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Como funciona o Pix internacional e como brasileiros aproveitam em viagens

Brasileiros já utilizam o Pix no exterior com apoio de fintechs. Expansão global pode integrar mais de 60 países com o sistema Nexus. Entenda como funciona.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
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Comodidade, agilidade e previsibilidade tornaram o Pix uma das formas de pagamento mais populares entre os brasileiros. Lançado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, o sistema transformou a forma como consumidores e empresas realizam transações no país.

Agora, o Pix começa a romper fronteiras nacionais, com soluções privadas viabilizando seu uso em países como Portugal, Argentina, Paraguai e Estados Unidos — ainda que de maneira limitada e intermediada.

A expectativa é de que a utilização do Pix no exterior seja ampliada de forma estruturada nos próximos anos, especialmente com a chegada do sistema Nexus, desenvolvido pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), que promete integrar os sistemas de pagamento instantâneo de mais de 60 países.

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Como o Pix está sendo usado fora do Brasil?

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Imagem: Freepik e Canva

Acordos privados viabilizam transações internacionais

Embora o Banco Central ainda não tenha lançado um Pix internacional oficial, algumas fintechs e bancos digitais passaram a intermediar operações em reais entre turistas brasileiros e comércios em outros países. Uma dessas empresas é o Braza Bank, que atua como elo entre o consumidor e estabelecimentos em Portugal, Estados Unidos e Paraguai.

Segundo Marcelo Sá, diretor de Negócios do Braza Bank, a operação acontece em dois modelos:

  • Transferência direta para a conta do comerciante parceiro;
  • Liquidação via credenciador local, como a UniCre, que repassa os valores convertidos ao lojista.

Nesse modelo, o consumidor paga em reais via Pix, e o valor é convertido para a moeda local (como euros ou dólares), com taxas de câmbio e tarifas específicas. O processo ocorre de forma quase instantânea, e o consumidor conhece o valor exato no momento da transação.

Quais taxas são cobradas?

O Pix continua sendo gratuito entre pessoas físicas, mas quando usado em operações internacionais, há a cobrança de:

  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 3,5%;
  • Taxa de câmbio, que varia conforme a instituição intermediadora;
  • Eventual tarifa de serviço de câmbio aplicada pela fintech.

Apesar dessas taxas, o custo final costuma ser menor do que o de um pagamento com cartão de crédito internacional, que envolve spreads cambiais elevados e a variação da cotação entre a data da compra e o fechamento da fatura.

Quais países já aceitam Pix?

Atualmente, o uso do Pix fora do Brasil ainda está concentrado em locais e estabelecimentos específicos, por meio de acordos firmados entre empresas financeiras e comerciantes. Os exemplos mais recorrentes estão em:

  • Lisboa (Portugal): supermercados e lojas de conveniência já aceitam pagamentos com Pix via Braza Bank;
  • Buenos Aires (Argentina): em alguns restaurantes e lojas de rua;
  • Miami (Estados Unidos): estabelecimentos que firmaram parcerias com adquirentes brasileiros.

A tendência é que, com o amadurecimento da estrutura internacional, mais cidades e regiões turísticas passem a aceitar Pix como forma prática e direta de pagamento de brasileiros no exterior.

Sistema Nexus: o caminho para um Pix verdadeiramente global

O que é o Nexus?

O Nexus é um projeto do BIS Innovation Hub, com participação do Banco Central brasileiro, que tem como objetivo interligar sistemas de pagamentos instantâneos de diversos países. A ideia é criar um ambiente único e interoperável, que permita:

  • Transferências em tempo real entre países;
  • Conversão automática de moedas no momento da transação;
  • Transparência sobre taxas, cotações e impostos;
  • Integração dentro dos aplicativos bancários já utilizados pelos clientes.

Segundo Carla Beni, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), a expectativa é que o Nexus esteja pronto para operações comerciais em 2026 ou 2027. “A proposta é que os brasileiros possam usar o Pix fora do país como se estivessem no Brasil, com total integração e clareza nos valores envolvidos”, afirma.

