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Oi espera levantar R$ 14 bilhões com ativos e estrutura veículo para imóveis

Em recuperação judicial, Oi pretende captar R$ 14 bi com ativos, criando estrutura para imóveis e pagamento de credores.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Emergência

A Oi, uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, apresentou na última terça-feira (1) um aditamento ao seu Plano de Recuperação Judicial, no qual projeta a captação de R$ 14,2 bilhões por meio da venda de ativos a partir de 2026.

O plano reforça a intenção de monetizar a participação de 27,5% da empresa na operadora de fibra óptica V.tal, além da comercialização de mais de 7 mil imóveis do grupo.

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Expectativa de receita com a venda da participação na V.tal e imóveis

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

De acordo com o laudo econômico-financeiro que acompanhou a proposta protocolada na Justiça, a Oi estima arrecadar entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões apenas com a venda da fatia na V.tal, operação prevista para o primeiro semestre de 2026. Já a comercialização dos imóveis, avaliados em cerca de R$ 4 bilhões no total, deve ocorrer de forma gradual, com vendas mensais a partir do mesmo ano.

O CEO da Oi, Marcelo Milliet, destacou em entrevista exclusiva ao TELETIME que a venda da participação na V.tal representa a maior fonte de recursos para a empresa, porém, a negociação dos imóveis é mais complexa devido ao perfil heterogêneo dos ativos.


Criação de veículo para gestão dos imóveis

Uma das novidades do aditamento é a proposta de criação de um veículo específico para gestão dos imóveis da Oi. Essa estrutura permitiria a transferência dos ativos imobiliários para o novo veículo, que poderia, por sua vez, distribuir participação societária aos credores como forma de pagamento proporcional dos créditos devidos.

Essa estratégia representa uma mudança significativa no plano vigente, que agora destina os primeiros R$ 600 milhões oriundos das vendas para as operações da Oi — um valor superior aos R$ 100 milhões previstos anteriormente.


Impactos para credores e repactuação do plano

A repactuação apresentada tem como foco principal os credores trabalhistas e fornecedores, com o objetivo de preservar o caixa da empresa e oferecer novo fôlego financeiro para a continuidade das operações da tele. Como parte da estratégia, a Oi solicitou à Justiça uma tutela antecipada para suspender por 180 dias as obrigações do plano vigente, além da suspensão das execuções judiciais contra empresas do grupo.


Prazos e descontos para fornecedores

O plano prevê o pagamento de fornecedores até 2038, incluindo aqueles que atuam sob contratos do tipo “take or pay” — que obrigam a Oi a pagar independentemente da utilização dos serviços. Para esse grupo, há previsão de descontos que variam de 20% a 62% nos valores devidos entre 2024 e 2027, além da possibilidade de rescisão de contratos.


Tratamento diferenciado para credores trabalhistas

No caso dos credores trabalhistas, o aditamento prevê que a Oi possa levantar junto à Justiça do Trabalho os depósitos recursais que garantem créditos concursais dessa natureza. Metade desses recursos seria destinada ao pagamento dos ex-funcionários, enquanto a outra metade reforçaria o capital de giro da companhia.

A empresa propõe ainda a criação de um Veículo de Direitos Creditórios, onde os direitos sobre os depósitos trabalhistas seriam aportados, e os credores poderiam receber participação societária, configurando um mecanismo alternativo para o pagamento dos débitos.


Opções de adesão para credores trabalhistas

Oi encerra programa de fidelidade

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Para essa classe de credores, a Oi apresenta duas modalidades de adesão:

  • Pagamento rápido: até R$ 9 mil em até seis meses após a homologação do novo plano, com reserva orçamentária de R$ 30 milhões.
  • Pagamento parcelado: valor limitado a 150 salários mínimos, com prazo de até três anos para quitação.

Importante destacar que os créditos trabalhistas relacionados à Fundação Atlântico não estão incluídos na repactuação. Na assembleia para aprovação do aditamento, somente os credores diretamente afetados poderão votar.


Próximos passos e aprovação pelos credores

A nova proposta da Oi está em tramitação na Justiça e ainda depende da aprovação dos credores para ser implementada. A empresa reforça que a medida visa garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo e viabilizar a continuidade dos serviços prestados aos clientes.

A expectativa é que, com a captação dos recursos previstos e a reestruturação dos passivos, a Oi possa superar os desafios financeiros e recuperar sua competitividade no mercado de telecomunicações brasileiro.

Imagem: Fernando Dias Fotografia / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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