Petrobras quer atrair motoristas de aplicativo para terceirizadas
A Petrobras enfrenta atualmente um desafio que parece positivo, mas traz preocupações para a execução de seus ambiciosos planos de expansão: a escassez de mão de obra qualificada. Em meio a um cenário de quase pleno emprego no país, a estatal vem buscando alternativas para suprir a carência de profissionais como soldadores, eletricistas e caldeireiros. Uma das estratégias adotadas é a formação de parcerias para capacitação e a tentativa de atrair de volta profissionais que migraram para empregos informais nos últimos anos.
📌 DESTAQUES:
Petrobras aposta em qualificação e ex-funcionários para suprir vagas e manter investimentos até 2029.
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Investimentos bilionários e geração de empregos
Na quinta-feira (3), durante apresentação a jornalistas, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, revelou detalhes do plano de investimentos da companhia. A estatal projeta destinar mais de R$ 33 bilhões até 2029 apenas para o setor de refino e a indústria petroquímica no estado do Rio de Janeiro.
O pacote de investimentos prevê a criação de 38 mil empregos diretos e indiretos, além de mais de 100 mil postos de trabalho temporários em atividades de manutenção programada. No entanto, a dificuldade de preencher essas vagas é um entrave que pode comprometer a execução dos projetos no ritmo planejado.
Pleno emprego e escassez de profissionais
Magda Chambriard destacou que o país já vive uma realidade próxima ao chamado pleno emprego, termo utilizado por economistas para descrever um cenário em que todas as pessoas aptas e dispostas a trabalhar conseguem encontrar ocupação.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,2% no trimestre encerrado em maio de 2025 — o menor índice para esse período desde 2012.
Além disso, o número de desalentados, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego, também atingiu o menor nível desde 2016, reforçando a escassez de força de trabalho disponível no mercado.
Profissionais migraram para empregos informais
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou que a estatal vem enfrentando uma “boa dificuldade”, justamente por estar operando em um mercado onde há pouco desemprego.
Ela relatou que muitos profissionais qualificados deixaram o setor nos últimos anos por falta de oportunidades e migraram para ocupações informais, como motoristas de aplicativo. Agora, a Petrobras tenta trazê-los de volta.
“Muita gente foi para o Uber. Então, vamos ver se a gente consegue trazer o pessoal de volta do Uber para a obra”, afirmou Baruzzi.
Segundo a diretora, soldadores experientes e outros profissionais qualificados já começaram a retornar às atividades do setor industrial, impulsionados pelas melhores condições oferecidas pelas empresas contratadas da Petrobras.
Vantagens do emprego formal e apoio social
Uma das exigências da estatal para empresas terceirizadas é a oferta de plano de saúde aos trabalhadores contratados, o que pode ser um atrativo frente à instabilidade da informalidade.
Além disso, a Petrobras aposta em programas de inclusão e capacitação social. O destaque é o Programa Autonomia e Renda, voltado à qualificação de beneficiários do Bolsa Família, que poderão ingressar em obras da estatal ou atuar em manutenções de refinarias.
Renata Baruzzi informou que a empresa já possui parcerias com entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para qualificação técnica da população.
“A nossa ideia é que retire esse pessoal do Bolsa Família para que possa trabalhar não só nas nossas obras, como nas paradas de manutenção que têm nas refinarias”, declarou.
Salários atrativos impulsionam retorno
Outro fator que pode ajudar a Petrobras a atrair profissionais qualificados é a remuneração competitiva. Segundo o diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França, os salários variam amplamente, mas alguns postos chegam a pagar acima de R$ 30 mil por mês.
Exemplos de remuneração média:
- Inspetor de solda: R$ 10 mil
- Planejador com conhecimento em software: R$ 25 mil ou mais
- Técnicos especializados em guindastes e elevação de cargas: entre R$ 15 mil e R$ 30 mil
França explicou que os valores elevados são justificados pela alta especialização exigida, além do ambiente complexo em que os profissionais atuam.
“É gente muito boa, qualificada, que a gente está precisando, porque nós estamos investindo”, enfatizou o diretor.
Onde estão as vagas e como se preparar
Embora o pacote atual de investimentos esteja concentrado no estado do Rio de Janeiro, a falta de mão de obra qualificada tem sido percebida também em outros estados, especialmente aqueles com polos industriais e operações da Petrobras, como São Paulo, Bahia e Espírito Santo.
Principais áreas com demanda:
- Refinarias (manutenção e operação)
- Indústria petroquímica
- Construção civil industrial
- Plataformas offshore
- Logística e transporte de insumos
Perfis profissionais mais buscados:
- Soldadores
- Caldeireiros
- Eletricistas industriais
- Mecânicos e técnicos em manutenção
- Engenheiros de processos e planejadores de obra
Como se qualificar:
- Cursos técnicos em parceria com SENAI e Firjan
- Certificações específicas exigidas por empresas contratadas (ex: NR-10, NR-35, solda industrial)
- Experiência comprovada em áreas similares pode ser diferencial decisivo
- Participação no Programa Autonomia e Renda da Petrobras
O desafio de reconstruir a cadeia produtiva
O atual cenário positivo, com baixa taxa de desemprego e expansão dos investimentos, também evidencia os impactos da desindustrialização parcial sofrida nos anos anteriores. O setor de óleo e gás, bastante afetado por crises políticas e econômicas, perdeu muitos trabalhadores para atividades informais ou outras indústrias menos técnicas.
Agora, a Petrobras se vê diante do desafio de reconstituir sua cadeia produtiva e técnica, garantindo não apenas número suficiente de profissionais, mas também a qualidade e segurança operacional exigida pelo setor de energia.
Expectativas para o futuro
Com os novos investimentos programados, a Petrobras sinaliza um novo ciclo de crescimento e valorização do trabalho técnico no Brasil. A companhia espera que o aumento da demanda por profissionais especializados estimule um novo movimento de capacitação e retorno à formalidade.
Além disso, a estatal acredita que os programas sociais e de qualificação terão papel essencial para inclusão de milhares de brasileiros no setor, criando oportunidades reais de renda, estabilidade e desenvolvimento regional.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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