Em um caso alarmante que expõe vulnerabilidades críticas na cadeia de suprimentos tecnológica, a fabricante chinesa de impressoras Procolored foi acusada de distribuir malware escondido em drivers oficiais, comprometendo a segurança de milhares de usuários e facilitando o roubo de mais de US$ 950 mil em Bitcoin.
Malware em drivers da Procolored: Como impressoras chinesas estão facilitando o roubo de Bitcoin globalmente
Um relatório revela que drivers de impressoras da fabricante chinesa Procolored estavam infectados com malware que rouba Bitcoin. Saiba como o ataque aconteceu!
O ataque, descrito por especialistas como uma forma altamente sofisticada de “clipboard hijacking”, aproveita-se de algo que poucos usuários suspeitam: um driver de impressora.
Com o uso de dispositivos USB infectados e uploads em plataformas como o MEGA, o malware foi disseminado globalmente, alertando especialistas sobre a fragilidade das rotinas de segurança digital.
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O que é a Procolored e por que isso importa?
A Procolored é uma fabricante chinesa especializada em impressoras de sublimação, UV e DTF, com sede em Shenzhen. Embora pouco conhecida fora de nichos técnicos, a empresa conquistou espaço no mercado internacional com produtos acessíveis, sendo adotada por pequenas empresas, estúdios de impressão e até por consumidores domésticos.
Como ela se tornou o centro de um escândalo
Segundo a mídia chinesa Landian News, a empresa passou a distribuir drivers contendo código malicioso a partir de outubro de 2023, sem alertar seus usuários. O malware permaneceu ativo até pelo menos maio de 2025, afetando centenas ou milhares de dispositivos.
Como o malware foi descoberto?
O alerta não partiu de um laboratório de cibersegurança, mas sim de um criador de conteúdo técnico. O YouTuber Cameron Coward, ao testar uma impressora UV da Procolored, percebeu que seu antivírus estava detectando um vírus tipo Trojan (Foxif) e um worm ao tentar instalar os drivers da impressora.
Desconfiado de que não se tratava de um “falso positivo”, Coward levou o caso ao Reddit, onde profissionais de segurança digital se mobilizaram para analisar os arquivos.
Confirmação técnica: malware e roubo de BTC
A investigação foi levada adiante pela empresa de segurança G-Data, que confirmou a presença de dois malwares distintos:
- Win32.Backdoor.XRedRAT.A: permite controle remoto total do dispositivo;
- Clipboard hijacker (ladrão de criptoativos): substitui o endereço de carteiras de Bitcoin copiadas pelo usuário por um endereço malicioso.
Esses arquivos estavam disponíveis publicamente no serviço de hospedagem MEGA, sendo baixados por usuários de todo o mundo sem qualquer verificação de segurança.
O golpe: como mais de US$ 950 mil em Bitcoin foram desviados
A técnica usada pelo malware é conhecida como clipboard hijacking, ou sequestro da área de transferência. Ao detectar que o usuário copiou um endereço de carteira Bitcoin (sequência alfanumérica padrão), o programa automaticamente substitui esse endereço por um pertencente ao atacante.
Como muitos usuários colam o endereço diretamente sem verificar, a transação acaba sendo direcionada para o criminoso — e não há como reverter a operação na rede Bitcoin.
Números do ataque
De acordo com a empresa SlowMist, especializada em rastreamento de criptoativos, o golpe já resultou no desvio de 9,3 BTC, o equivalente a mais de US$ 950 mil (considerando o preço do Bitcoin no momento do ataque). O endereço de destino usado pelo malware foi identificado e está sendo monitorado.
Comprometimento da cadeia de suprimentos: uma ameaça invisível
A Procolored alega que o malware foi inserido por meio de dispositivos USB infectados utilizados por funcionários ou parceiros da cadeia de montagem, e que os arquivos foram carregados “sem saber” para o armazenamento em nuvem oficial.
Esse tipo de ataque é um comprometimento da cadeia de suprimentos — ou seja, o software legítimo foi modificado antes de chegar ao consumidor final, sem que a empresa percebesse (ou admitisse).
Ataques similares no passado
Este não é um caso isolado. Ataques de supply chain notórios incluem:
- Caso SolarWinds (2020): espionagem em massa de agências governamentais dos EUA;
- CCleaner (2017): ferramenta popular de limpeza de PCs distribuiu malware por meio de atualizações oficiais;
- Kaseya (2021): ransomware atingiu mais de 1.500 empresas.
A semelhança com o caso Procolored é clara: os usuários confiam em software assinado e, por isso, baixam e instalam sem desconfiança.
Como saber se você foi infectado?

1. Baixou drivers da Procolored desde 2023?
Se você utilizou produtos da Procolored e instalou drivers entre outubro de 2023 e maio de 2025, é altamente recomendável realizar uma varredura completa do sistema.
2. Sua carteira Bitcoin foi usada recentemente?
Verifique o histórico de transações para saber se algum envio foi feito para endereços desconhecidos. Você pode rastrear seus envios usando exploradores de blocos como:
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3. Seu antivírus detecta algo suspeito?
Mesmo que os antivírus identifiquem ameaças, alguns malwares sofisticados podem escapar da detecção. Por isso, a recomendação mais segura é reinstalar o sistema operacional, principalmente se você manipulou valores em criptomoedas.
Resposta da Procolored e atualizações do caso
Inicialmente, a Procolored afirmou que os alertas eram “falsos positivos”. Após ser confrontada com provas técnicas e relatórios de empresas como a G-Data e SlowMist, a fabricante reconheceu o incidente e afirmou:
“Os drivers infectados foram removidos do armazenamento em nuvem em 8 de maio. Realizamos novas varreduras em todos os arquivos disponíveis.”
Medidas prometidas
- Implementar uma nova política de controle de arquivos USB;
- Verificar a integridade dos arquivos por hash digital;
- Criar um canal de downloads com verificação por assinatura digital.
No entanto, nenhuma compensação às vítimas foi anunciada até o momento.
Como se proteger contra ameaças similares
- Nunca confie cegamente em software de hardware periférico.
- Verifique o hash de arquivos antes de instalar.
- Utilize um sistema operacional em máquina virtual para manipular criptoativos.
- Prefira carteiras frias (cold wallets) para valores altos.
Para empresas e integradores
- Audite os drivers e softwares utilizados por fornecedores.
- Utilize ferramentas de segurança baseadas em comportamento, não apenas antivírus.
- Faça análises estáticas e dinâmicas de arquivos baixados.
Repercussão global: o que este caso revela sobre o futuro da segurança digital
O caso Procolored é mais um alerta do que já se tornou um problema global: a segurança digital de dispositivos de uso cotidiano está sendo ignorada. Impressoras, roteadores, webcams — qualquer dispositivo conectado à internet pode se tornar uma porta de entrada para ataques de alto impacto.
Em um mundo onde cada vez mais indivíduos controlam ativos digitais significativos como o Bitcoin, o elo fraco da segurança muitas vezes não está na blockchain, mas nos drivers, no hardware e na ingenuidade digital dos usuários.
Considerações finais

O escândalo envolvendo drivers da Procolored mostra como ataques cibernéticos podem ser silenciosos, eficazes e devastadores. Um simples clique em um instalador aparentemente inofensivo pode significar a perda irrecuperável de milhares de dólares em criptoativos.
A lição é clara: confiança cega em fabricantes, mesmo os que oferecem produtos oficiais, é um risco. É hora de adotar posturas mais proativas, tanto por parte dos consumidores quanto das empresas.
