A operadora brasileira Oi (OIBR3) protocolou no dia 7 de julho de 2025 um pedido formal para encerrar o processo do Chapter 15 nos Estados Unidos, junto ao Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.
Oi busca encerrar Chapter 15 nos EUA e analisa nova estratégia judicial
Oi solicita encerramento do Chapter 15 nos EUA e analisa abrir novo processo no Chapter 11 para reorganização judicial e financeira da empresa.
O dispositivo legal, que atua como reconhecimento da recuperação judicial conduzida no Brasil, foi utilizado pela companhia como parte de sua estratégia para enfrentar uma das maiores crises financeiras do setor de telecomunicações no país.
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O que é o Chapter 15 e sua função no caso Oi

O Chapter 15 integra o Código de Falências dos Estados Unidos e foi criado para permitir cooperação entre os tribunais norte-americanos e estrangeiros em casos de insolvência transnacional.
No caso da Oi, o Chapter 15 permitiu que o processo de recuperação judicial aprovado no Brasil fosse reconhecido oficialmente nos EUA, garantindo proteção legal contra credores americanos enquanto a empresa realizava a reestruturação.
Motivos para o pedido de encerramento do Chapter 15
De acordo com a Oi, o pedido de encerramento do Chapter 15 ocorre após a implementação satisfatória do plano de recuperação aprovado pelos credores em abril de 2024.
A companhia informou que o dispositivo deixou de ser estratégico diante do estágio avançado da recuperação judicial no Brasil e das mudanças no cenário financeiro global.
Avaliação de nova proteção judicial com o Chapter 11
Embora tenha solicitado o encerramento do Chapter 15, a Oi sinalizou que continua avaliando alternativas para enfrentar seus desafios financeiros.
Entre as opções está a possibilidade de iniciar um novo processo nos Estados Unidos com base no Chapter 11, que oferece uma proteção mais abrangente, permitindo a reorganização direta da empresa sob supervisão judicial.
Entendendo as diferenças entre Chapter 15 e Chapter 11
O Chapter 15: reconhecimento e cooperação
Criado para facilitar o reconhecimento de processos estrangeiros de recuperação judicial, o Chapter 15 protege as empresas contra ações judiciais de credores locais enquanto o caso é conduzido no país de origem.
Ele não permite a reestruturação propriamente dita nos EUA, funcionando apenas como um reconhecimento formal do processo.
O Chapter 11: reestruturação completa nos EUA
Diferentemente do Chapter 15, o Chapter 11 é um dispositivo do Código de Falências americano que possibilita que empresas em dificuldades financeiras solicitem proteção judicial para reorganizar suas operações e dívidas diretamente nos Estados Unidos.
O processo oferece uma supervisão judicial mais rigorosa e possibilita negociações diretas com credores locais e internacionais.
Por que a Oi pode optar pelo Chapter 11?
A escolha pelo Chapter 11 indicaria que a Oi busca uma reorganização mais profunda e uma proteção legal mais ampla dentro do sistema americano, sobretudo para lidar com ativos e credores nos EUA, algo que o Chapter 15 não permite.
Essa alternativa pode oferecer maior flexibilidade para a empresa se reestruturar diante de um ambiente financeiro global ainda incerto.
Impacto do pedido de encerramento no mercado e nos credores
Reação do mercado financeiro
O anúncio da Oi causou repercussão no mercado de ações e no setor financeiro, uma vez que a decisão sinaliza uma possível mudança de estratégia para enfrentar sua crise.
Analistas avaliam que a empresa busca simplificar seus processos legais e concentrar esforços no Brasil, enquanto mantém a possibilidade de uma reorganização judicial mais robusta nos Estados Unidos.
Consequências para os credores
Os credores americanos que estavam protegidos pelo Chapter 15 podem ter um cenário de incertezas caso a Oi opte pelo Chapter 11. Isso porque o Chapter 11 implica em negociações diretas e pode envolver concessões maiores, impactando os termos acordados inicialmente.
Histórico da crise financeira da Oi
Recuperação judicial iniciada em 2016
A Oi entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil em 2016, após acumular dívidas superiores a R$ 65 bilhões. A crise financeira decorreu de problemas operacionais, alta alavancagem e mudanças no setor de telecomunicações, que impactaram receitas e a capacidade de pagamento da empresa.
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Planos aprovados e esforços de reestruturação
Desde então, a empresa vem buscando formas de reestruturar sua dívida, vender ativos não estratégicos e investir em modernização da infraestrutura, especialmente em fibra ótica.
A aquisição de 57,9% da InfraCo, unidade de fibra da Oi, pelo Banco BTG Pactual por R$ 12,9 bilhões, é um exemplo recente desse movimento.
O que esperar da estratégia judicial da Oi daqui para frente?

Possibilidade de novo Chapter 11 e impactos futuros
Caso a Oi opte por iniciar um processo de recuperação judicial com base no Chapter 11, a companhia deverá apresentar um plano detalhado de reorganização e passar por supervisão contínua do tribunal americano.
Essa etapa pode fortalecer a posição da empresa frente a credores internacionais, mas também envolve custos e complexidades adicionais.
A importância da governança e transparência
Para manter a confiança do mercado, será fundamental que a Oi reforce sua governança corporativa e ofereça transparência nas negociações, tanto no Brasil quanto no exterior.
A empresa já demonstrou esse compromisso ao cumprir etapas do plano de recuperação e informar seus acionistas e credores sobre os movimentos jurídicos.
O papel do Judiciário brasileiro e internacional
A cooperação entre os sistemas judiciais brasileiro e americano continuará sendo essencial para o sucesso da reestruturação da Oi. A possível transição do Chapter 15 para o Chapter 11 evidencia a complexidade dos processos envolvendo empresas multinacionais em recuperação.
Considerações finais
A decisão da Oi de solicitar o encerramento do Chapter 15 e analisar uma nova estratégia jurídica, possivelmente com base no Chapter 11, demonstra que a empresa está em constante adaptação para superar seus desafios financeiros.
Essa movimentação jurídica é uma resposta às mudanças no cenário econômico global e um sinal de que a recuperação judicial é um processo dinâmico, que demanda flexibilidade e estratégias alinhadas aos interesses da empresa e de seus credores.
A crise da Oi serve como um case importante para o mercado de telecomunicações e para o setor jurídico, que acompanha de perto os desdobramentos dessa reestruturação que envolve múltiplas jurisdições e interesses financeiros expressivos.
