Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
Juros

Durante décadas, o cartão de crédito ocupou uma posição ambígua na vida financeira dos brasileiros. Ao mesmo tempo em que se consolidou como ferramenta essencial para consumo, pagamento de contas e organização do orçamento, também se transformou em um dos principais motores do endividamento doméstico. Juros elevados, regras pouco transparentes e a facilidade de acesso ao crédito criaram um ambiente em que dívidas pequenas rapidamente se tornavam impagáveis.

Dados do mercado financeiro mostram que o rotativo do cartão sempre figurou entre as modalidades de crédito mais caras do país, com taxas que ultrapassavam facilmente os 400% ao ano. Esse cenário fez com que especialistas, órgãos de defesa do consumidor e economistas pressionassem por mudanças estruturais no sistema.

Após anos de debates e tentativas frustradas de autorregulação, o Brasil finalmente entra em uma nova fase. A entrada em vigor da Lei 14.690/2023 marca uma virada histórica ao estabelecer um limite claro para os juros do cartão de crédito, algo inédito no sistema financeiro nacional.

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A nova lei que muda as regras do cartão de crédito

A Lei 14.690/2023 estabelece que nenhuma dívida originada no cartão de crédito pode ultrapassar o dobro do valor original da compra. Na prática, isso significa que os juros, multas e encargos não podem mais crescer indefinidamente, como ocorria até então.

Essa mudança representa um freio direto em uma das práticas mais criticadas do mercado financeiro brasileiro, especialmente por impactar consumidores de baixa e média renda, que costumavam recorrer ao rotativo em momentos de aperto.

O que motivou a criação do limite de juros

A criação do teto foi resultado de um longo processo de negociação entre governo, Banco Central, instituições financeiras e representantes da sociedade civil. Inicialmente, apostou-se na autorregulação do setor bancário, que se comprometeria a reduzir voluntariamente as taxas cobradas no rotativo.

No entanto, os resultados ficaram aquém do esperado. As taxas continuaram elevadas, e o endividamento das famílias seguiu em trajetória ascendente. Diante desse impasse, o governo optou por uma solução legislativa, inspirada em modelos adotados em países como o Reino Unido.

Quando a regra começa a valer

A lei já está em vigor e se aplica a todas as operações de cartão de crédito realizadas a partir da sua implementação. Isso inclui atrasos no pagamento da fatura, entrada no crédito rotativo e parcelamento do saldo devedor.

Como funciona o novo limite de juros na prática

A principal inovação da legislação é simples de entender, mas profunda em seus efeitos. O valor total da dívida não pode ultrapassar 100% do valor originalmente gasto.

Exemplo prático do novo teto

Se um consumidor realiza uma compra de R$ 800 no cartão de crédito e, por qualquer motivo, não consegue pagar a fatura integral, o banco poderá cobrar, no máximo, R$ 1.600 ao final de todo o período de atraso. Esse valor já inclui juros, multas e demais encargos.

Antes da nova regra, essa mesma dívida poderia facilmente ultrapassar R$ 5 mil ou R$ 6 mil ao longo dos anos, criando um ciclo quase impossível de ser rompido.

O que muda no crédito rotativo

O crédito rotativo, utilizado quando o consumidor paga apenas parte da fatura, era o principal vilão do sistema. Com o novo limite, ele deixa de ser uma armadilha financeira de longo prazo e passa a ter um custo previsível.

Isso não significa que o rotativo se tornou barato, mas sim que deixou de ser uma fonte de endividamento sem fim.

Parcelamento da fatura também entra na regra

O parcelamento do saldo devedor, opção frequentemente oferecida pelos bancos, também está sujeito ao teto. Assim, mesmo em parcelamentos longos, o valor final pago pelo consumidor não poderá ultrapassar o dobro da dívida original.

Portabilidade de dívidas do cartão entra em cena

Outro avanço relevante é a portabilidade das dívidas do cartão de crédito, em vigor desde julho de 2024. A medida permite que o consumidor transfira seu débito para outra instituição financeira que ofereça condições mais vantajosas, como juros menores ou prazos mais flexíveis.

Estímulo à concorrência entre bancos

Com a portabilidade, os bancos passam a disputar clientes endividados, algo que antes praticamente não existia. Isso cria um ambiente mais competitivo e tende a pressionar as taxas para baixo ao longo do tempo.

