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O fim do dinheiro vivo? saques caem 40% em 5 anos com a revolução do Pix

Pix completa cinco anos e já substitui o dinheiro em espécie: 70% dos brasileiros usam o sistema e saques caíram 40% desde seu lançamento.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes8 min de leitura
Pix

Há quanto tempo você não ouve o som de uma moeda caindo no balcão ou sente o cheiro do dinheiro novo? Contar notas na mão, hoje, é quase uma lembrança distante.

O Pix, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, completa cinco anos em novembro de 2025. Nesse período, o que começou como uma inovação tecnológica se consolidou como o principal meio de pagamento no país, presente na rotina de mais de 150 milhões de brasileiros.

Em apenas meia década, o Pix mudou profundamente o comportamento financeiro da população, reduziu o uso de dinheiro em espécie e transformou as relações entre consumidores, bancos e comércio.

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Segundo dados do Banco Central (BC), cerca de 70% dos brasileiros afirmam que pouco usam ou já abandonaram o dinheiro físico. Ao mesmo tempo, o número de saques em caixas eletrônicos, bancos e lotéricas caiu cerca de 40% nos últimos cinco anos.

Quando o volume total sacado é ajustado pela inflação, a queda chega a 46%, um indicativo claro de que o papel-moeda perdeu espaço na economia.

Enquanto isso, o Pix — que em 2020 estava presente em 46% da população — agora atinge 77% dos brasileiros, superando cartões de crédito, débito e até transferências bancárias tradicionais (TED e DOC), que praticamente desapareceram do dia a dia.

O que explica a mudança

Para o chefe de gabinete da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Ângelo Duarte, o dinheiro em espécie não desapareceu totalmente, mas “ficou mais parado” na economia.

“A quantidade de dinheiro em circulação diminuiu, sim, mas não na mesma magnitude, porque as pessoas continuam guardando um pouco na carteira, em casa, os comércios também mantêm um pouco. O que mudou é que esse dinheiro circula de forma mais lenta”, explicou Duarte.

Segundo o BC, esse fenômeno é captado pela redução dos saques: o dinheiro existe, mas permanece mais tempo fora do fluxo comercial.

A revolução silenciosa: como o Pix mudou o cotidiano do brasileiro

O impacto do Pix vai além dos números. A mudança é perceptível nas ruas, nos pequenos negócios e até nas relações pessoais.

Uma reportagem da CBN percorreu a cidade de São Paulo e observou que entre os vendedores ambulantes, metade das vendas já é feita via Pix.
Nas lojas de conveniência, esse número cai para 30%, enquanto nos restaurantes, apenas 10% das contas são pagas dessa forma.

Mesmo assim, todos os setores admitem que o Pix se tornou a forma de pagamento preferida pelos clientes quando há opção.

O motivo é simples: custo e praticidade

As taxas cobradas pelas operadoras de cartão são bem mais altas do que as aplicadas no Pix, o que incentiva comerciantes a oferecerem descontos para pagamentos instantâneos.

O empresário Pedro Rocha, dono de um restaurante na zona oeste da capital paulista, explica que a preferência é sempre pelo Pix.

“A única coisa que a gente pede pros nossos colaboradores é que, na hora do pagamento, se a pessoa estiver na dúvida, a primeira opção oferecida seja o Pix. Parece invasivo, então não fazemos com todos, porque a maioria paga com vale-refeição. Mas, quando há escolha, o Pix vem primeiro”, contou Rocha.

Essa mudança cultural no consumo é uma das marcas da digitalização financeira no país.

Crescimento acelerado: Pix supera cartões e transferências

O Pix se consolidou como o método de pagamento mais utilizado no Brasil. Segundo o Banco Central, foram mais de 42 bilhões de transações em 2024, superando, pela primeira vez, o volume combinado de cartões de crédito e débito.

Nos últimos dez anos, o número médio de pagamentos eletrônicos por pessoa saltou de pouco mais de 100 para 760 operações anuais, e a projeção para 2025 é de 800 — sendo 90% realizados pelo celular, com mais da metade via Pix.

O Pix também transformou o recebimento de salários

Antes da criação do sistema, apenas 40% dos trabalhadores recebiam seus rendimentos em contas transacionais, aquelas usadas para transferências e movimentações do dia a dia.
Hoje, esse índice já chega a 65%, impulsionado pela bancarização e facilidade de uso do Pix.

