Após dois dias de fortes quedas, os preços internacionais do petróleo ensaiam uma recuperação nesta quarta-feira (25), com os mercados reagindo a uma combinação de fatores geopolíticos e sinais de demanda global.
A leve alta ocorre após uma sequência de perdas provocadas pelo agravamento das tensões entre Israel e Irã, o que gerou incertezas no setor energético e pressionou investidores.
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Por volta das 9h50 (horário de Brasília), o barril de petróleo tipo Brent – referência global do mercado – registrava alta de 0,7%, cotado a US$ 66,63. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência no mercado dos Estados Unidos, subia 0,95%, alcançando US$ 64,98.
Reação parcial após forte queda
Mesmo com a recuperação, os valores ainda estão bem abaixo do patamar observado antes do início da semana. No acumulado dos últimos dois dias, os preços despencaram mais de 13%, com o Brent recuando cerca de 7% na segunda (23/6) e mais 6% na terça-feira (24/6).
A queda expressiva refletiu a reação imediata do mercado diante da possibilidade de um conflito militar mais intenso no Oriente Médio, somada a dúvidas sobre a demanda global por petróleo.
O que causou a queda nos preços do petróleo?
Impacto das tensões entre Israel e Irã
As tensões diplomáticas e militares envolvendo Israel e Irã aumentaram a volatilidade nos mercados de energia. Inicialmente, o temor era de que o confronto comprometesse o fornecimento de petróleo na região, responsável por uma parcela significativa da produção global.
Contudo, analistas destacam que, até o momento, não houve impacto direto na infraestrutura de produção ou transporte, o que amenizou os efeitos sobre a cotação nos últimos pregões.
“Embora as preocupações com o fornecimento do Oriente Médio tenham diminuído por enquanto, elas não desapareceram completamente”, afirmou o ING em nota a seus clientes.
Alívio temporário, mas incertezas persistem
O alívio momentâneo na cotação indica que o mercado precifica uma redução do risco imediato. No entanto, as ameaças de novos confrontos ou represálias na região ainda geram instabilidade e podem provocar oscilações nas próximas semanas.
Demanda global e reservas também influenciam o mercado
Sinais de desaceleração econômica
Além da geopolítica, o mercado também foi influenciado por indicadores econômicos globais que sinalizam uma possível desaceleração da demanda por petróleo. Relatórios recentes sugerem que o ritmo de crescimento na China e nos Estados Unidos pode estar enfraquecendo, o que reduz a perspectiva de consumo energético.
Aumento nos estoques dos EUA
Outro fator que pressionou os preços nos últimos dias foi o relatório do Instituto Americano de Petróleo (API), indicando aumento inesperado nos estoques de petróleo bruto dos EUA, o que costuma ser interpretado como sinal de menor demanda.
Esse dado reforça a percepção de que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda está instável, o que aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer novo fator externo.
Perspectivas para os próximos dias
Volatilidade deve continuar
Diante de um cenário geopolítico ainda delicado, analistas apontam que o mercado de petróleo deve permanecer volátil. A retomada da alta nesta quarta-feira é vista como uma correção técnica após o forte tombo dos últimos dias.
“O avanço do petróleo nesta manhã mostra que há espaço para recuperação, mas isso depende diretamente da estabilidade geopolítica e dos dados de demanda nas principais economias”, analisou uma fonte do setor energético.
Decisões da Opep+ em pauta
Outro fator que pode influenciar os preços nos próximos dias é a movimentação da Opep+, grupo que reúne os maiores países produtores de petróleo. Há expectativa de revisões na produção para ajustar a oferta ao atual nível de demanda.
Caso o cartel anuncie cortes na produção, isso pode limitar novas quedas ou impulsionar os preços, sobretudo se o cenário no Oriente Médio continuar instável.
Entenda a diferença entre Brent e WTI
Brent
O Brent é extraído no Mar do Norte e serve como referência para o mercado europeu e global. Ele tem maior liquidez internacional e é mais sensível a questões geopolíticas, principalmente aquelas que envolvem o Oriente Médio.
WTI
Já o WTI é o petróleo dos campos nos Estados Unidos, principalmente do Texas. Costuma ter preço levemente inferior ao Brent, por ser mais voltado ao mercado interno americano. Também sofre influência de dados econômicos dos EUA, como estoque, demanda interna e produção local.
Como as oscilações do petróleo afetam o Brasil?
Combustíveis e inflação
O Brasil utiliza o Brent como referência para precificação dos combustíveis, o que significa que qualquer oscilação relevante impacta os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha. Uma queda nos preços internacionais tende a pressionar por reduções nas refinarias, enquanto altas podem antecipar aumentos ao consumidor final.
Política de preços da Petrobras
Desde o início de 2023, a Petrobras alterou sua política de preços, adotando uma estratégia que considera custos de produção nacional, importações e variações do câmbio, além da cotação internacional.
Mesmo assim, o Brent continua influenciando as decisões da estatal e o mercado acompanha de perto cada movimentação.
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Riscos geopolíticos continuarão no radar
Com o Oriente Médio em foco e tensões persistentes envolvendo grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Rússia, o cenário de instabilidade tende a permanecer. Qualquer escalada nos conflitos pode rapidamente impactar o petróleo.
Crescimento global é fator-chave
Por outro lado, a demanda global continuará sendo o principal motor de sustentação dos preços. Caso as economias centrais mostrem resiliência, os preços podem se recuperar. Em caso de recessão ou crescimento abaixo do esperado, o barril pode seguir em baixa.
Considerações finais
Após uma sequência de perdas expressivas, o petróleo inicia esta quarta-feira com leve alta, em um movimento que parece mais uma correção técnica do que uma tendência consolidada.
O cenário continua cercado por incertezas geopolíticas e econômicas, o que torna o comportamento das cotações bastante sensível a novos desdobramentos.
Investidores e analistas seguem atentos às decisões da Opep+, aos relatórios de estoques e à situação entre Israel e Irã, fatores que devem ditar o rumo dos preços nas próximas semanas.