O Banco Central do Brasil anunciou que, mesmo diante da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a chamada agenda evolutiva do Pix seguirá em andamento, trazendo novas funcionalidades para a ferramenta de pagamento instantâneo.
Pix como garantia vai permitir crédito semelhante ao consignado para empreendedores
O Banco Central do Brasil anunciou que, mesmo diante da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a chamada
Entre as novidades, está o Pix em Garantia, previsto para ser lançado em 2026, que permitirá a concessão de crédito a trabalhadores autônomos e empreendedores, utilizando como colateral os valores recebidos por meio do próprio sistema.
Segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o objetivo é oferecer uma alternativa semelhante ao crédito consignado, mas adaptada à realidade de quem não possui carteira assinada e depende de atividades independentes para obter renda.
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Como funcionará o Pix em Garantia

O Pix em Garantia foi concebido para atender um público cada vez mais numeroso no Brasil: os autônomos e microempreendedores individuais (MEIs).
No modelo proposto, os clientes poderão oferecer como garantia os recebíveis futuros — ou seja, transferências que ainda irão receber via Pix. Essas transações servirão como colateral para a obtenção de empréstimos em bancos e instituições financeiras.
“Através da chave Pix, o banco consegue ter uma percepção real da receita mensal do cliente e organizar uma hierarquia para que esse fluxo sirva como garantia do crédito”, explicou Galípolo.
Na prática, o valor dos recebíveis será retirado automaticamente da conta no dia combinado para o pagamento das parcelas. Isso cria um mecanismo de segurança para as instituições financeiras e oferece ao tomador um acesso mais rápido ao crédito, com taxas potencialmente mais baixas.
Exemplo prático de uso
Imagine um microempreendedor que recebe a maior parte de seus pagamentos via Pix. Ele solicita um empréstimo de R$ 5 mil e autoriza o banco a vincular as transferências futuras como garantia. Assim, sempre que um pagamento cair na conta, parte desse valor será direcionada automaticamente para quitar a parcela acordada.
Benefícios esperados
O Banco Central espera que a medida traga vantagens tanto para os clientes quanto para as instituições financeiras:
- Acesso ampliado ao crédito para quem não tem contracheque ou vínculo empregatício formal.
- Menores taxas de juros, já que a operação apresenta menor risco para os bancos.
- Simplificação do processo de concessão, reduzindo burocracia e tempo de análise.
- Estímulo ao empreendedorismo, pois oferece uma alternativa de financiamento para expansão de negócios.
Parte da agenda evolutiva do Pix
O Pix em Garantia é apenas uma das funcionalidades previstas na agenda evolutiva do Banco Central para os próximos anos. Mesmo com a pressão internacional, a instituição mantém o foco em ampliar as possibilidades de uso do sistema de pagamento instantâneo.
Entre as novidades recentes e previstas, destacam-se:
Pix Automático
Lançado em junho, o Pix Automático permite programar pagamentos recorrentes, como contas de energia, água, mensalidades escolares, taxas de condomínio e assinaturas. Essa funcionalidade automatiza o débito, garantindo que os pagamentos sejam feitos na data correta sem necessidade de ação manual.
Pagamento por aproximação
O Banco Central também trabalha para que o Pix possa ser usado de forma semelhante a cartões contactless, aproximando o celular da maquininha do lojista. Isso agiliza o processo e amplia a praticidade para o consumidor.
Agendamento recorrente
Outra modalidade já disponível é o agendamento de transferências com valor fixo para o mesmo dia todos os meses. Essa opção é útil para casos como pagamento de aluguel entre pessoas físicas.
Investigação dos EUA
Apesar do avanço das funcionalidades, o Pix se tornou alvo de um processo aberto pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão não cita o nome do sistema brasileiro diretamente, mas menciona “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo aqueles desenvolvidos por governos.
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O documento aponta que o Brasil poderia estar adotando “práticas desleais” ao favorecer sistemas próprios de pagamento eletrônico. O Pix é atualmente o único sistema governamental brasileiro nessa categoria, o que o coloca como alvo implícito da investigação.
Essa apuração ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e EUA, agravadas por declarações e medidas econômicas adotadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Repercussão no Brasil
Apesar da investigação, o Banco Central reforça que o desenvolvimento do Pix não será interrompido. Galípolo destacou que a prioridade é seguir inovando e oferecendo soluções que atendam às demandas da população brasileira.
Possíveis impactos no mercado financeiro
A introdução do Pix em Garantia pode alterar significativamente a forma como o crédito é concedido no país, especialmente para MEIs e autônomos, que tradicionalmente enfrentam barreiras para obter financiamentos.
Além disso, o sistema poderá:
- Aumentar a concorrência entre bancos e fintechs.
- Reduzir a informalidade na obtenção de crédito.
- Fortalecer a inclusão financeira de milhões de brasileiros.
Especialistas, no entanto, apontam que será necessário garantir regras claras para evitar abusos e assegurar que o modelo seja vantajoso para ambas as partes.
Perspectivas para 2026
O Banco Central prevê que o Pix em Garantia seja lançado oficialmente em 2026, após testes-piloto e regulamentações específicas. Até lá, a expectativa é que outras funcionalidades da agenda evolutiva também entrem em operação, ampliando ainda mais o alcance do Pix no dia a dia dos brasileiros.
Para Galípolo, essa é uma evolução natural do sistema, que já transformou a forma como o país realiza transações financeiras. “Estamos atentos ao que acontece no mundo e adaptando nossas soluções para a realidade brasileira”, afirmou.
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