Mais poder de escolha para o consumidor

Na prática, o consumidor deixa de ficar refém da instituição onde contraiu a dívida. Agora, pode pesquisar, comparar ofertas e migrar para aquela que melhor se encaixa em sua realidade financeira.

Desenrola Brasil é incorporado à nova lógica do crédito

A transformação no mercado de cartões não se resume ao teto de juros. Outro pilar fundamental é a consolidação do programa Desenrola Brasil, sancionado sem vetos e incorporado ao arcabouço legal que rege o crédito no país.

O que é o Desenrola Brasil

O Desenrola Brasil é um programa federal voltado à renegociação de dívidas bancárias e contas básicas, como água, luz e telefone. Ele foi desenhado especialmente para atender pessoas de baixa renda e consumidores negativados.

Condições oferecidas pelo programa

Entre os principais benefícios do Desenrola Brasil estão:

Parcelamentos longos com prestações reduzidas
Juros significativamente menores
Descontos expressivos para quitação à vista
Possibilidade de retirar o nome dos cadastros de inadimplentes

Integração com a nova lei do cartão

Ao ser integrado à lei que limita os juros, o Desenrola Brasil passa a atuar como uma ferramenta complementar, ajudando consumidores a reorganizar sua vida financeira dentro de um sistema mais previsível.

Reação do mercado financeiro às mudanças

As novas regras não foram recebidas sem resistência pelo setor bancário. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) manifestou preocupação com os possíveis impactos no mercado de crédito, especialmente em relação à oferta para consumidores de maior risco.

Argumentos dos bancos

Segundo as instituições financeiras, o limite poderia reduzir a concessão de crédito e elevar custos em outras modalidades. Há também o receio de que bancos se tornem mais seletivos na aprovação de cartões.

Visão dos especialistas

Economistas e especialistas em finanças pessoais, no entanto, defendem que a mudança tende a tornar o sistema mais equilibrado. Ao reduzir práticas consideradas abusivas, o mercado se torna mais transparente e sustentável no longo prazo.

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Impactos diretos na vida do consumidor

Para quem utiliza o cartão de crédito no dia a dia, as mudanças representam uma quebra de paradigma. O medo de que uma dívida pequena se transforme em um problema eterno perde força.

Mais previsibilidade financeira

Saber exatamente qual é o valor máximo que poderá ser cobrado permite um planejamento mais realista. O consumidor passa a ter clareza sobre os riscos envolvidos ao atrasar uma fatura.

Redução do superendividamento

Ao impedir o crescimento infinito da dívida, a nova lei atua diretamente no combate ao superendividamento, um problema que afeta milhões de famílias brasileiras.

Educação financeira ganha espaço

Com regras mais claras, abre-se espaço para uma discussão mais ampla sobre educação financeira, uso consciente do crédito e planejamento de longo prazo.

O que muda no comportamento dos consumidores

A expectativa é que, ao longo do tempo, o brasileiro passe a usar o cartão de crédito de forma mais estratégica, evitando o rotativo sempre que possível, mas sem o pânico que antes cercava qualquer atraso.

Cartão como ferramenta, não como armadilha

O cartão de crédito volta a ser visto como um instrumento de organização financeira, e não como um vilão inevitável.

Maior atenção às condições contratuais

Com mais opções no mercado, cresce também a importância de comparar taxas, entender contratos e negociar condições.

Um novo capítulo no sistema financeiro brasileiro

As mudanças promovidas pela Lei 14.690/2023 representam um dos avanços mais significativos no mercado de crédito das últimas décadas. Ao estabelecer limites claros, estimular a concorrência e integrar programas de renegociação, o Brasil dá um passo importante rumo a um sistema mais justo.

Embora desafios ainda existam, o novo modelo oferece algo que sempre faltou ao consumidor brasileiro: previsibilidade. Pequenas dívidas deixam de ser sentenças financeiras perpétuas e passam a ter um fim definido.

Ao devolver ao cidadão a noção de limite e equilíbrio, a nova lei não apenas regula juros, mas redefine a relação entre consumidores e instituições financeiras no país.

Conclusão

A entrada em vigor do limite de juros do cartão de crédito marca uma virada histórica no combate ao endividamento no Brasil. Com regras mais claras, teto para cobranças abusivas, portabilidade de dívidas e programas de renegociação fortalecidos, o consumidor passa a ocupar uma posição mais equilibrada no sistema financeiro. Ainda que o mercado precise se adaptar, a mudança representa um avanço concreto na proteção do orçamento das famílias e na construção de um crédito mais responsável.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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