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Novo IR afeta salário e dividendos a partir de janeiro; veja os detalhes

Novo Imposto de Renda começa em 2026 com isenção até R$ 5 mil, desconto parcial até R$ 7.350 e nova tributação de dividendos. Veja mudanças.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
Imposto de Renda ir

A reforma do Imposto de Renda (IR), sancionada em novembro de 2025, começa a valer oficialmente a partir de 1º de janeiro de 2026 e representa uma das maiores mudanças no sistema de tributação das pessoas físicas das últimas décadas.

As novas regras terão impacto direto no salário mensal dos trabalhadores, na tributação de rendimentos mais elevados e na cobrança sobre dividendos, afetando milhões de brasileiros.

Embora as alterações passem a valer já em 2026, elas serão sentidas de forma mais clara na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) de 2027, referente ao ano-base 2026.

A proposta do governo é ampliar a justiça tributária, reduzir a carga para a classe média e compensar a perda de arrecadação com a tributação da alta renda.

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O que muda com o novo Imposto de Renda

A nova legislação promove ajustes relevantes tanto na faixa de isenção quanto na forma de calcular o imposto devido, mantendo a estrutura central da tabela progressiva.

Manutenção da tabela progressiva

Apesar das novidades, a tabela progressiva clássica do Imposto de Renda continua em vigor, com alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%. O que muda é a forma como os descontos são aplicados para determinadas faixas de renda.

Impacto direto no salário mensal

As alterações afetam principalmente o desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o que significa que muitos trabalhadores terão aumento do salário líquido já a partir de janeiro de 2026.

Isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 por mês

Uma das principais novidades da reforma é a ampliação da faixa de isenção.

Quem fica totalmente isento

A partir de 2026, contribuintes com renda tributável mensal de até R$ 5.000 não pagarão Imposto de Renda. Segundo a Receita Federal, a medida deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas.

Comparação com a regra atual

Atualmente, estão isentos do IR apenas os contribuintes que recebem até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 3.076. Com a reforma, a isenção avança significativamente, alcançando uma parcela maior da população economicamente ativa.

Objetivo da ampliação da isenção

O governo argumenta que a medida busca aliviar o peso do imposto sobre trabalhadores de baixa e média renda, além de atualizar a tabela frente à inflação acumulada dos últimos anos.

Isenção parcial entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350

Além da isenção total, a reforma cria uma nova faixa de transição.

Como funciona o desconto parcial

Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês, haverá um desconto gradual e decrescente no imposto devido. Quanto mais próxima a renda estiver de R$ 5.000, maior será o benefício. À medida que o salário se aproxima de R$ 7.350, o desconto diminui até ser totalmente zerado.

Evitando os “degraus tributários”

Essa regra foi criada para evitar os chamados degraus tributários, situações em que um pequeno aumento salarial faz o contribuinte saltar para uma faixa de tributação muito mais alta, resultando em perda real de renda.

Fórmula do redutor mensal e anual

O desconto não é fixo e depende de uma fórmula matemática aplicada sobre os rendimentos:

No cálculo mensal, o redutor segue a fórmula:
R$ 978,62 – (0,133145 x rendimentos tributáveis sujeitos à incidência mensal)

No cálculo anual, a fórmula é:
R$ 8.429,73 – (0,095575 x rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual)

Quem ganha acima de R$ 7.350 por mês

Para contribuintes com renda mensal superior a R$ 7.350, não há isenção adicional.

Aplicação integral da tabela progressiva

Nesses casos, o Imposto de Renda segue sendo calculado integralmente com base na tabela progressiva tradicional, com alíquotas de até 27,5%.

Importância das deduções legais

Mesmo sem o desconto adicional, deduções como dependentes, previdência privada e despesas médicas continuam influenciando o valor final do imposto devido.

Simulações: quanto o contribuinte pode economizar

Para facilitar a compreensão, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal divulgaram simulações práticas.

Exemplo de renda de R$ 5.500

Antes da reforma, um contribuinte com salário de R$ 5.500 pagaria cerca de R$ 436,79 de IR por mês. Com o novo modelo, o desconto chega a quase 75%, reduzindo o imposto para aproximadamente R$ 202,13.

