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Megaoperação PF-FBI desarticula esquema internacional de pirâmide com Bitcoin que lesou mais de 100 mil pessoas

Polícia Federal e FBI deflagram operação contra esquema de pirâmide com Bitcoin que prometia 11% ao mês. Empresário brasileiro é acusado de desviar mais de R$ 1,6 bilhão em golpe internacional.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira4 min de leitura
Bitcoin

A Polícia Federal do Brasil deflagrou, em parceria com agências de segurança dos Estados Unidos, a Operação Fantasos, uma das maiores ofensivas contra crimes financeiros com criptomoedas já realizadas na América Latina.

O alvo principal da investigação é Douver Torres Braga, um brasileiro apontado como mentor de um sofisticado esquema de pirâmide financeira travestido de plataforma de investimentos com Bitcoin.

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Ação coordenada em território nacional

Cerca de 50 agentes da PF participaram da execução de 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Petrópolis e Angra dos Reis, ambos no estado do Rio de Janeiro.

Além disso, a Justiça Federal determinou o bloqueio e sequestro de bens que somam até R$ 1,6 bilhão, valor equivalente ao montante estimado desviado pelo esquema entre os anos de 2016 e 2018.

Cooperação internacional

A operação também contou com apoio do FBI (Federal Bureau of Investigation), da HSI (Homeland Security Investigations) e do IRS-CI (Internal Revenue Service Criminal Investigation), todos órgãos norte-americanos especializados em investigação criminal e financeira.

O objetivo da cooperação é traçar a rota do dinheiro, identificar novos envolvidos e viabilizar a recuperação dos recursos desviados.

Trade Coin Club: promessas irreais de lucros com criptomoedas

A Trade Coin Club (TCC), empresa fundada por Braga, se apresentava como uma plataforma de negociação automatizada de criptomoedas. A empresa prometia rendimentos fixos de até 11% ao mês com o uso de um “robô de microtransações massivas”.

Para atrair novos investidores, utilizava uma estrutura de marketing multinível, recompensando indicações e formação de redes de afiliados.

O modelo de pirâmide

Apesar da roupagem de sofisticação tecnológica, a TCC funcionava como uma clássica pirâmide financeira. Os lucros dos primeiros investidores eram pagos com os aportes dos novos entrantes, sem que houvesse de fato qualquer negociação real de ativos digitais.

O ciclo se sustentou até que o fluxo de novos participantes diminuiu, inviabilizando os saques e revelando a farsa.

Prisão e processo nos EUA

Douver Braga foi localizado na Suíça em fevereiro deste ano, onde foi preso pela Interpol a pedido das autoridades norte-americanas. Após o cumprimento dos trâmites legais, foi extraditado para os Estados Unidos, onde é julgado por 13 acusações de fraude eletrônica e conspiração.

Ele se declarou inocente na audiência preliminar realizada no Tribunal Distrital de Seattle. O julgamento está previsto para abril.

Segundo a Securities and Exchange Commission (SEC), Braga teria desviado, apenas em bitcoins, o equivalente a mais de US$ 55 milhões — cerca de 8.396 BTC. Os recursos foram transferidos para contas pessoais e usados para aquisições de imóveis, carros de luxo e outros ativos de alto valor.

O impacto do golpe

Estima-se que mais de 100 mil investidores tenham sido enganados pela TCC em diferentes países. O golpe teve alcance global, com vítimas nos Estados Unidos, Brasil, Europa e Ásia. Muitos dos afetados eram investidores inexperientes que acreditaram nas promessas de ganhos rápidos e seguros com criptomoedas.

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Diversas vítimas relataram ter perdido economias de uma vida inteira. Alguns contraíram empréstimos para aplicar na suposta plataforma. O impacto emocional também é relevante: relatos apontam casos de depressão, falências pessoais e conflitos familiares decorrentes do prejuízo.

Lições para o mercado cripto

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Imagem: CMP_NZ / Shutterstock

Promessas de rendimentos fixos e elevados, pressão para recrutamento de novos membros e a falta de transparência são sinais clássicos de golpe. A atuação da TCC serve de alerta para que investidores avaliem cuidadosamente oportunidades financeiras e desconfiem de modelos “milagrosos” de enriquecimento.

O caso também levanta discussões sobre a regulação do setor de criptoativos. A ausência de normas claras facilita a ação de golpistas. Propostas de regulação no Congresso Nacional e iniciativas internacionais tentam estabelecer um ambiente mais seguro para o uso e negociação de ativos digitais.

Perspectivas futuras

As autoridades esperam, com a cooperação entre Brasil e EUA, identificar patrimônio adquirido com os recursos desviados e devolver parte dos ativos às vítimas.

No entanto, a natureza volátil das criptomoedas e a utilização de métodos de ocultamento dificultam o processo.

A Operação Fantasos sinaliza um fortalecimento na capacidade de investigação transnacional envolvendo criptoativos. A tendência é que novas ações conjuntas se tornem mais frequentes diante do crescimento dos crimes cibernéticos e financeiros com alcance internacional.

Considerações finais

A investigação que culminou na Operação Fantasos revela como a falta de regulação e o entusiasmo em torno das criptomoedas ainda são usados por criminosos para aplicar golpes milionários. A atuação firme das autoridades brasileiras e americanas mostra que a impunidade não é mais garantida mesmo em crimes digitais.

A esperança é que, com o desmantelamento desse esquema, novas medidas de proteção e educação financeira se tornem prioridade para evitar novas tragédias pessoais e financeiras.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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