Pagamento com biometria será o novo normal até 2030; veja o que muda

O modo como os brasileiros realizam compras está prestes a passar por uma transformação profunda. A biometria, antes vista como recurso de segurança ou ferramenta de autenticação em celulares, desponta agora como a grande aposta das empresas de tecnologia e do setor financeiro para redefinir os pagamentos até 2030.

Especialistas e gigantes do setor, como Mastercard, C&A e startups como Okto e Treeal, apontam a biometria como a tecnologia mais promissora da próxima década.

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Crescimento dos pagamentos digitais no Brasil

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Revolução liderada pelos smartphones

Nos últimos dez anos, os pagamentos por smartphones cresceram exponencialmente. De acordo com o Global Payments Report 2025, o valor transacionado em lojas físicas por celulares saltou de US$ 1,2 trilhão em 2014 para US$ 14,2 trilhões em 2024. E a projeção é ainda mais ousada: espera-se que esse número alcance US$ 25 trilhões até 2030.

Essa revolução, no entanto, está apenas começando. A próxima etapa desse avanço pode eliminar a necessidade de dispositivos como smartphones, substituídos pelo pagamento direto por meio da biometria — seja facial, da retina, da palma da mão ou da digital.

Biometria como próximo passo nos pagamentos

Uma tecnologia que alia segurança, velocidade e simplicidade

A biometria vai muito além de uma tendência. Ela resolve simultaneamente três desafios históricos dos meios de pagamento: segurança, simplicidade e agilidade. Leonardo Chaves, general manager Latam da Okto, enfatiza que a biometria não é um modismo, mas sim uma solução que responde diretamente às expectativas do consumidor moderno.

“A biometria será uma das tecnologias mais relevantes da próxima década no Brasil”, afirma Chaves.

Experiência da C&A como exemplo pioneiro

A C&A tem sido uma das pioneiras na adoção da biometria como método de pagamento. Em 2024, a varejista superou a marca de sete milhões de cartões digitais emitidos por meio do C&A Pay. Em todas as suas lojas, clientes puderam pagar utilizando apenas o reconhecimento facial, dispensando cartões ou celulares.

Essa inovação está diretamente ligada ao desejo de tornar a jornada de compra mais fluida e eficiente. Fernando Brossi, VP de operações da C&A, destaca que os resultados já são visíveis, inclusive com queda na inadimplência graças à parceria com a Meta para pagamentos via WhatsApp.

Pagamentos sem senha: a promessa da Mastercard

Extinção das senhas como objetivo até 2030

A Mastercard, por sua vez, quer ir além. A meta da empresa é eliminar completamente o uso de senhas nos pagamentos até 2030.

Para isso, investe pesadamente em biometria comportamental, uma tecnologia que analisa padrões como o movimento dos olhos, o posicionamento da câmera e outros detalhes para autenticar o usuário.

Leonardo Linares, VP de produtos da Mastercard Brasil, afirma que a biometria será a chave para garantir uma experiência segura e instantânea, tanto no mundo físico quanto online:

“Não será mais necessário sair com cartão ou celular. A biometria vai gerar uma experiência tão rápida quanto o pagamento por aproximação.”

Infraestrutura, adesão e confiança do consumidor

Desafio de escalar a tecnologia

Apesar do potencial, a biometria ainda enfrenta alguns entraves para se tornar dominante no Brasil. O principal deles é a infraestrutura dos estabelecimentos comerciais, que precisam estar equipados com dispositivos seguros e compatíveis com essa nova tecnologia.

Além disso, a confiança do consumidor é um fator crucial. Segundo o Barômetro da Segurança Digital, realizado pela Mastercard e o Datafolha, 80% dos brasileiros acreditam que a biometria é mais segura do que PIN ou senhas.

“A tecnologia está pronta, mas precisa ser aceita pelos emissores, integrada aos sistemas e adotada com confiança”, observa Chaves.

Papel das empresas na educação digital

A disseminação da biometria depende também da educação digital do consumidor. As empresas reconhecem que é preciso comunicar os benefícios de forma clara, desmistificando a tecnologia e assegurando que ela protege os dados pessoais dos usuários.

“A educação digital será essencial para o avanço da biometria”, afirma Brossi, da C&A.

Marco regulatório e ecossistema de inovação

LGPD, Pix e Open Finance: um cenário favorável

O Brasil está em posição privilegiada para liderar essa transformação. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) proporciona segurança jurídica para o tratamento de dados biométricos. Além disso, o Pix e o Open Finance criaram um ambiente de inovação constante no sistema financeiro nacional.

João Santos, CEO da Treeal, destaca que a biometria não é apenas uma camada de segurança:

“Ela é parte de uma jornada mais fluida e inteligente, com menos etapas e mais controle para o consumidor.”

Tipos de biometria e viabilidade de adoção em larga escala

Mais promissoras: facial e impressão digital

Entre as modalidades biométricas, o reconhecimento facial e o da impressão digital são os mais promissores no Brasil. Isso se deve ao fato de que a maioria dos smartphones já possui esses sensores, o que facilita a escalabilidade e a familiarização do consumidor com a tecnologia.

Mais desafiadoras: íris e palma da mão

Já as tecnologias de leitura da íris e da palma da mão enfrentam obstáculos como custo elevado, necessidade de infraestrutura específica e baixa aceitação no varejo, apesar de seu potencial técnico.

Futuro dos pagamentos: biometria em primeiro plano

De coadjuvante à protagonista

Segundo o relatório da Worldpay, os smartphones ainda são o centro das atenções no presente, mas o cenário muda rapidamente.

Até 2030, a biometria pode deixar de ser um coadjuvante e se tornar o principal meio de pagamento, eliminando a necessidade de qualquer dispositivo físico. Leonardo Linares, da Mastercard, sintetiza a mudança de paradigma:

“Antes, para ter mais segurança, abríamos mão da conveniência. Agora, com a biometria, conseguimos unir os dois mundos.”

Conclusão: Preparando-se para o pagamento do futuro

O pagamento por biometria não é mais uma possibilidade distante — ele já é uma realidade em expansão. Com infraestrutura em desenvolvimento, regulação sólida, apoio de grandes players e aceitação crescente do consumidor, tudo indica que, até 2030, pagar com um sorriso será algo corriqueiro no Brasil.

A adoção massiva depende agora de três pilares: educação digital, confiança do consumidor e investimento em tecnologia nos pontos de venda. Superados esses desafios, a biometria deve inaugurar uma nova era de conveniência, segurança e eficiência para todos.

Imagem: goffkein.pro / Shutterstock.com