Vantagens do uso do Pix em viagens internacionais

Previsibilidade e controle de gastos

Para o consumidor, o Pix oferece um grande diferencial em relação ao cartão de crédito: previsibilidade. No momento da transação, o usuário já sabe:

  • O valor exato em reais;
  • A cotação usada;
  • O imposto aplicado;
  • O total a ser debitado da conta.

De acordo com o planejador financeiro Jeff Patzlaff, isso ajuda a evitar surpresas na fatura e facilita o planejamento de gastos durante a viagem. “O Pix é ideal para quem quer fugir da oscilação cambial entre o momento da compra e o fechamento do cartão”, afirma.

Segurança e praticidade

Outro ponto forte é a segurança digital. O pagamento via Pix:

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  • Não exige o uso físico de cartão;
  • Evita clonagens ou perdas em estabelecimentos;
  • Pode ser feito por QR Code ou transferência direta via chave;
  • Funciona em ambientes online e físicos.

Alternativa em caso de imprevistos

Além disso, o Pix pode ser um plano B eficaz para emergências. Se o cartão for bloqueado ou o dinheiro acabar, a possibilidade de receber uma transferência Pix de alguém no Brasil pode resolver situações inesperadas em questão de segundos.

O que considerar antes de usar Pix no exterior?

Compare custos e condições

Apesar das vantagens, o consumidor deve avaliar bem o custo-benefício de cada opção de pagamento em viagens internacionais. É importante:

  • Verificar a cotação da moeda estrangeira usada na transação;
  • Confirmar se há taxas adicionais de serviço ou câmbio;
  • Comparar com o spread e IOF do cartão de crédito, que pode chegar a 6,38%;
  • Conferir se o estabelecimento realmente aceita Pix como forma válida de pagamento.

IOF também se aplica ao Pix internacional

Com a nova regra de IOF vigente desde 2025, o Pix usado fora do país sofre incidência de 3,5%, o que o torna menos vantajoso em relação a uma transferência nacional comum, mas ainda mais competitivo do que o crédito.

Sistemas de pagamento instantâneo ao redor do mundo

Mão feminina segurando celular com tela exibindo a logo do Pix
Imagem: Marciobnws / shutterstock.com

O Brasil não está sozinho no movimento de pagamento instantâneo. Vários países já operam seus próprios sistemas, com características semelhantes ao Pix. Veja alguns exemplos:

  • Reino Unido: o Faster Payments System permite transferências em segundos, 24/7;
  • União Europeia: o SEPA Instant Credit Transfer (SCT Inst) possibilita pagamentos em euros em até 10 segundos;
  • Estados Unidos: o FedNow, lançado em 2023, é o sistema oficial do Federal Reserve para pagamentos instantâneos entre bancos;
  • Índia: o UPI (Unified Payments Interface) é considerado um dos sistemas mais avançados, permitindo integrações entre apps, bancos e carteiras digitais;
  • Austrália: o NPP (New Payments Platform) garante transações instantâneas entre instituições financeiras.

Apesar das semelhanças, o diferencial do Pix brasileiro está na adesão em massa da população e nas funcionalidades integradas, como Pix Saque, Pix Agendado, Pix Cobrança e, em breve, Pix Automático.

Considerações finais

O Pix no exterior já é realidade para brasileiros em alguns destinos, graças a parcerias privadas que permitem a conversão de moedas e a liquidação via fintechs. Porém, a regulamentação e expansão definitiva do sistema depende da implementação do Nexus, que promete revolucionar as transações internacionais nos próximos anos.

Até lá, o Pix segue como uma alternativa prática, segura e cada vez mais presente nas viagens internacionais, especialmente quando comparado a meios de pagamento mais caros ou instáveis. Para o consumidor, a chave é ficar atento às taxas, cotações e opções disponíveis, e para o mercado financeiro, o desafio é seguir expandindo fronteiras — mantendo a eficiência que transformou o Pix em um verdadeiro case de sucesso global.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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