Exemplo de renda de R$ 6.500

Nesse caso, a economia anual estimada é de cerca de R$ 1.470, graças ao desconto parcial aplicado na nova faixa de transição.

Exemplo de renda de R$ 7.000

Para salários próximos ao limite da isenção parcial, o benefício é menor. A economia anual fica em torno de R$ 600, já que o redutor é quase totalmente eliminado.

Importante observar

As simulações divulgadas são aproximadas e têm caráter didático. O desconto real varia conforme a renda exata e as deduções individuais de cada contribuinte.

Exemplos práticos de cálculo do IRRF

A Receita Federal também apresentou exemplos detalhados para demonstrar a aplicação das novas regras.

Exemplo de isenção total

Um trabalhador com salário bruto de R$ 4.000, após aplicar o desconto simplificado mais vantajoso, tem base de cálculo reduzida e imposto calculado pela tabela progressiva. Em seguida, aplica-se a redução prevista em lei, resultando em IRRF igual a zero.

Exemplo de redução parcial

No caso de um salário bruto de R$ 6.000, após deduções legais e aplicação da tabela progressiva, o imposto calculado sofre a redução prevista na nova faixa intermediária, diminuindo significativamente o valor final a pagar.

Exemplo sem direito à redução

Para rendas superiores a R$ 7.350, como um salário de R$ 7.607,20, o cálculo segue normalmente pela tabela progressiva, sem aplicação de redutor adicional.

Limitações e cálculo individual do benefício

Apesar do avanço da isenção, nem todos sentirão o mesmo impacto.

Outras fontes de renda

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Rendimentos adicionais, como bônus, comissões ou aluguéis, entram no cálculo da renda tributável anual e podem reduzir ou eliminar o benefício da isenção parcial.

Peso das deduções legais

O valor final do imposto depende das deduções permitidas, o que torna o impacto da reforma diferente para cada contribuinte.

Imposto mínimo para alta renda

Para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da isenção, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).

Quem será afetado

O imposto mínimo incide sobre rendimentos tributáveis anuais superiores a R$ 600 mil, o equivalente a salários mensais acima de R$ 50 mil.

Alíquotas do imposto mínimo

A alíquota mínima efetiva varia de 0% a 10%, conforme a renda anual:

Até R$ 600 mil: isento
De R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão: alíquota progressiva até 10%
Acima de R$ 1,2 milhão: alíquota mínima de 10%

Rendimentos excluídos da base

Aplicações como poupança, LCI, LCA, indenizações por doença grave e heranças não entram no cálculo do imposto mínimo.

Tributação de dividendos a partir de 2026

Outra mudança relevante é a tributação de dividendos na fonte.

Retenção de 10% sobre dividendos

A partir de 1º de janeiro de 2026, dividendos pagos por uma única empresa a pessoas físicas acima de R$ 50 mil por mês sofrerão retenção de 10% na fonte.

Foco em grandes rendas

A medida atinge principalmente sócios e empresários que recebem grandes valores via dividendos, estratégia até então isenta de tributação.

Compensação na declaração anual

Os valores retidos poderão ser compensados na declaração anual, abatendo o imposto devido dentro do IRPF mínimo.

Impactos para investidores e trabalhadores

A reforma redesenha o equilíbrio da tributação no país.

Alívio para a classe média

A ampliação da isenção e o desconto parcial aumentam a renda disponível de milhões de trabalhadores.

Maior carga para rendas elevadas

A tributação mínima e a cobrança sobre dividendos concentram o ajuste fiscal nos contribuintes de maior poder aquisitivo.

Considerações finais

O novo Imposto de Renda que entra em vigor em 2026 promove uma ampla reformulação na forma como salários e dividendos são tributados no Brasil. Com isenção total até R$ 5.000, desconto parcial até R$ 7.350 e novas regras para alta renda, a reforma busca corrigir distorções históricas e tornar o sistema mais progressivo.

Para o contribuinte, entender as mudanças é fundamental para planejar melhor as finanças e evitar surpresas na declaração de 2027.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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