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Malware em drivers da Procolored: Como impressoras chinesas estão facilitando o roubo de Bitcoin globalmente

Um relatório revela que drivers de impressoras da fabricante chinesa Procolored estavam infectados com malware que rouba Bitcoin. Saiba como o ataque aconteceu!

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

Em um caso alarmante que expõe vulnerabilidades críticas na cadeia de suprimentos tecnológica, a fabricante chinesa de impressoras Procolored foi acusada de distribuir malware escondido em drivers oficiais, comprometendo a segurança de milhares de usuários e facilitando o roubo de mais de US$ 950 mil em Bitcoin.

O ataque, descrito por especialistas como uma forma altamente sofisticada de “clipboard hijacking”, aproveita-se de algo que poucos usuários suspeitam: um driver de impressora.

Com o uso de dispositivos USB infectados e uploads em plataformas como o MEGA, o malware foi disseminado globalmente, alertando especialistas sobre a fragilidade das rotinas de segurança digital.

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O que é a Procolored e por que isso importa?

A Procolored é uma fabricante chinesa especializada em impressoras de sublimação, UV e DTF, com sede em Shenzhen. Embora pouco conhecida fora de nichos técnicos, a empresa conquistou espaço no mercado internacional com produtos acessíveis, sendo adotada por pequenas empresas, estúdios de impressão e até por consumidores domésticos.

Como ela se tornou o centro de um escândalo

Segundo a mídia chinesa Landian News, a empresa passou a distribuir drivers contendo código malicioso a partir de outubro de 2023, sem alertar seus usuários. O malware permaneceu ativo até pelo menos maio de 2025, afetando centenas ou milhares de dispositivos.

Como o malware foi descoberto?

O alerta não partiu de um laboratório de cibersegurança, mas sim de um criador de conteúdo técnico. O YouTuber Cameron Coward, ao testar uma impressora UV da Procolored, percebeu que seu antivírus estava detectando um vírus tipo Trojan (Foxif) e um worm ao tentar instalar os drivers da impressora.

Desconfiado de que não se tratava de um “falso positivo”, Coward levou o caso ao Reddit, onde profissionais de segurança digital se mobilizaram para analisar os arquivos.

Confirmação técnica: malware e roubo de BTC

A investigação foi levada adiante pela empresa de segurança G-Data, que confirmou a presença de dois malwares distintos:

  • Win32.Backdoor.XRedRAT.A: permite controle remoto total do dispositivo;
  • Clipboard hijacker (ladrão de criptoativos): substitui o endereço de carteiras de Bitcoin copiadas pelo usuário por um endereço malicioso.

Esses arquivos estavam disponíveis publicamente no serviço de hospedagem MEGA, sendo baixados por usuários de todo o mundo sem qualquer verificação de segurança.

O golpe: como mais de US$ 950 mil em Bitcoin foram desviados

A técnica usada pelo malware é conhecida como clipboard hijacking, ou sequestro da área de transferência. Ao detectar que o usuário copiou um endereço de carteira Bitcoin (sequência alfanumérica padrão), o programa automaticamente substitui esse endereço por um pertencente ao atacante.

Como muitos usuários colam o endereço diretamente sem verificar, a transação acaba sendo direcionada para o criminoso — e não há como reverter a operação na rede Bitcoin.

Números do ataque

De acordo com a empresa SlowMist, especializada em rastreamento de criptoativos, o golpe já resultou no desvio de 9,3 BTC, o equivalente a mais de US$ 950 mil (considerando o preço do Bitcoin no momento do ataque). O endereço de destino usado pelo malware foi identificado e está sendo monitorado.

Comprometimento da cadeia de suprimentos: uma ameaça invisível

A Procolored alega que o malware foi inserido por meio de dispositivos USB infectados utilizados por funcionários ou parceiros da cadeia de montagem, e que os arquivos foram carregados “sem saber” para o armazenamento em nuvem oficial.

Esse tipo de ataque é um comprometimento da cadeia de suprimentos — ou seja, o software legítimo foi modificado antes de chegar ao consumidor final, sem que a empresa percebesse (ou admitisse).

Ataques similares no passado

Este não é um caso isolado. Ataques de supply chain notórios incluem:

  • Caso SolarWinds (2020): espionagem em massa de agências governamentais dos EUA;
  • CCleaner (2017): ferramenta popular de limpeza de PCs distribuiu malware por meio de atualizações oficiais;
  • Kaseya (2021): ransomware atingiu mais de 1.500 empresas.

A semelhança com o caso Procolored é clara: os usuários confiam em software assinado e, por isso, baixam e instalam sem desconfiança.

Como saber se você foi infectado?

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

1. Baixou drivers da Procolored desde 2023?

Se você utilizou produtos da Procolored e instalou drivers entre outubro de 2023 e maio de 2025, é altamente recomendável realizar uma varredura completa do sistema.

2. Sua carteira Bitcoin foi usada recentemente?

Verifique o histórico de transações para saber se algum envio foi feito para endereços desconhecidos. Você pode rastrear seus envios usando exploradores de blocos como:

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3. Seu antivírus detecta algo suspeito?

Mesmo que os antivírus identifiquem ameaças, alguns malwares sofisticados podem escapar da detecção. Por isso, a recomendação mais segura é reinstalar o sistema operacional, principalmente se você manipulou valores em criptomoedas.

Resposta da Procolored e atualizações do caso

Inicialmente, a Procolored afirmou que os alertas eram “falsos positivos”. Após ser confrontada com provas técnicas e relatórios de empresas como a G-Data e SlowMist, a fabricante reconheceu o incidente e afirmou:

“Os drivers infectados foram removidos do armazenamento em nuvem em 8 de maio. Realizamos novas varreduras em todos os arquivos disponíveis.”

Medidas prometidas

  • Implementar uma nova política de controle de arquivos USB;
  • Verificar a integridade dos arquivos por hash digital;
  • Criar um canal de downloads com verificação por assinatura digital.

No entanto, nenhuma compensação às vítimas foi anunciada até o momento.

Como se proteger contra ameaças similares

  • Nunca confie cegamente em software de hardware periférico.
  • Verifique o hash de arquivos antes de instalar.
  • Utilize um sistema operacional em máquina virtual para manipular criptoativos.
  • Prefira carteiras frias (cold wallets) para valores altos.

Para empresas e integradores

  • Audite os drivers e softwares utilizados por fornecedores.
  • Utilize ferramentas de segurança baseadas em comportamento, não apenas antivírus.
  • Faça análises estáticas e dinâmicas de arquivos baixados.

Repercussão global: o que este caso revela sobre o futuro da segurança digital

O caso Procolored é mais um alerta do que já se tornou um problema global: a segurança digital de dispositivos de uso cotidiano está sendo ignorada. Impressoras, roteadores, webcams — qualquer dispositivo conectado à internet pode se tornar uma porta de entrada para ataques de alto impacto.

Em um mundo onde cada vez mais indivíduos controlam ativos digitais significativos como o Bitcoin, o elo fraco da segurança muitas vezes não está na blockchain, mas nos drivers, no hardware e na ingenuidade digital dos usuários.

Considerações finais

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Imagem: Ginger_Cat / shutterstock.com

O escândalo envolvendo drivers da Procolored mostra como ataques cibernéticos podem ser silenciosos, eficazes e devastadores. Um simples clique em um instalador aparentemente inofensivo pode significar a perda irrecuperável de milhares de dólares em criptoativos.

A lição é clara: confiança cega em fabricantes, mesmo os que oferecem produtos oficiais, é um risco. É hora de adotar posturas mais proativas, tanto por parte dos consumidores quanto das empresas.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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