A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS começa seus trabalhos em meio a forte disputa política. Instalada para apurar denúncias de um esquema bilionário de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, a comissão já registrou 826 requerimentos até a véspera de sua primeira sessão.
O levantamento inicial mostra que a oposição ao governo Lula domina as movimentações, com foco em quebras de sigilo de autoridades e dirigentes ligados à Previdência.
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.
Leia mais: Saiba como atualizar cadastro no INSS, veja
Oposição toma a dianteira

Segundo dados levantados, 80% dos requerimentos foram apresentados por parlamentares da oposição, enquanto apenas 20% partiram da base governista. Os opositores priorizam pedidos de quebra de sigilos bancários, fiscais e de comunicação, além de convocações de ex-ministros e dirigentes de entidades suspeitas de envolvimento nas fraudes.
Entre os principais nomes citados está o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi (PDT), alvo de solicitação de quebra de sigilos bancário e fiscal, além de convocação para depoimento. Também figuram na lista ex-presidentes do INSS e representantes de associações e federações.
Requerimentos em destaque
O senador Izalci Lucas (PL-DF) lidera individualmente o número de pedidos, com 328 requerimentos. Em seguida, aparece a senadora Damares Alves (PL-DF), com 84 solicitações. Do lado governista, o deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou 59 pedidos.
Entre os requerimentos, um dos mais polêmicos envolve José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Frei Chico foi citado em investigações da Polícia Federal relacionadas a fraudes na Previdência. Izalci apresentou três requerimentos contra ele, incluindo pedidos de quebra de sigilo e acesso a relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Base governista mira depoimentos
Diferentemente da oposição, os aliados do governo Lula concentraram seus esforços em convocações para depoimentos. Apenas um pedido de quebra de sigilo foi apresentado pela base, feito pelo deputado Duarte Jr. (PSB-MA), envolvendo o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais investigados nas suspeitas de fraude e já mencionado durante a CPI da Covid.
Apesar das divergências, tanto oposição quanto governistas solicitaram a convocação do atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em alguns casos por convite, em outros por convocação obrigatória.
“Careca do INSS” no alvo da comissão
Outro personagem que deve ocupar espaço central na CPMI é o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”.
Investigações apontam que ele teria movimentado R$ 53,88 milhões recebidos de associações envolvidas no esquema, com repasses milionários a servidores suspeitos de participação nos crimes.
Oposição assume cargos estratégicos
A instalação da CPMI representou uma derrota inicial para o governo, já que a oposição garantiu os cargos mais importantes da comissão. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente, e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) assumiu a relatoria.
Enquanto o presidente tem a função de organizar os trabalhos, marcar sessões e conduzir as votações, o relator é responsável por elaborar o relatório final, que poderá conter pedidos de indiciamento e encaminhamentos ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Planos de investigação

Carlos Viana já antecipou que as primeiras convocações devem incluir servidores técnicos responsáveis pelo controle e liberação de dados da Previdência. O senador reforçou que pretende conduzir os trabalhos sem transformar a CPMI em palco político:
“Minha grande preocupação é conduzir os depoimentos dentro de um critério técnico que ajude a elucidar o que aconteceu. Não vou permitir que a CPMI se torne palco político para quem quer que seja. A população quer respostas, quer que sejamos efetivos em apontar quem desviou e para onde foi o dinheiro”, declarou Viana.
O relator Alfredo Gaspar afirmou que o plano de trabalho já está praticamente finalizado:
“Sigo com a missão de agir de forma séria, técnica e imparcial. Nosso compromisso é investigar fraudes e desvios que há anos prejudicam quem tanto trabalhou por nosso país: aposentados e pensionistas. O Brasil merece transparência e justiça.”
Fraudes e impactos sobre aposentados
O esquema em investigação envolvia associações de classe que cobravam taxas de aposentados e pensionistas sob a justificativa de oferecer serviços como assessoria jurídica, convênios com academias ou planos de saúde. A suspeita é de que parte significativa desses recursos tenha sido desviada para contas de dirigentes e intermediários, gerando prejuízo milionário aos beneficiários.
Expectativas para a CPMI
Com reuniões agendadas para segundas-feiras à tarde e quintas pela manhã, a CPMI do INSS promete movimentar o cenário político em Brasília. A oposição aposta em desgastar o governo Lula, enquanto a base busca limitar os danos e reforçar a narrativa de que as irregularidades não têm ligação direta com a atual gestão.
Independentemente da disputa política, o desafio central da comissão será garantir transparência e responsabilização dos envolvidos, devolvendo confiança à população que depende da Previdência Social.
Com informações de: UOL




