Greve de ônibus em BH entra no segundo dia com três linhas sem circular

O segundo dia de paralisação dos motoristas do transporte público de Belo Horizonte causou transtornos nesta quarta-feira (25), afetando ao menos 20 linhas de ônibus. A mobilidade urbana na capital mineira ficou comprometida, com linhas totalmente ou parcialmente fora de operação. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) confirmou que parte dos itinerários é operada em regime compartilhado e, apesar da greve, algumas viagens estão sendo mantidas.

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Linhas totalmente paralisadas e parcialmente afetadas

Ônibus
Imagem: Juliana F Rodrigues/ Shutterstock

Segundo a PBH, as linhas 103, 205 e 4106 estão totalmente paralisadas. Já outras 17 linhas operam com redução parcial do serviço. A seguir, o balanço atualizado das linhas e o percentual de viagens realizadas até às 6h da manhã:

  • Linha 66 – 100%
  • Linha 102 – 25%
  • Linha 103 – 0%
  • Linha 205 – 0%
  • Linha 608 – 100%
  • Linha 626 – 95%
  • Linha 4102 – 6%
  • Linha 4103 – 24%
  • Linha 4106 – 0%
  • Linha 5104 – 73%
  • Linha 6350 – 100%
  • Linha 8106 – 50%
  • Linha 8107 – 15%
  • Linha 8150 – 14%
  • Linha 8350 – 69%
  • Linha 8401 – 100%
  • Linha 8405 – 57%
  • Linha 8501 – 55%
  • Linha 9030 – 13%
  • Linha 9204 – 50%
  • Linha 9403 – 50%
  • Linha 9415 – 50%
  • Linha 9501 – 81%
  • Linha 4801A – 89%

Prefeitura e Sumob buscam soluções

A Superintendência de Mobilidade Urbana (Sumob) segue em articulação com os consórcios que operam o transporte para tentar normalizar os serviços. Segundo nota da prefeitura, “a Sumob permanece em contato com os consórcios responsáveis para que as medidas necessárias sejam tomadas e a operação das linhas seja restabelecida”.

Agentes da Sumob, BHTrans e da Guarda Civil Municipal atuam nas estações e nos pontos finais das linhas afetadas. O objetivo é orientar os usuários, garantir segurança e tentar minimizar os impactos à população.

Linhas que voltaram a circular nesta quarta-feira

Apesar do cenário de greve, algumas linhas apresentaram melhora significativa nesta quarta-feira. De acordo com o SetraBH (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte), as linhas 66, 608, 6350 e 8401, que operaram de forma parcial na terça-feira (24/6), já retomaram suas atividades normalmente.

A linha 626 apresentou apenas uma omissão de viagem e também está em quase plena operação.

Justiça determina funcionamento parcial da frota

A paralisação dos motoristas acabou judicializada. O Setra-BH recorreu à Justiça na tentativa de garantir ao menos o funcionamento parcial da frota. Na tarde de terça-feira, o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) acatou o pedido e emitiu uma liminar favorável às empresas.

Decisão judicial estabelece:

  • Obrigatoriedade de circulação de no mínimo 70% da frota
  • Multa diária de R$ 50 mil ao sindicato dos trabalhadores em caso de descumprimento
  • Proibição de bloqueios a motoristas que desejem trabalhar

Retomada gradual da circulação

Segundo informações do SetraBH, por volta das 9h30 desta quarta-feira, os ônibus começaram a retornar gradualmente às ruas. “Em cumprimento à decisão judicial, todos os motoristas retornaram ao trabalho, para garantir a circulação de 100% da frota”, afirmou o sindicato em nota.

A entidade também reiterou seu compromisso com a normalização do transporte público e destacou o papel social do serviço em uma cidade do porte de Belo Horizonte.

Alternativas para passageiros prejudicados

Usuários das linhas mais afetadas pela paralisação têm buscado alternativas para seus deslocamentos. A PBH divulgou recomendações para as principais linhas impactadas:

Linha 4106

  • São Cristóvão: Utilizar linhas que passam pela Av. Antônio Carlos em direção ao Centro.
  • Santo Antônio: Alternativa é a linha 5102.

Linha 205

  • Estação Calafate: Utilizar a linha suplementar S22 ou acessar a Av. Tereza Cristina pela passarela e embarcar na linha 4150.
  • Av. Barão Homem de Melo: Recomendada a linha 8208.

Linha 103

  • Opera dentro de comunidade no sistema Vilas e Favelas. Atualmente, está totalmente paralisada.

Impactos financeiros e penalizações

A PBH informou que todas as viagens não realizadas serão devidamente autuadas, com base nos termos contratuais. Além disso:

  • Não haverá pagamento de remuneração complementar às concessionárias pelas viagens não realizadas;
  • A medida segue os critérios da Lei 11.458/23 e do Decreto 18.370/23, que tratam da confiabilidade do sistema de transporte público.

Repercussão entre trabalhadores e usuários

A paralisação reacendeu o debate sobre condições de trabalho, remuneração e qualidade do transporte público. Nas redes sociais, passageiros relataram atrasos, superlotação em linhas em operação e dificuldades para chegar ao trabalho.

Por outro lado, representantes dos trabalhadores afirmam que a greve tem relação com reivindicações antigas que ainda não foram atendidas. O movimento grevista cobra melhorias salariais, revisão de jornadas e segurança para os motoristas.

Novos ônibus para a Cidade Administrativa

Como tentativa de minimizar os impactos, o governo estadual anunciou o lançamento de novos ônibus para atender servidores da Cidade Administrativa. A medida busca aliviar a pressão sobre o sistema urbano e garantir o deslocamento dos trabalhadores públicos.

Expectativa é de normalização nas próximas horas

Com o retorno gradual dos motoristas ao trabalho e a pressão da decisão judicial, a expectativa das autoridades e da população é de que o transporte público seja normalizado ainda nesta quarta-feira.

A Sumob informou que continuará monitorando a situação em tempo real e ajustando o planejamento operacional das linhas, priorizando os corredores de maior demanda.

O que diz a legislação sobre o transporte coletivo

A Lei Federal nº 12.587/2012, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana, estabelece que o transporte público é um serviço essencial. Em caso de paralisações, é obrigatória a manutenção mínima do serviço, garantindo o direito de ir e vir da população.

Decisões judiciais como a do TRT-3 refletem esse entendimento, ao preservar o funcionamento parcial da frota e coibir abusos de ambos os lados — tanto do patronato quanto do sindicato laboral.

O cenário nas próximas semanas

Ônibus
Imagem: Arquivo Agência Brasil / Reprodução

Analistas locais avaliam que, apesar da liminar, o impasse entre empresas e trabalhadores deve continuar. Reuniões entre representantes sindicais, governo municipal e operadores do sistema de transporte já estão sendo organizadas para discutir melhorias salariais e operacionais.

Enquanto isso, a PBH deve intensificar a fiscalização e aplicar sanções previstas em contrato a empresas que não cumprirem os percentuais exigidos de operação.

Conclusão

A paralisação dos motoristas de ônibus em Belo Horizonte expôs mais uma vez a fragilidade do sistema de transporte público diante de impasses trabalhistas. Com forte impacto sobre milhares de passageiros, a mobilização forçou a atuação rápida da Justiça e do poder público para garantir o mínimo de operação das linhas. Embora parte dos serviços tenha sido restabelecida, o episódio evidencia a necessidade de diálogo contínuo entre trabalhadores, empresas e autoridades para que o direito à mobilidade urbana não seja comprometido em momentos de crise.