No fim de abril de 2025, notícias alarmantes surgiram em Ciudad del Este, Paraguai: uma fazenda com mineradoras de Bitcoin da empresa Richford SA, controlada pelo empresário francês Andy Louis Ilhan Jazmín, teria sido alvo de um roubo violento.
Roubo de 500 mineradoras no Paraguai: o caso misterioso entre o empresário francês e o suposto autogolpe
Empresa Richford SA afirma que 500 mineradoras de Bitcoin foram roubadas no Paraguai. Agora, surgem suspeitas de possível autogolpe para encobrir fraudes financeiras.
Cerca de 500 rigs de mineração, além de equipamentos eletrônicos e armamentos, teriam sido subtraídos em uma ação com uso de armas e violência contra seguranças.
No entanto, à medida que a investigação avança, alimenta-se a hipótese de que o incidente possa ter sido arquitetado pelo próprio dono — configurando um suposto autogolpe — com o objetivo de encerrar investigações por possíveis fraudes financeiras. A seguir, investigamos o caso em detalhes, com apuração de fontes, documentação oficial e informações técnicas.
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Cenas de violência e subtração em massa
De acordo com relatos iniciais e registros policiais, no dia do roubo, homens fortemente armados invadiram a fazenda da Richford SA, renderam os guardas e retiraram das instalações cerca de 500 máquinas de mineração de Bitcoin, juntamente com dispositivos como tablets, notebooks, celulares, equipamentos de monitoramento (CFTV e Wi-Fi) e até um revólver calibre 38, pertencente à empresa de segurança SIT Paraguai.
Empresa legalizada e legitimidade aparente
A Richford SA foi formalmente registrada junto à Administración Nacional de Electricidad (ANDE) em 2023, o que a colocaria em condição regular de operação no país.
Sua base está estrategicamente localizada próxima à fronteira com o Brasil, onde a energia elétrica é frequentemente usada para alimentar grandes operações de mineração.
Suposto autogolpe — suspeitas de crimes financeiros

Divulgações do portal laClave
Fontes do portal laClave apresentaram detalhes que lançam sombra sobre o caso. Uma advogada local teria acionado a Justiça paraguaia para requerer reanálise do roubo, questionando tanto a narrativa do empresário quanto a integridade dos investigadores.
- O empresário estaria hospedado no luxuoso Hotel Paraná Country Club, quando o suposto roubo teria sido planejado, segundo a advogada ;
- Há relatos de máquinas plantadas no local para simular furto;
- O juiz e procurador do caso estariam supostamente envolvidos em manipulação de provas.
Intervenção de testemunhas policiais
Agentes da investigação afirmam que o empresário foi flagrado operando o equipamento de mineração — um indicativo de que possivelmente conhecia a dinâmica e localização dos rigs “roubados”. Esses testemunhos emergiram como uma das principais evidências do que poderia ser um caso forjado.
Quem é Andy Louis Ilhan Jazmín?
Perfil do empresário
Com 26 anos, Andy é natural da França, mas reside em Assunção, no Paraguai, onde fundou a Richford SA. Ele figura como proprietário da fazenda de mineração próxima à fronteira e foi identificado como vítima do ataque. Desde o episódio, tem afirmado que o roubo é real e “força a investigação imediata”.
Envolvimento institucional
A mencionada advogada responsável por questionar o caso afirma haver conivência entre o dono da empresa e autoridades locais — um tipo de rede de operadores que pretendem proteger interesses financeiros possivelmente ilegítimos.
Bens levados e segurança comprometida
Detalhamento do furto
Além das 500 mineradoras, o assalto resultou em perda de:
- 2 tablets Redmi cinza;
- 1 notebook HP preto;
- 1 iPhone XS dourado;
- 2 celulares Samsung (A14 preto; Core 01 azul);
- 1 LG K22 cinza;
- Circuitos de CFTV;
- Acessórios Wi‑Fi;
- Revólver calibre 38 da SIT Paraguai.
Fragilidade da operação de segurança
O fato de a invasão ter sido uma ação com violência e domínio imediato sobre guardas levanta questões sobre a real força do esquema do local. A rapidez da operação deixa espaço para a hipótese de colaboração interna ou planejamento avançado dos suspeitos.
O cenário legal e investigativo no Paraguai
Investigação judicial em curso
O caso está sob apuração oficial, com envolvimento de juízes, promotorias e forças policiais. A advogada da parte interessada protocolou petições pedindo revisão da investigação, baseadas em possíveis indícios de falsa comunicação e fraude jurídica.
Possibilidade de crime passional ou fraude financeira
A suspeita declarada é que o empresário tenha forjado o roubo para desviar atenção de auditorias ou investigações pregressas que interrogassem o uso de energia e movimentações financeiras da empresa — tese corroborada por matéria do portal laClave.
Efeitos no mercado de cripto e mineração
Riscos jurídicos e reputacionais
Se confirmada a tese de autogolpe, o caso poderia desencadear:
- Prisão preventiva de executivos;
- Perda de licenciamento na ANDE;
- Dificuldades de financiamento extra ou aquisição de energia.
Prejuízo para confiança do setor
A operação visava sequestrar centenas de equipamentos de mineração — ativos considerados caros e estratégicos no mercado de criptomoedas. Escândalos como esse afetam a confiança de investidores internos e estrangeiros no ambiente regulatório paraguaio, impactando futuros negócios.
Contexto regional: mineração no Paraguai em alta
Crescimento na mineração latino-americana
O Paraguai se destacou recentemente por sua energia barata e legislação flexível, atraindo players da mineração. Richford SA seria uma atividade de médio porte voltada ao mercado internacional.
O ambiente de risco e regulação recente
Apesar de atrativo, o país carece de uma estrutura investigativa robusta para crimes sofisticados como esse, aumentando a vulnerabilidade a golpes, fraudes ou roubo de ativos de alto valor.
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As linhas de investigação abertas
Laudo técnico pericial
Testemunhos policiais e imagens de segurança precisam ser cruzados com laudos periciais das áreas físicas e digitais, determinando:
- Sequência de acesso;
- Manipulações de dados ou plantio de evidências;
- Integridade dos registros de acesso ao local.
Monitoramento das movimentações da Richford
Investigações financeiras podem identificar:
- Registro de venda das mineradoras à terceiros;
- Sinais de movimentação de dinheiro provido pelo roubo, convertido em cripto;
- Vínculos suspeitos entre investigados e autoridades.
Narrativas em disputa — crime real ou autogolpe?
Defesa do empresário
Andy afirma estar sendo vítima de assalto violento, confia no sistema de Justiça e espera recuperar seus equipamentos, pedindo punição aos criminosos.
Acusações da advogada
A defesa da versão de que houve autogolpe contesta a localização do empresário em hotel luxuoso e manipulação das instalações, apontando para anomalias na investigação.
O futuro do caso
Prazos e próximos passos
Espera-se que, nos próximos meses:
- Audiências esclareçam as testemunhas policiais e investigativas;
- Exames periciais sejam concluídos;
- Justiça decida sobre manutenção da regularidade da Richford no registro da ANDE.
Efeitos econômicos
Se for comprovado o golpe, a pena poderá remover a empresa do ambiente regulado. Do lado oposto, se for provado roubo, deve atrair novos investimentos de segurança ao setor.
Considerações finais

O caso da Richford SA coloca em xeque não apenas os mecanismos de segurança na mineração de criptomoedas no Paraguai, mas também a integridade de um empresário francês que pode estar protagonizando um autogolpe para desviar atenção de investigações sensíveis. Com retirada de 500 mineradoras — equipamentos de alto valor —, o episódio serve como alerta para:
- Necessidades de procedimentos robustos de segurança;
- Papel da função pública de investigadores e promotores;
- Como relatos de crime podem mascarar intenções empresariais.
Para o setor de mineração, a mensagem é clara: é urgente fortalecer a confiança e credibilidade por meio de transparência, regulação e defesa técnica. Aguarda-se que as conclusões do Paraguai sirvam de aprendizado regional ao ecossistema cripto.
