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Uso do Pix beneficiou os cartões de débito; entenda

Estudo mostra que o Pix ampliou uso de cartões, depósitos e crédito, fortalecendo o sistema bancário e a inclusão financeira no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Cinco anos após seu lançamento, o Pix — sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central — mostra que sua ascensão meteórica não significou o fim dos meios de pagamento tradicionais. Pelo contrário, um novo estudo revela que o Pix potencializou o uso de cartões, ampliou o volume de depósitos e aumentou a concessão de empréstimos, em um ciclo de inclusão e modernização do sistema financeiro brasileiro.

A pesquisa, conduzida por economistas do Banco Central do Brasil em parceria com a Florida State University, confirma que, em vez de representar concorrência, o Pix agiu como catalisador de digitalização e bancarização. O estudo usou cidades brasileiras com picos de uso do Pix em momentos de crise — como enchentes — e as comparou com localidades sem crescimento extraordinário no uso do sistema.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Pix não substitui o cartão: ele impulsiona o uso

Aumento na aceitação de cartões de débito

De acordo com o levantamento, a cada 1% de crescimento no número de usuários do Pix, houve um aumento médio de 1,2% no número de empresas que passaram a aceitar cartões de débito. Isso mostra que o Pix não substituiu os cartões — como muitos previram no início — mas complementou o sistema e incentivou a expansão da aceitação de meios digitais de pagamento.

“A percepção era que esse novo meio de pagamento tomaria o lugar do cartão, mas o que ele fez foi estimular as pessoas a usarem contas bancárias e outras formas de pagamento”, explica Matheus Sampaio, professor de finanças da Florida State University.

Cartões, depósitos e crédito: um ciclo virtuoso

Crescimento também em movimentações bancárias

Além de impulsionar o uso de cartões, o estudo observou outro movimento interessante: a utilização mais intensa das contas bancárias. Para cada 1% de aumento no uso do Pix, houve uma alta de 0,8% em transações como depósitos e empréstimos.

Esse dado indica que o Pix ajudou a tirar milhões de brasileiros da informalidade financeira, estimulando o uso de contas bancárias em vez de apenas facilitar transferências.

Inclusão da população de baixa renda

Segundo o levantamento, o principal impacto foi sobre a população de baixa renda, que passou a:

  • Movimentar mais suas contas bancárias
  • Ter mais acesso a empréstimos formais
  • Ser vista com mais confiança por instituições financeiras

Esse processo, por sua vez, levou ao aumento no número de comércios e MEIs (microempreendedores individuais) que passaram a aceitar pagamentos por cartão, inclusive débito, criando um efeito cascata de digitalização.

Dados comprovam a revolução financeira

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Pix cresce 10.000% entre 2024 e 2025

Os dados do Banco Central são contundentes:

  • Entre o fim de 2024 e o início de 2025, o uso do Pix cresceu 10.000%
  • Mais de 70 milhões de brasileiros foram incluídos no sistema bancário nesse período
  • As transações com cartões (débito, crédito e pré-pagos) cresceram 79,7%

Ou seja, o Pix não apenas sobreviveu como impulsionou os demais meios de pagamento, ao contrário do que muitos especialistas previam em 2020, ano de sua estreia.

A bancarização chegou até os pequenos comércios

“Muitos pequenos comércios que antes só aceitavam dinheiro agora aceitam Pix e cartão. Quando você expande as formas de pagamento, acaba vendendo mais”, afirma Matheus Sampaio.

Essa diversificação nos meios de pagamento foi essencial para a sobrevivência de milhares de negócios durante e após a pandemia.

O papel do Auxílio Emergencial e da pandemia

Durante a pandemia da Covid-19, o Brasil viu um salto na bancarização, impulsionado pelo Auxílio Emergencial, que exigia uma conta bancária para pagamento. No entanto, muitas dessas contas criadas nos bancos digitais tinham pouca ou nenhuma movimentação.

A chegada do Pix mudou esse cenário, transformando essas contas em instrumentos ativos de gestão financeira, com uso frequente para transferências, pagamentos e recebimentos.

Estímulo ao cartão de débito está se esgotando?

Queda de 0,5% nas transações com débito em 2025

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Apesar do crescimento vertiginoso nos últimos anos, os dados mais recentes mostram que o estímulo do Pix ao uso do cartão de débito chegou ao limite. De acordo com a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), as transações com cartão de débito caíram 0,5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.

“O estímulo do uso do cartão de débito pela população por causa do Pix aconteceu, mas já chegou ao topo”, afirma Boanerges Ramos Freire, presidente da consultoria Boanerges & Cia.

Cartão de crédito cresce e ganha concorrência do Pix parcelado

Em contraste, as transações com cartão de crédito subiram 10,4% no mesmo período. O crescimento reflete a busca por parcelamento, facilidade de pagamento e acúmulo de benefícios como milhas e cashback.

A chegada do Pix parcelado, programado para setembro de 2025 pelo Banco Central, promete ser o próximo capítulo da disputa entre Pix e cartões.

Pix parcelado: o novo desafio ao crédito

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Imagem: Freepik e Canva

O que esperar da nova funcionalidade

O Pix parcelado permitirá que o consumidor divida pagamentos em parcelas mensais, de forma semelhante ao cartão de crédito. No entanto, segundo especialistas, o impacto será limitado por alguns fatores:

  • O Pix parcelado terá juros
  • Cerca de 40% dos pagamentos com cartão de crédito no Brasil são parcelados sem juros

Por isso, acredita-se que o novo formato não substituirá de imediato o cartão de crédito, mas pode sim ocupar nichos específicos, como:

  • Compras entre pessoas físicas
  • Serviços prestados por autônomos
  • Microcrédito digital

Digitalização reduz saques em espécie

Outro efeito colateral positivo do Pix e da digitalização financeira foi a queda nos saques em dinheiro. Entre o fim de 2020 e o início de 2025, os saques caíram 44,3%, segundo dados do Banco Central.

A tendência é clara: o Brasil caminha para uma economia cada vez menos dependente do papel-moeda, com acesso facilitado a ferramentas digitais de movimentação financeira, mesmo entre as camadas mais pobres da população.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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