Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Pix por biometria: o próximo passo que vai mexer com pagamentos

Pix por biometria traz pagamentos mais rápidos e seguros no Brasil, com uso de reconhecimento facial ou digital, sem redirecionamentos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Banco Central

O sistema de pagamentos instantâneos mais popular do Brasil está prestes a dar mais um salto evolutivo. O Pix por biometria, fruto da integração entre o open finance e tecnologias de autenticação segura, promete revolucionar o comércio eletrônico e físico. A nova funcionalidade permite que o consumidor realize pagamentos com um simples reconhecimento facial ou impressão digital, sem a necessidade de abrir o aplicativo bancário ou ser redirecionado para o ambiente do banco.

Essa jornada fluida e sem fricção é considerada por especialistas como um dos marcos mais relevantes desde a criação do próprio Pix, lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central.

Leia mais:

Pix por biometria promete transformar pagamentos no Brasil

Biometria
Imagem: Freepik e Canva

A evolução do Pix: da agilidade à biometria

Como o Pix mudou os pagamentos no Brasil

Desde sua criação, o Pix transformou o comportamento financeiro dos brasileiros. Com liquidação instantânea, disponibilidade 24/7 e zero custo para pessoas físicas, a modalidade rapidamente superou transferências TED, DOC e até cartões de débito em volume de uso.

Atualmente, segundo dados do Banco Central, o Pix já é a forma de pagamento mais utilizada no Brasil, ultrapassando 160 milhões de usuários cadastrados.

O que muda com a biometria?

O novo Pix por biometria introduz uma camada de conveniência adicional. A partir da jornada sem redirecionamento, o consumidor pode autorizar a transação diretamente no site ou aplicativo do comerciante, usando biometria facial, impressão digital ou PIN, sem ser direcionado para o aplicativo do banco.

Essa experiência elimina passos desnecessários, reduz o risco de abandono de carrinho no e-commerce e preserva a privacidade dos dados bancários, como saldo e movimentações.

Jornada sem redirecionamento: o coração da inovação

Redirecionamento: o ponto de fricção

Como explicou Cézar Rios, diretor da Boku, durante o Fintouch 2025, o fluxo tradicional de pagamento por Pix — mesmo com iniciação automatizada via open finance — ainda exige que o usuário seja redirecionado ao app bancário para autorizar a operação. “Essa etapa cria fricção, tanto em usabilidade quanto em segurança”, afirmou.

Experiência fluida: um só redirecionamento ou nenhum

A proposta do novo modelo é remover esse redirecionamento completamente ou reduzi-lo a apenas uma etapa de consentimento inicial. Após esse passo, as futuras transações podem ocorrer diretamente no ambiente do lojista, autorizadas por biometria.

Segundo Rafael Noguerol, gerente de estratégia de produtos da Belvo, isso aumenta significativamente a taxa de sucesso das transações, superando inclusive métodos como Pix copia e cola ou QR Code.

Open finance como viabilizador da mudança

Consentimento como barreira inicial

Apesar do avanço tecnológico, o maior desafio ainda está no campo da educação financeira e digital. “A parte mais difícil é conquistar o consentimento do usuário”, destacou Ana Carolina de Oliveira, líder de open finance da ABFintechs.

Ela explicou que o open finance — sistema que permite o compartilhamento de dados bancários entre instituições com autorização do cliente — ainda sofre com baixa adesão por receios quanto à privacidade.

A importância da confiança no ecossistema

Para que o Pix por biometria tenha adoção em massa, é essencial que os usuários entendam os benefícios de compartilhar dados de forma segura, amparados pela regulamentação do Banco Central e pela proteção de dados da LGPD.

“O usuário precisa sentir que está no controle e que seus dados não serão usados de forma indevida”, ressaltou Ana Carolina.

Segurança digital: o papel do protocolo FIDO

pix
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que é FIDO?

O protocolo FIDO (Fast Identity Online) é um padrão de autenticação sem senha desenvolvido por grandes empresas de tecnologia para garantir altíssimo nível de segurança. Ele combina elementos como biometria, chaves públicas e autenticação local.

FIDO aplicado ao Pix por biometria

Com o FIDO, o pagamento via Pix por biometria é protegido por uma autenticação forte, desacoplada da senha tradicional, reduzindo drasticamente o risco de fraude. Isso permite, por exemplo, que uma transação seja validada com o Face ID do celular, sem exposição de credenciais bancárias.

Essa tecnologia já está sendo usada em testes com empresas como Google Pay, conforme revelou Aaron Morais, líder de compliance e risco do Google Pay, durante o evento Fintouch.

Impacto para o comércio eletrônico e físico

Redução de abandono de carrinho

Ao eliminar o redirecionamento para o banco, o Pix por biometria reduz um dos principais motivos de desistência em compras online. Muitos usuários abandonam a transação ao perceberem que precisarão sair do site e abrir outro aplicativo.

“Você tira a fricção do cliente ir até o banco. Isso representa menos chances de desistência e mais conversões para o lojista”, explicou Rafael Noguerol, da Belvo.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Liquidez mais rápida para lojistas

Outro benefício é a aceleração do repasse para os comerciantes. Como o pagamento é feito diretamente no ambiente do e-commerce, com consentimento já concedido, a liquidação se torna mais imediata, o que aumenta a previsibilidade do fluxo de caixa.

Aplicações no varejo físico

A funcionalidade também pode ser aplicada no varejo presencial. Em terminais de autoatendimento, por exemplo, o cliente poderá autenticar o pagamento com a digital no próprio equipamento, dispensando qualquer interação com apps ou caixas.

Regulamentação, riscos e o papel do Banco Central

Equilíbrio entre inovação e segurança

Para permitir essa inovação, o Banco Central do Brasil vem trabalhando ativamente na criação de normas específicas para iniciadores de pagamento. São esses os responsáveis por processar transações sem redirecionamento, mantendo os padrões de compliance, governança e proteção.

Aprovação de APIs e licenciamento

Os iniciadores precisam de autorização do BC e aprovação das APIs que conectam os serviços. Essa governança é crucial para garantir que apenas instituições seguras operem essa funcionalidade, minimizando riscos sistêmicos.

Expectativas para o futuro

pix
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Primeiras implementações em produção

Segundo Rafael Noguerol, alguns clientes da Belvo já estão em fase de produção com o Pix por biometria. A expectativa é que o número de comerciantes e plataformas com essa funcionalidade se multiplique nos próximos meses.

Democratização do acesso

Assim como o Pix tradicional, a versão por biometria tem o potencial de democratizar ainda mais os pagamentos digitais, especialmente para populações que usam apenas o celular como canal financeiro.

Caminho para pagamentos invisíveis

Com o amadurecimento da tecnologia, especialistas enxergam o Pix por biometria como um passo para os chamados “pagamentos invisíveis”, onde o ato de pagar se torna quase imperceptível, embutido na experiência de compra.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados