Portabilidade de crédito: como economizar migrando dívidas; entenda

Muitos brasileiros enfrentam dificuldades para manter em dia o pagamento de empréstimos com juros altos. Com a portabilidade de crédito, é possível transferir dívidas para outra instituição com condições mais vantajosas, reduzindo os custos totais do financiamento.

Esse recurso tem ganhado força nos últimos anos e, com as novas regras do Crédito do Trabalhador, os consumidores terão ainda mais possibilidades para economizar, especialmente ao migrar dívidas de empréstimo consignado e pessoal para o novo modelo.

Desenho de duas instituições bancárias com uma seta ligando elas
Imagem: ex_artist / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

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O que é portabilidade de crédito e as suas vantagens

A portabilidade de crédito é um direito do consumidor que permite transferir uma dívida de uma instituição financeira para outra, buscando condições mais favoráveis de pagamento. É como trocar de operadora de celular, mas com o objetivo de pagar menos juros.

O procedimento foi regulamentado pelo Banco Central e se aplica a diversas modalidades, como empréstimos pessoais, consignados, financiamentos de veículos e crédito imobiliário, desde que a nova instituição mantenha o saldo devedor e não altere o valor do contrato original.

Diferença entre portabilidade e refinanciamento

É comum que consumidores confundam portabilidade com refinanciamento. Enquanto a primeira transfere a dívida mantendo o saldo original, a segunda renegocia o valor, podendo incluir novos encargos ou até aumentar a dívida total.

Segundo a educadora financeira Aline Soaper, muitas instituições induzem o cliente ao refinanciamento sem deixar isso claro. O consumidor só percebe quando o valor final da dívida aumenta, mesmo que a parcela mensal pareça mais leve.

Exemplo prático de refinanciamento

Imagine uma dívida de R$ 4 mil em oito parcelas de R$ 500. O banco propõe reduzir a prestação para R$ 300, mas estende o prazo para 20 meses. No fim, o consumidor pagará R$ 6 mil, ou seja, R$ 2 mil a mais. Isso ocorre porque o banco está refinanciando, e não apenas transferindo a dívida.

Nova regra: Crédito do Trabalhador

Desde 25 de abril, trabalhadores com carteira assinada podem migrar seus empréstimos consignados para o novo modelo chamado Crédito do Trabalhador. A principal vantagem é a redução dos juros, já que o banco tem mais garantias de receber o valor, mesmo em caso de demissão.

Garantias do novo modelo

Nesse novo formato, a instituição financeira pode utilizar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia, o que reduz significativamente o risco de inadimplência. Por isso, os juros são menores.

Prazo para portabilidade externa

A partir do último dia 6 de junho, será possível migrar não apenas dentro do mesmo banco, mas também entre diferentes instituições financeiras. Nessa data, também será permitida a migração de empréstimos pessoais para o novo modelo.

Aumento expressivo nas solicitações

Em 2024, a portabilidade de crédito ganhou ainda mais destaque. Segundo a Febraban, foram registradas 14,2 milhões de solicitações, um crescimento de 52,9% em comparação com o ano anterior.

Desse total, 5,3 milhões foram efetivamente transferidas, enquanto outras 5,7 milhões resultaram em renegociação com o banco original, geralmente após o cliente apresentar uma proposta melhor obtida em outra instituição.

Ações dos bancos para manter clientes

O economista Gilberto Braga, do Ibmec, explica que os bancos costumam cobrir as propostas das concorrentes para manter o cliente: “Se o banco percebe que perderá o contrato, ele tende a melhorar as condições oferecidas.”

Como fazer a portabilidade de crédito

1. Solicite o Documento Descritivo de Crédito (DDC)

O primeiro passo é solicitar ao banco atual o DDC, que contém as informações essenciais da dívida: saldo devedor, taxas de juros, número de parcelas pagas e restantes, e o valor total já quitado. O documento deve ser fornecido gratuitamente.

2. Pesquise novas ofertas

Com o DDC em mãos, o consumidor pode consultar outras instituições financeiras e comparar as condições de juros, prazos e encargos. A portabilidade só é válida se o saldo devedor for mantido.

3. Faça a solicitação formal

Após escolher a nova instituição, o consumidor deve formalizar a solicitação de portabilidade, que será analisada pela nova instituição. Se aprovada, o novo banco quita a dívida junto à instituição anterior.

4. Aguarde os prazos legais

A instituição original tem até 5 dias úteis para repassar as informações solicitadas. A nova instituição deve confirmar o recebimento em até 2 dias úteis, e a operação completa deve ser concluída em até 7 dias úteis.

O consumidor pode desistir?

Sim. A portabilidade pode ser cancelada a qualquer momento, desde que o novo banco ainda não tenha quitado a dívida com a instituição original. O cancelamento não gera custos e pode ser feito pelo aplicativo, site ou agência.

Mitos e verdades sobre portabilidade

O banco pode negar a portabilidade?

Mito. O banco original só pode recusar a portabilidade por dados incorretos ou suspeita de fraude.

O cliente recebe “troco” ao mudar de banco?

Mito. O “troco” só acontece em refinanciamentos. A portabilidade apenas transfere a dívida, sem liberação de valores extras.

A portabilidade sempre diminui as parcelas?

Mito. Embora os juros sejam menores, o valor das parcelas pode continuar igual, caso o prazo de pagamento também seja reduzido.

É preciso ter um número mínimo de parcelas pagas?

Verdade. A maioria dos bancos exige que o consumidor tenha quitado de 15% a 30% das parcelas antes de permitir a portabilidade.

Pode ser feita diretamente pelo banco?

Verdade. A partir de junho, será possível solicitar a portabilidade diretamente nos canais digitais dos bancos participantes do novo crédito consignado privado.

Dicas para aproveitar a portabilidade com segurança

Compare o Custo Efetivo Total (CET)

Antes de aceitar qualquer proposta, verifique o CET, que inclui todos os encargos e taxas. É a melhor forma de comparar diferentes ofertas.

Fique atento à nova quantidade de parcelas

Se o número de parcelas foi alterado, pode se tratar de um refinanciamento. A portabilidade não muda o prazo, apenas as condições de juros.

Utilize canais oficiais

Evite intermediação de terceiros. Faça a solicitação diretamente com os bancos, por canais oficiais, para evitar fraudes.

Documente tudo

Guarde os comprovantes e documentos da transação. Se houver problemas, será mais fácil resolver com base em registros formais.

Portabilidade é um caminho para economizar com responsabilidade

A portabilidade de crédito é uma poderosa ferramenta que coloca o consumidor em posição de vantagem diante das instituições financeiras. Quando bem utilizada, pode gerar uma economia significativa, especialmente em tempos de juros elevados.

Com o lançamento do Crédito do Trabalhador e a liberação das migrações para novas instituições, os brasileiros terão ainda mais recursos para organizar suas finanças e reduzir o peso das dívidas. No entanto, é fundamental estar atento às regras, evitar armadilhas de refinanciamento disfarçado e comparar as ofertas de forma consciente.

Se você tem um empréstimo consignado ou pessoal ativo, solicite seu DDC agora, avalie outras propostas e veja se é possível melhorar suas condições. Com informação e atitude, sua saúde financeira pode dar um grande passo à frente.

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