Digitalização da economia e inclusão financeira

O Pix também desempenhou um papel social importante: democratizou o acesso ao sistema financeiro.
Milhões de brasileiros que não tinham conta bancária passaram a movimentar dinheiro por meio de contas digitais gratuitas, abertas em fintechs e bancos públicos.

Essa inclusão financeira ajudou o país a reduzir desigualdades e formalizar pequenos empreendedores, que agora podem vender e receber pagamentos sem custos ou burocracia.

Pix e o microempreendedorismo

Para autônomos e pequenos comerciantes, o Pix foi uma revolução econômica.
Com ele, vendedores de rua, feirantes e profissionais liberais conseguiram aceitar pagamentos instantâneos sem precisar de maquininhas ou taxas elevadas.

De acordo com dados do Sebrae, 87% dos microempreendedores individuais (MEIs) já utilizam o Pix como principal forma de recebimento.
Isso inclui desde artesãos e motoristas de aplicativo até lojistas e prestadores de serviços domésticos.

Por que o Pix se tornou tão popular

A explicação para o sucesso do Pix envolve uma combinação de fatores tecnológicos, econômicos e culturais.

1. Gratuidade e velocidade

O Pix é instantâneo, gratuito e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.
A transação é concluída em segundos, sem custo para pessoas físicas.

2. Acesso pelo celular

O avanço dos smartphones e a popularização da internet móvel permitiram que o Pix chegasse até mesmo a regiões sem agências bancárias.

3. Segurança e rastreabilidade

Com autenticação digital e validação pelo Banco Central, o sistema oferece altos padrões de segurança, reduzindo fraudes e fortalecendo o controle financeiro.

4. Política pública eficiente

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O Banco Central conduziu o projeto de forma estratégica, estimulando bancos e fintechs a integrarem o sistema rapidamente.
Em poucos meses após o lançamento, todas as grandes instituições financeiras já operavam o Pix.

A relação com o dinheiro em espécie

Mesmo com o avanço da digitalização, o dinheiro físico ainda tem papel relevante, especialmente em regiões de menor conectividade e entre pessoas idosas ou sem familiaridade com tecnologia.

No entanto, o uso cotidiano das cédulas caiu drasticamente. O número de transações com papel-moeda é hoje o menor da história recente.

Nas grandes cidades, há comércios inteiros que não aceitam mais dinheiro em espécie, operando apenas com Pix, cartões ou aplicativos de pagamento.

O que ainda mantém o uso do papel-moeda

  • Pequenas compras em áreas rurais;
  • Pagamentos informais (empregadas domésticas, diaristas);
  • População sem acesso à internet móvel;
  • Tradição cultural de guardar dinheiro em casa.

Mesmo nesses casos, o Pix já começa a substituir parte dessas operações, com funcionalidades offline previstas para 2026.

Cinco anos depois: o Pix como marca da identidade digital brasileira

O Pix não é apenas uma ferramenta de pagamento — é um símbolo da transformação digital do Brasil.
Em poucos anos, o país se tornou referência mundial em pagamentos instantâneos, inspirando sistemas semelhantes em países da América Latina, Europa e Ásia.

O modelo brasileiro é elogiado por sua simplicidade, interoperabilidade e segurança, além da forte adesão popular.

Pix e o futuro dos serviços financeiros

O sucesso do Pix abriu caminho para novas funcionalidades, como:

  • Pix Saque e Pix Troco: permitem sacar dinheiro em estabelecimentos comerciais e caixas eletrônicos;
  • Pix Parcelado: previsto para expansão em 2026, permitirá dividir pagamentos diretamente pelo sistema;
  • Pix Internacional: em fase de testes, integrará o sistema a redes globais de pagamento.

Essas evoluções reforçam o caráter contínuo de inovação do sistema.

O que dizem os usuários

A empresária Juliana Viana, de São Paulo, resume o sentimento geral da população:

“Totalmente comemorado. Foi um avanço muito bom e é algo que, quando a gente viaja, sente falta em outros lugares. A agilidade tanto para mim como vendedora quanto como compradora é enorme. Eu super aprovo. Veio para ficar.”

Entre consumidores, o Pix representa liberdade financeira e praticidade.
Para os comerciantes, redução de custos e aumento de eficiência.
E para o governo, maior transparência e controle sobre a circulação de recursos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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