Novo Nordisk sofre queda de 20% nas ações após corte de projeções e troca na liderança
A Novo Nordisk, gigante farmacêutica dinamarquesa conhecida globalmente pelos medicamentos Ozempic e Wegovy, enfrentou um dos piores dias da sua história recente na bolsa. As ações da empresa despencaram 21,83% na terça-feira (29), encerrando o dia cotadas a US$ 53,94. O movimento foi desencadeado por uma série de anúncios considerados negativos pelo mercado, incluindo a troca repentina no comando da companhia e a revisão para baixo de suas projeções financeiras para o restante do ano.
Leia mais:
Ações da Puma sofrem forte queda por conta de prejuízo e tarifas comerciais
Novo CEO assume em meio a instabilidade
Maziar Mike Doustdar substitui Lars Fruergaard Jørgensen
A nomeação de Maziar Mike Doustdar como novo CEO da Novo Nordisk surpreendeu investidores e analistas. Doustdar assume o cargo após a demissão inesperada de Lars Fruergaard Jørgensen, que estava à frente da empresa desde 2017. A troca no comando ocorreu em maio, mas só foi oficializada agora com a confirmação de Doustdar na liderança.
Com mais de 20 anos de experiência dentro da própria Novo Nordisk, Doustdar é visto como um nome técnico e conhecedor do setor farmacêutico. No entanto, a substituição repentina gerou incertezas sobre os rumos estratégicos da companhia.
Mudança de liderança amplia receios do mercado
A sucessão executiva, por si só, já provocaria cautela entre investidores. No entanto, ela veio acompanhada de más notícias sobre os resultados esperados, o que amplificou a reação negativa do mercado. Analistas apontam que a combinação entre mudança de liderança e projeções financeiras frustrantes gerou um ambiente de instabilidade e desconfiança em relação ao futuro da farmacêutica.
Corte nas projeções financeiras intensifica a crise
Redução na expectativa de lucro e vendas
Em comunicado oficial, a Novo Nordisk reduziu suas estimativas de crescimento para o ano de 2025. A empresa agora espera uma alta entre 10% e 16% no lucro operacional anual, bem abaixo da meta anterior, que previa uma expansão entre 16% e 24%, considerando taxas de câmbio constantes.
Essa nova perspectiva pegou o mercado de surpresa, especialmente em um momento em que as expectativas estavam ancoradas no bom desempenho do Wegovy, medicamento voltado ao tratamento da obesidade, e do Ozempic, utilizado para controle de diabetes tipo 2.
Estados Unidos são foco da revisão
A farmacêutica justificou o corte nas projeções com base em estimativas menos otimistas para as vendas no segundo semestre de 2025, sobretudo nos Estados Unidos. Segundo a empresa, o crescimento no uso de compostos à base de GLP-1, como o Wegovy, tem sido mais lento que o previsto. A concorrência mais acirrada no mercado norte-americano também contribuiu para a reavaliação.
No comunicado, a Novo Nordisk destacou que “a perspectiva de vendas reflete o uso persistente de compostos GLP-1, a expansão de mercado mais lenta do que o esperado e a concorrência”.
Impactos nos medicamentos carro-chefe
Wegovy enfrenta dificuldades de expansão nos EUA
O Wegovy, considerado o principal motor de crescimento da empresa, vinha registrando avanços significativos desde seu lançamento. Contudo, a companhia admitiu que a adesão ao medicamento nos Estados Unidos tem sido mais moderada do que o projetado inicialmente.
Além disso, o alto custo do tratamento e as limitações de cobertura por parte de planos de saúde têm impedido uma penetração mais ampla do produto. Esse cenário afeta diretamente o desempenho da Novo Nordisk no maior mercado farmacêutico do mundo.
Ozempic mantém demanda, mas sente os efeitos da concorrência
Já o Ozempic continua com uma base sólida de consumidores, mas enfrenta competição crescente de outras farmacêuticas que também investem em medicamentos para controle glicêmico e perda de peso. A empresa reconheceu que, embora a demanda continue significativa, o ritmo de crescimento tende a ser mais contido nos próximos meses.
Histórico recente de rebaixamento nas expectativas
Revisão anterior já havia acendido alerta
Não é a primeira vez em 2025 que a Novo Nordisk revê suas projeções. Em maio, a companhia já havia rebaixado suas metas após reportar vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre do ano. Na ocasião, o desempenho abaixo do previsto gerou dúvidas sobre a capacidade da empresa em sustentar os níveis acelerados de crescimento registrados em 2023 e 2024.
Relatório completo do segundo trimestre será decisivo
O relatório de resultados do segundo trimestre, previsto para ser divulgado no próximo dia 6 de agosto, será crucial para balizar as expectativas do mercado. Investidores esperam por detalhes sobre o desempenho dos principais medicamentos, planos de expansão e diretrizes estratégicas sob a nova gestão de Mike Doustdar.
Perspectivas e reação do mercado
Queda acentuada reflete preocupação generalizada
A forte queda nas ações é reflexo da perda de confiança por parte dos investidores. O mercado precifica não apenas os resultados mais fracos, mas também o risco de uma transição conturbada na liderança da empresa. A volatilidade observada deve persistir até que haja maior clareza sobre os rumos estratégicos da Novo Nordisk.
Especialistas apontam momento de cautela
Analistas do setor farmacêutico recomendam cautela com os papéis da companhia no curto prazo. Embora os fundamentos da empresa permaneçam sólidos, a combinação entre pressão competitiva, desafios de expansão e mudanças na gestão exige maior atenção.