O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em novembro de 2020, está prestes a ganhar mais uma função importante: o crédito. Previsto para lançamento em setembro de 2025, o serviço vai permitir o parcelamento de uma transação Pix pelo pagador, com o recebimento imediato do valor pelo vendedor.
Essa inovação coloca o Pix em uma nova posição frente aos cartões, que oferecem parcelamento mas não garantem o pagamento instantâneo ao estabelecimento, representando um avanço significativo para consumidores e comerciantes.
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A investigação dos EUA sobre o modelo brasileiro de pagamentos

O Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra o Brasil para apurar possíveis práticas “desleais” no setor de pagamentos eletrônicos. Embora não cite diretamente o Pix, o documento aponta que o modelo brasileiro pode prejudicar empresas americanas, especialmente as que operam com bandeiras como Visa e Master.
“O Brasil parece adotar uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer os serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirma o relatório.
O impacto do Pix na economia brasileira
Crescimento explosivo e liderança no mercado
Desde sua criação, o Pix revolucionou a estrutura de pagamentos no Brasil. Hoje, é o meio de pagamento mais usado pelos brasileiros, com mais de 6 bilhões de transferências por mês e movimentação financeira que ultrapassa R$ 2,8 trilhões.
No primeiro ano, o Pix já havia ultrapassado transferências tradicionais como TED e DOC, além de reduzir a demanda por saques em dinheiro. Em 2023, os pagamentos via Pix superaram em número os realizados com cartões de crédito, débito e pré-pagos, que continuam crescendo, porém atrás do Pix.
Novas funcionalidades ampliam o uso do Pix
Para manter e ampliar sua atratividade, o Banco Central lançou recentemente funcionalidades como:
- Pix por aproximação: transferências por aproximação, sem necessidade de abrir o aplicativo;
- Pix automático: pagamento recorrente semelhante ao débito automático, ideal para serviços como streaming, academias e escolas.
O próximo passo é a função crédito, que padronizará o parcelamento pelo Pix e promete reduzir ainda mais a dependência dos brasileiros dos cartões.
Como funciona o Pix parcelado?
A função crédito no Pix permitirá ao consumidor parcelar uma compra diretamente na transação Pix, mas o vendedor receberá o valor integral à vista. Isso significa que, enquanto o pagador quita o valor parcelado ao longo do tempo, o comerciante não corre risco de inadimplência e recebe o dinheiro imediatamente.
Atualmente, algumas instituições financeiras já oferecem crédito via Pix, porém com regras distintas e experiência de usuário variada. A padronização pelo Banco Central visa facilitar a adoção massiva da ferramenta.
Ameaça às principais bandeiras de cartão
Desafios para Visa, Master e outras
Como as principais bandeiras de cartão são americanas, a popularização do Pix crédito representa um desafio estratégico para essas empresas, que dependem do modelo tradicional de parcelamento sem pagamento imediato ao lojista.
O Pix parcelado, ao combinar a rapidez e praticidade do Pix com a opção de crédito, pode acelerar a substituição dos cartões em várias operações, o que explica o interesse e a investigação do governo dos EUA.
Agenda regulatória do Banco Central para o Pix em 2025

Além do crédito, o Banco Central prevê outras novidades importantes para o segundo semestre de 2025, entre elas:
Cobrança híbrida
O pagamento via QR Code do Pix poderá incluir cobranças por boleto, ampliando as possibilidades de pagamento para consumidores e empresas.
Uso do fluxo de recebíveis como garantia
Está em estudo a possibilidade de micro e pequenas empresas utilizarem os recebíveis do Pix como garantia para empréstimos, ferramenta que deve estimular o crédito para esse segmento e deve ser lançada em 2026.
Transferências offline
Outra função em desenvolvimento é o Pix em ambiente offline, permitindo transferências mesmo sem conexão à internet, o que deve beneficiar áreas com acesso limitado.
O papel do Pix na inclusão financeira
O Banco Central considera o Pix uma ferramenta essencial para ampliar o acesso da população ao sistema financeiro e diminuir a concentração bancária. A facilidade, custo zero e instantaneidade do Pix contribuem para que mais pessoas e empresas ingressem no mercado financeiro formal.
Além disso, o avanço da bancarização favorece não apenas os bancos tradicionais, mas também empresas de tecnologia, que criam novos modelos de negócios baseados na infraestrutura aberta e flexível do Pix.

