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Empresa operava irregularmente: piloto e dono de balão são indiciados por morte em SP

Piloto e dono de empresa de balonismo são indiciados por morte de turista em acidente no interior de SP.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
passeio de balão

O turismo de aventura vive um momento delicado no Brasil após a morte trágica de uma turista durante um voo de balão no interior de São Paulo. O acidente, que envolveu a empresa Aventurar Balonismo, escancarou falhas graves na operação de passeios aéreos e culminou no indiciamento do piloto e do proprietário da companhia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O caso, que chocou o país, levanta questionamentos sobre segurança, fiscalização e responsabilidade no setor.

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Tragédia em Capela do Alto: o que se sabe até agora

queda de balão
Imagem: Reprodução

No dia 15 de junho, um balão que havia decolado da cidade de Boituva (SP), destino conhecido por voos turísticos, caiu no município vizinho de Capela do Alto, a cerca de 20 km de distância. A bordo estavam 33 pessoas, entre elas dois tripulantes. O voo terminou em desastre: o balão tentou pousar diversas vezes sem sucesso, até que o cesto tocou o solo violentamente em duas ocasiões, arremessando quatro passageiros.

Juliana Alves Prado Pereira, de 27 anos, foi a única vítima fatal. A psicóloga, natural de Pouso Alegre (MG), havia viajado com o marido para comemorar o Dia dos Namorados. Ele também ficou ferido, mas recebeu alta no mesmo dia. Outras 11 pessoas precisaram ser hospitalizadas, algumas com ferimentos graves.

Empresa operava sem autorização

A investigação da Polícia Civil de São Paulo revelou que a Aventurar Balonismo não tinha autorização legal para realizar voos comerciais. Segundo a Prefeitura de Boituva, a empresa já havia sido interditada anteriormente por irregularidades, mas continuou operando de forma clandestina, utilizando um novo CNPJ para driblar a fiscalização.

Apesar do histórico problemático, os voos da empresa seguiram ocorrendo. O piloto Fábio Salvador Pereira e o proprietário da companhia, Miguel Antônio Bruder Levia, foram indiciados por homicídio culposo. O inquérito agora está nas mãos do Ministério Público, que decidirá se oferece ou não denúncia à Justiça.

Piloto alega rajada de vento inesperada

Durante depoimento, o piloto Fábio Salvador alegou que a queda foi provocada por uma rajada de vento fora do previsto. No entanto, a Confederação Brasileira de Balonismo informou que todos os voos haviam sido suspensos em Boituva naquele domingo por conta do mau tempo. A Prefeitura local também confirmou que a manhã do acidente era considerada inadequada para voos, reforçando a tese de negligência por parte da empresa.

Miguel Antônio, por sua vez, não compareceu a duas convocações para depor e teve seu nome incluído no inquérito mesmo assim. Já o piloto permanece preso preventivamente desde o acidente.

Segurança em xeque: brechas no setor de turismo de aventura

O caso reacende o debate sobre a segurança de voos turísticos no Brasil, especialmente os realizados por empresas que operam em condições irregulares. Boituva, um dos principais polos do balonismo no país, é responsável por dezenas de voos semanais e já registrou outros acidentes em anos anteriores.

A falta de fiscalização rigorosa, a reabertura de empresas sob novos CNPJs após interdições e a fragilidade na aplicação de penalidades contribuem para um cenário de risco. Segundo especialistas, é preciso haver regras mais rígidas de operação e acompanhamento contínuo das empresas ativas.

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A dor da perda e o impacto emocional

A morte de Juliana causou profunda comoção. Recém-casada e com uma carreira promissora, ela sonhava com o passeio de balão como uma experiência romântica. Em depoimento à imprensa, amigos e familiares descreveram a jovem como uma pessoa alegre e dedicada. O marido, que sobreviveu, ainda se recupera emocionalmente do trauma.

A história trouxe à tona o custo humano da negligência empresarial e provocou uma onda de questionamentos nas redes sociais, com pessoas relatando experiências semelhantes e cobrando mudanças no setor.

Próximos passos: o que acontece agora?

Malhete de juiz de madeira.
Imagem: Zolnierek / Shutterstock.com

Com a conclusão do inquérito, o caso será analisado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que decidirá se apresentará denúncia à Justiça. Se isso ocorrer e a denúncia for aceita, o piloto e o dono da empresa responderão criminalmente por homicídio culposo.

Ademais, o caso pode motivar ações cíveis por parte da família da vítima, bem como processos administrativos contra a empresa junto aos órgãos reguladores e à Justiça do Trabalho, caso haja indícios de vínculos irregulares com tripulantes.

Com informações de: Uol

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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